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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

De Coraçåo Pequeno E Apertado. Esmagado.

Sento-me a ler centenas de teorias. É bom o quanto antes. É melhor quanto mais tarde. 
É da creche que falo. 
Cada um diz sua coisa. A verdade é que cada māe precisa em alturas diferentes mas o terrível dia chega sempre. O coraçāo esmaga-se de tāo pequeno que fica. Desaparece. 
Depois de meses, para algumas māes anos até... Depois do amor galopar crescente, solidificar que nem betāo, chega o terrível dia...  Nāo consigo dormir. Rebolo da esquerda para a direita. Viro-me e volto a virar. Choro. Lembro e relembro o dia em que eu própria fui para o infantário. O primeiro dia. Tinha 3 anos e como já escrevi aqui antes, lembro-me como se fosse hoje. Chorava de manhā até ao fim da tarde até me irem buscar. Lembro-me muito. Mas já tinha 3 anos. Quero acreditar que sendo o primeiro dia na creche apenas com meses de idade nada disto seja exemplo. 
Quero acreditar. 
Porém assalta-me constantemente uma pergunta nestes dias: e se a ida para a creche aos 7 meses for precoce e interferir na formaçāo da personalidade dela? E se for para ela uma sensaçāo de abandono? E se... E se... Dúvidas e mais dúvidas que tiram o sono e agitam a alma. Ninguém pode dar respostas. Cada história é uma história. Cada caso um caso. Preciso de uma bola de cristal para me responder qual o melhor caminho. O teu melhor caminho.
Dizem os especialistas que as māes sentem culpa. Confirmo. 
Os especialistas nāo precisam de bola de cristal. Sabem da culpa que sentimos. E sabem mais: Dizem que quanto antes melhor em termos sociais e evolutivos para o bebé. No entanto, chamam a atençāo para as doenças e avisam que, naturalmente, o convívio com outras crianças pode trazer alguns dissabores à saúde do bebé. Também há quem diga que os bebés que ficam em casa até muito tarde, apesar de ficarem mais protegidos nesse sentido, evoluem mais lentamente e podem desenvolver problemas relacionais com outras crianças por se tornarem mais fechados e virados para si mesmos. 
Teorias atrás de teorias. Coisas que se dizem e que na realidade só saberemos o resultado depois de optar. Depois até de sobre a opçāo todo o tempo do mundo passar. 
Sem bola de cristal e de bolo no estômago... Aqui vamos nós. Uma nova etapa. 
Este é o início da tua vida social. A construçāo do teu caminho sem mim. Onde eu nāo estou. É isso que me custa. O teu chorar se eu nāo estou. O teu medo se eu nāo estou. Tudo em ti sempre que eu nāo estou. 
Uma afliçāo, esperemos que apenas para mim. Há quem diga que quanto mais tarde mais afliçāo, pois aí seria na certa afliçāo para as duas. Escolho entāo que seja só para mim.

Aflita. Oficialmente aflita. Mas convicta de que só ficas no melhor dos melhores sítios. 
Certa de que ali, também dias muito felizes te esperam. Confia em mim.  
Confia em mim. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Amamentar


E um dia deixamos de ter. Assim. Do nada. 
Desde que fiquei doente, com gripe, o meu leite reduziu drasticamente. 
Achei que recuperaria. Achei que assim seria. 
O início da amamentaçāo foi tāo penoso que disse durante muito tempo que assim que fizesses três meses iria deixar de amamentar. Um crime aos olhos de muitos puristas. Mas absolutamente natural para mais que muitas māes. Agora parece castigo. A verdade é que as dificuldades passaram, ultrapassei-as e tudo mudou. Deixei de querer parar.
Amamentar passou a ser certamente das coisas mais bonitas desta vida. 
Digo hoje. Sei hoje.
Foi de facto difícil. Doloroso. O início. 

Agora parece que passou uma eternidade de tempo sobre o pesadelo que foi o princípio. 
Aprendi todos os truques. Dei por mim dias a fio com luvas cheias com água quente sobre o peito, pomadas para antes, gelo para depois. Todos os produtos para facilitar eu comprei. Até um spray nasal de ocitocina me foi medicado. Dias e dias de dor. De nāo tolerar a água do chuveiro directamente. 
Dor como se vidrinhos me percorressem os vasos. 
Passou. Como tudo passa. Passou. 
Foi-se transformando naturalmente na beleza que caracteriza a maternidade. Torna-se maior que tudo. 
A natureza volta a falar mais alto. Torna-se avassaladora. Nunca mais se olha o mundo animal da mesma forma. Nunca mais se pensa o mundo igual. 

Somos animais. Somos natureza. Somos força e beleza. 

Acabou. Um dia iria acabar. Queria continuar, claro. Típico. Agora queria continuar. 
Pelo menos até aos seis meses. Também calculo que chegando aos seis meses iria provavelmente querer continuar pelo menos até aos nove. E assim sucessivamente. 
Porque se torna assim o amor. Grande. Enorme. E certamente nāo iria saber parar.  

Tenho pena. Agora que acabou.

Ao deixar de amamentar nāo acaba o amor. Nem o amor se mede assim.  

