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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Regresso Às Aulas


Lembro o frio na barriga do regresso. Um misto entre a tristeza que fica na memória de cada grāo de areia e a vontade genuína e entusiasmante de regressar. O cheiro dos cadernos novos e o papel colante a brilhar. A mochila acabada de comprar e o estojo em lata cheio de lápis para desenhar. Eram as aulas. Já menina, de vestido e gancho no cabelo ia feliz com o aperto para descobrir novos segredos.

Ainda antes, mais para trás, na creche, na infantil, no infantário, era um drama. Recordo esse choro, lembro bem o desespero, aquele medo. Dias menos felizes por nāo conhecer aquele largar. Era pequena, tāo pequena que nem seria natural esta forma de recordar. Faz parte mas eu nāo sabia como e porque é que tinha de lidar. 
Nāo sabendo ainda o segredo mas na sorte do sucesso, a Amália hoje corre pelo corredor para lá chegar. Gosta de ali estar. Pode ser sorte, pode ser segredo… Mas de manhā, agora, digo sempre: A māe vai-te buscar. Ela sorri e num gesto que sinto agradecido diz-me que sim. 
Partia-me o coraçāo se fosse diferente. Seria impossível se fosse como eu, a chegar triste e inquietante. 
De manhā, antes de ir, acalma-me o coraçāo aquele sorriso e aquela certeza. Olhos felizes de uma idade maior e conhecimento infinito. Tranquiliza-me. Olhos que me dizem - Estou bem, māe. Fico bem, māe.  Ela nāo diz. Essas palavras sāo ainda desconhecidas. Diz no sorriso. É esse o meu entendimento. É essa a certeza.  

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mais Uma Liçāo Pré-Parto




Ontem entāo foi uma liçāo incrível. Foram duas horas esclarecedoras em relaçāo ao grande momento que assusta muito tantas de nós: o parto. As diferentes formas possíveis de parto. O procedimento médico e como nós māes temos de ajudar, colaborar. A importância do nosso contributo, do nosso comportamento, da nossa confiança.  Há tanta coisa que desconhecemos e é fundamental estarmos informadas. Procurar na net é demasiado abrangente e global, ou seja, temos acesso a informaçāo que nāo interessa, a nāo informaçāo. Ali, na Kuantos Meses, o que nos chega é essencial. Sei que já disse isto mas vou repetir mil vezes porque é de facto assim. É mesmo importante e directo. Esclarecedor e objectivo. A liçāo de ontem nāo foi nem assustadora nem animadora, foi directa e real. Na mesa, os cenários possíveis para o parto: gostei, amei. Aqui nāo reproduzo o que me é ensinado, nem tento passar essa informaçāo. De todo. Ler este ou qualquer outro blog nāo substitui em nada o que se aprende numa aula da Kuantos Meses, nem significa que o que defendo aqui seja resultado disso. Estas sāo as ideias que eu própria defendo e que tantas māes até podem ser contra.

Cada vez mais a minha desconfiança de que nāo devemos "meter na cabeça" de que vai ser assim ou assado, se confirma. Nunca entendi muito bem as māes que dizem: escolhi que o meu parto fosse assim ou fosse assado. Ter preferências nāo é errado mas ser intransigente é e pode ser um entrave grave para um parto tranquilo. 
Nāo fiz nem faço planos fechados. Essa parte está completamente na māo da minha médica. Nāo escolho o procedimento médico porque nāo é de todo essa a minha missāo enquanto māe. Da mesma forma que também nāo decido como me operam um joelho. Aquilo que sei é que tenho uma bebé para nascer brevemente. Se nenhuma emergência se verificar nascerá naturalmente. Se a médica por alguma razāo tiver de alterar o procedimento médico e fazer cesariana, assim será. 
Choca-me seriamente ter lido imenso sobre o assunto e perceber que hoje em dia, tantas mas tantas māes escolhem, sim, eu disse escolhem, ter os bebés por método cesariana por medo da dor e do sofrimento. E também há médicos que decidem fazer cesarianas pura e simplesmente por razões monetárias. É inacreditável. A cesariana, e falo única e exclusivamente por muita coisa que tenho lido, é um método clínico de emergência. Ou seja, aplica-se a casos mais complexos que escapam à normalidade do processo. Aplica-se para salvar a vida de um bebé, de uma māe ou de ambos, aplica-se para nāo se correr esse risco caso existam indícios nesse sentido. Mas infelizmente passou a ser por muitas māes, erradamente, uma escolha leviana e superficial resultado de muito medo e falta de informaçāo. Meter na cabeça que se escolhe uma cesariana para nāo ter dor é tāo absurdo como escolher ter um parto natural em casa porque se é muito cool. Cada caso é um caso e deve ser devidamente cuidado e analisado por médicos de confiança e competentes. Se tudo corre bem numa gravidez, desconfiem sempre de um médico que já definiu que o vosso parto é por cesariana. E se tudo corre bem numa gravidez, nāo há razāo nenhuma para uma māe insistir numa cesariana. Estar informado é saber que existem diversas formas de ajudar os bebés a nascerem. Assim como existem riscos associados aos mais diversos métodos que nāo devem ser ignorados e por isso mesmo devem ser analisados por médicos e nāo por māes. Convém pensar seriamente sobre o assunto antes de tomar decisões como: "vou ter o meu bebé em casa porque é uma ideia gira" - nāo estamos em Portugal preparados para socorrer situações de emergência de um parto em casa que corra mal; Ou: "Quero parto natural, apenas natural, nāo quero cesariana, nāo quero, nāo quero medicaçāo" - este pensamento fechado leva a pressāo sobre os médicos para evitarem a todo o custo decisões para as quais têm de estar completamente livres para exercer o seu trabalho nas melhores condições. Ou mesmo: "quero uma cesariana, sei que está tudo bem mas nāo quero sentir dor"- convém entender que uma cesariana é uma operaçāo e acarreta os seus riscos, bem como a recuperaçāo é muito mais lenta, ou seja, se for possível evitar é melhor para todos, tanto para a māe como para o bebé. 
Mas entāo nada está bem? Está. Claro. O parto natural é o mais sensato em situações normais. O melhor para todos. Apesar da dor e do desconforto, segundo parece. Assim como também está bem todo e qualquer método utilizado para ajudar um bebé a nascer que, por complicações, levou a medicina a intervir de outra maneira.

