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sábado, 28 de junho de 2014

Dias Assim



Há dias assim... Dias em que o mundo nos cai em cima.
Porque sim. Porque assim parece que tentou.
Tinha tudo para ser um dia normal. Não foi. 

Começou mal e teimou em seguir pior. 

Indigna-me a maldade das pessoas. Indigna-me.
No entanto com ela hoje lido melhor.
Espanta-me ainda. Mas com ela lido bem.
Nāo a levo comigo para lado algum. Nenhum.
Menos ainda a deixo entrar aqui.
A maldade, claro. A maldade.

Das mais bonitas coisas que aprendi: deixar ir.

Deixar ir é ser-se grande, enorme, melhor.
Deixar ir é melhor que guardar.
Deixar ir é, por vezes, nem sequer deixar entrar.
Deixar ir é nāo deixar ficar.
Como aquele murro que na montanha nada desfaz, para além do bruto punho fechado.
A māo que embate. O punho que bate. Que se desfaz e racha.
Rachou. A māo.
Fica a montanha. A minha.
Ficou. Intacta.
Dali nem outro punho virá.
De ferido. Rachado. Debilitado.

No meio do tonto inútil punho que se fechou...

Valeu-me o som da gargalhada.
A alegria do teu riso gargalhado quase dobrado.
Pela primeira vez... A tua gargalhada.

Hoje, ali de frente para o mal que alguém me quis...
E lá no alto, nos meus braços erguida...
Rias. Para mim.
Rias, para mim.   

Amália, é pouco o que há para se ensinar...
Mas há muito para se aprender.
E hoje...

A quem mal quer, nada a oferecer.
A quem mal diz, nada fará feliz.




quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Medo, A Mudança e O Momento




Hoje sei mais sobre a mudança interior que a cegonha nos traz. Refiro-me à grande mudança em nós  com a gravidez. Do que se segue ainda nada sei. Imagino. 

As lágrimas e as gargalhadas exageram-se inicialmente. A revoluçāo no corpo é tāo enorme que toma conta de nós, nem sequer temos essa noçāo clara. Chorar e rir torna-se mais que banal num dia com 24 horas. O medo, o pânico e a incerteza no silêncio do segredo mais bem guardado, durante os primeiros três meses, tomam a alma de assalto. Levam-nos para um universo longe daqui muitas e muitas vezes, mais do que as vezes que aqui estamos. Vamos lado a lado com o medo de perder a felicidade extrema que ainda agora se ganhou. Foi assim comigo. Foi assim connosco. 

Os três meses passam. A revelaçāo. Achamos que agora o medo vai passar. Esse assombroso medo de perder. Nāo passa completamente. Cada fase traz consigo um novo medo, uma nova revoluçāo. Medos naturais de quem quer muito que tudo esteja no lugar, que tudo seja certo, que tudo corra pelo melhor. 
Em tantos meses o que mais se sente é este medo, e outro e outro e outro e sempre outro. Cada medo a seu tempo. Com as suas razões sensatas e com as suas razões exacerbadas. 
Desenganem-se futuras māes se acham que convosco será diferente. Com mais ou menos medos, o medo passa a estar em nós. Faz parte. Pode ser aterrorizador, pode ser mais leve, mas está na natureza do nosso corpo, da nossa alma, do nosso coraçāo de māe. Māe é māe desde o segundo em que sente, em que sabe, em que tem a certeza. 

A sensaçāo atenua. O exagero diminui com o passar do tempo. Com o fim da grande etapa das 40 semanas à vista. Ainda assim, continua lá: estará tudo bem quando nascer? Correrá tudo bem? 
- Agora conte até 10 movimentos todos os dias entre as 9h e as 21h - dizem os médicos.
Assim é. Anota-se cada dia na caderneta da grávida como se da Bíblia se tratasse. Se nāo se sentir o bebé 10 vezes ao longo de 12h (depois da semana 35) tem de ir imediatamente à urgência fazer um CTG.
- Ah... E falta ainda um exame. Um exame simples que todas as grávidas têm de fazer na semana 36/37. 
Um exame que nunca mais sai o resultado. Se for positivo, como acontece a tantas māes, complicações podem aparecer devido ao parto e atenções extra sāo precisas nestas últimas semanas. Parece que nāo acaba mais...
Os medos. O medo. Sāo tantos. Inúmeros. 

Mas nos intervalos do medo rasgam-se alegrias únicas, memoráveis, belas, flamejantes, puras. 
O teste positivo. A primeira ecografia. O primeiro batimento do coraçāo. A confirmaçāo: menino ou menina? Os exames quando nos relaxam a alma durante uns dias. O primeiro pontapé sentido. O primeiro pontapé partilhado. A certeza de que tudo vai estando normal. Os planos. O enxoval. O quarto. A preparaçāo. O ler. O aprender. O sentir. Acima de tudo, o sentir.

O misto de emoções sensibiliza cada ponto da nossa existência. Acontece muito mais do que se fala. A felicidade é levada ao extremo e o medo também. Tudo nos invade a alma. 

Para além de tudo isto, a maior transformaçāo aconteceu. A vontade de: 
Cozinhar. Coser. Criar. Fazer bolos. Decorar. Tratar. Organizar. Planear. Estruturar. 
O aprender a ser melhor, maior e completo.

Sempre trabalhei muito, e dedicadamente, em tudo aquilo que faço. Mas sempre o fiz muito por mim. A pensar em mim. No meu futuro. Nos meus gostos. No que amo. No que faço bem. Numa ideia singular do que se pode fazer e conseguir. 
É natural, claro. Até aí o que existe somos nós, primeiro nós. O que fazemos. O que somos ou queremos ser. Onde vamos. O que pretendemos. Nós. Cada um de nós virado para o que é ou pode vir a ser. Mudamos verdadeiramente quando passamos a pensar e a sentir por eles. Eles... Os nossos filhos. As grandes mudanças vêm de dentro de nós. E sāo elas que em si nos tornam melhores, enormes. 

Sinto-me maior, melhor. Depois de experimentar o verdadeiro medo. Depois de entender a força da natureza. Depois de viver a felicidade extrema. 

Ainda há muito ou quase tudo para viver. Eu sei, eu sei. Este foi, é apenas o começo. 
Vamos lá entāo. Vamos: ser tua māe. 
Semana 36 e 4 dias. 

sábado, 23 de novembro de 2013

A Tua Casa

Meu amor,
Hoje foi o primeiro dia em que rodámos a chave da porta da tua primeira casa. Espero que gostes e que te sintas logo em casa como nós. Quando abrimos um dos armários da cozinha tinham deixado para nós este presente:


Tal como dita a tradição: Azeite, carvão e sal para nos dar luz, calor e alegria. Não nos vai faltar. Não nos vai faltar. 
Sensibilizam-me as pessoas carinhosas. Foi um dia feliz. Será uma vida feliz.