Posto isto, Amália, nāo sei como vais nascer. Sei que o ideal é que tudo corra bem sem problemas, pelo melhor. Também sei que pouco interessa a minha dor. Interessa o meu bom senso e o bom senso de todos os que no parto colaborarem. Acima de tudo interessa que gostava que fosse parto natural e descomplicado mas será o que tiver de ser. O processo estará aberto, em evoluçāo, até tu estares cá fora e bem. Sem planos fechados da minha parte, sem ideias pré-concebidas. 
Estamos bem entregues a bons profissionais. 
Por ti. E por mais ninguém. 

           

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Liçāo Número 1

A liçāo número 1 foi para mim uma chapada de luva branca. Ontem foi entāo o primeiro dia de aulas pré-parto. 
Ora para quem, como eu, achava que se calhar nem era preciso... Afirmo: Desenganem-se! É preciso, e muito.
Felizmente a vida encaminhou-me para que estejamos ali. 
Agora, mais que nunca, sei que é muito importante. Acima de tudo numa primeira gravidez. Estou feliz com a opçāo de fazer as aulas. 
Haverá os que dizem e pensam: "Mas os bebés no meio da selva também nascem" - é um facto, a māe natureza trata de tudo, quase tudo. Há sempre uma parte que nos cabe a nós. A questāo é mesmo essa... Há muitas formas de fazer uma simples coisa. Formas mais complexas outras menos, Umas mais fáceis, outras menos. Umas mais seguras, outras menos. E é precisamente isso. Ir de A a B pode ser em 1 minuto ou demorar uma eternidade. Estar na "Kuantos Meses" a aprender a entender os sinais é fazer corta-mato e evitar complicações. É portanto uma segurança, um descanso, um apoio, um divertimento, e acima de tudo é tornar a nossa vida mais simples. É ouvir na altura em que ainda se está disponível para assimilar e aprender.

Estou feliz com a nossa escolha. Foi a primeira de muitas aulas. Ainda muito está para vir. Ontem aprendi sobre os sinais do início do trabalho de parto, o que fazer, como aliviar a dor, quando ir para a maternidade. O que sāo os sinais de emergência, os sinais de falso alarme, os sinais naturais do processo. O que fazer, como e quando. De uma forma simples, directa, sucinta e divertida. Ainda aprendi a exercitar partes do corpo para uma melhor preparaçāo. Na realidade, ali a informaçāo que nos chega é, nada mais nada menos, exactamente aquela que precisamos.

Numa palavra: Adorei. 
Recomendo vivamente. Porquê? Porque só faz bem, nunca mal. Errado é nāo ir e confiar na sorte.
  
Obrigada Célia, Obrigada "Kuantos Meses". A Amália, cá dentro, também agradece.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Aulas Pré-Parto

Amanhā começam as aulas para aprendermos a tomar conta de ti e também sobre este tempo final de gravidez até ao parto. Durante muito tempo pensei que era tonto fazer aulas para aprender aquilo que é supostamente inato. A verdade é que nāo nascemos ensinados e há milhões de dúvidas que se vāo somando ao longo da gravidez e crescendo com o tempo. É como se pensarmos em alguém que por mais que nasça com um grande talento para desenhar nāo implica que tenha a capacidade de se tornar num grande artista. Ou seja, por mais que o instinto esteja lá em todos os pais, a verdade é que as aulas e o apoio de quem tem experiência pode ser decisivo para aliviar pressões, momentos, erros e até prevenir situações perigosas. 
Há uns dias conheci a Célia... A enfermeira que nos vai guiar e apoiar ao longo do processo. Nos bons e nos maus momentos. Desde esse dia parece que me sinto mais leve. Uma grande parte dos meus medos desapareceram. Foi amor à primeira vista. Quando se está perante alguém que ama profundamente aquilo que faz, isso sente-se. A frase que mais me tranquilizou foi: "em caso de urgência, seja a que horas for, primeiro o número da sua médica claro, logo em seguida o meu número. Sempre. A qualquer hora." Já sāo poucas as pessoas assim. Na hora em que reuni com a Célia percebi de imediato o quanto nos ia fazer bem passar por todo o processo com ela por perto. 
Temos mesmo muita sorte. A nossa médica é desde sempre o conforto, a segurança e a objectividade da experiência. E agora para um descanso e sossego ainda maior, apareceu ainda a enfermeira Célia para nos pegar ao colo. A mim, a ti e ao pai. Para olhar por nós. Obrigada Célia. Obrigada "Kuantos Meses".

Nāo te preocupes Amália, nāo que nāo estejamos preparados para tratar de ti... mas com o apoio de quem sabe mais que nós aprende-se e evita-se ter de sofrer com inquietações e dúvidas de principiantes que te podiam prejudicar. Assim estaremos calmos e mais informados para te receber. 

Começamos amanhā, depois digo como correu. Vamos ver se somos bons alunos.