Amamentar é importante. Repetem médicos e a organizaçāo mundial de saúde. 
Repito eu: foi maravilhoso enquanto foi possível. 
O mundo nāo acaba por isso. Nem o teu nem o meu. Foi como teve de ser. 
O leite materno deve mesmo ser o melhor alimento do mundo. Mas ao acabar a vida tem de continuar.

Que continue. Meu amor. Que continue. 
Aos 3 meses e meio apenas o leite acabou. Ficou por aqui. Com pena mas ficou por aqui.
Tudo o resto que está para vir ainda nem começou. 

Ainda nāo começou, meu amor. 
Tudo o resto que está para vir ainda nem começou. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Onde Estás Tu, Natureza?



Nāo é fácil... Nāo tem sido fácil...

Só digo a verdade. E nāo... Nāo é fácil... 
Estou capaz de esganar quem me diga ou repita mais alguma vez que "cólicas é normal" "faz parte" "é mesmo assim" "depois passa"...

Ou eu sou doida ou há alguma coisa aqui que nāo me faz muito sentido. Quer dizer... A natureza faz um trabalho exemplar de 9 meses a gerar na perfeiçāo bebés encantadores que deixam māes e pais boquiabertos pelo milagre que é todo o processo... E querem que esses mesmos pais ouçam tranquilamente que é "normal" "natural" "muito comum" esses mesmos filhos chorarem desesperadamente com dor, sim, com dor, com desespero, com toda a força que conhecem... Porque o intestino dos seus recém-nascidos ainda nāo está preparado para o leite e precisa de habituaçāo... Sāo "apenas" os primeiros meses de vida... "Faz parte"... Seria o mesmo que dizer: cada vez que abre os olhos dói porque ainda se estāo a habituar. Ou: Cada vez que respira dói porque os pulmões nāo estāo habituados a respirar...  Mas é só o intestino que tem de se habituar?  

Onde estás tu natureza nesta altura? Nestes "apenas" primeiros meses de vida...
Quero parar o choro desesperado da minha filha. Quero arrancar-lhe a dor dos gritos de sofrimento. E onde estás tu natureza? 
Sim, ela é calma, tranquila, um anjo na terra. Mas agora, constantemente sofre com as famosas "cólicas", dores horríveis que lhe retiram a tranquilidade que a caracteriza. E onde estás tu, natureza?
Queres que aceite que sabes colocar dentro de mim um feijāo que se torna num dos mais maravilhosos seres do planeta, que até se vira para a posiçāo certa antes de nascer porque assim tem de ser... E tu, natureza, queres que ache normal que em todo esse processo te esqueceste de um detalhe: os bebés e os seus intestinos têm de funcionar! 
Nāo posso aceitar. 

Lamento, mas essa resposta nāo me serve.   
Nāo, nāo é normal. Nāo, nāo pode ser normal um bebé torcer-se com dores desta maneira. Porquê? Porque nāo é apenas o meu bebé... É um planeta de bebés que se torce com dores e chora meses a fio porque tem dores de barriga...  

Natureza, lamento dizer, mas era fundamental corrigires este erro o quanto antes pois parece impossível entre tamanha perfeiçāo teres deixado passar, e assim continuar, estas dolorosas experiências para pais e bebés...
Hoje estou revoltada contigo, desculpa natureza, mas deixa-me dorida esta dor que lhe vejo e sinto todos os dias a tantas horas...


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

3 Minutos

Imagem de: www.infohoje.com.br

Um dia cheio, sempre a pensar em ti. Hoje até pensei que estavas a querer nascer. Sem sustos ou alarmes. Uma sensação apenas de 3 minutos. Sensação que vai ao encontro de descrições do que podem ser as chamadas contracções. A vantagem ou desvantagem da primeira gravidez é mesmo isto: nunca se sabe muito bem como é, o que se passa e como vai ser. As descrições de outras mães são sempre relatos que por mais detalhados nos deixam na dúvida. Os relatos mais comuns são as dores semelhantes àquelas que muitas de nós conhecemos relacionadas com a menstruação, outras mães falam de dores de costas, dores de rins, peso na zona inferior do útero, pontadas, barriga rija e o tão conhecido rompimento das águas também... Diversas coisas separadamente ou mesmo com direito a acumular sintomas. No meio de tantas dicas, nada disto é aplicável à confiança a todas nós. E por isso mesmo temos dúvidas... Mas existe um indicativo fundamental infalível: a repetição. Qualquer um destes sintomas pode, de facto, ser indicativo do início de trabalho de parto mas não num acto isolado. Ou seja, a certeza de que se entrou em trabalho de parto é a ida e vinda desses sintomas e com eles a diminuição do espaço de tempo entre o alívio e a dor.  Todos os casos são diferentes nas suas particularidades. Varia tudo. O tempo, o impacto da dor, a zona da dor, tudo... O que não varia é esta noção de repetição. Se a repetição da dor\sintoma existe é caso para respirar fundo, acalmar, relaxar ao máximo e então ligar ao médico. Deixar o pânico para depois e o celebrar para o dia seguinte. 

Acordei e por 3 minutos achei que te ia conhecer ainda hoje. 
Meu amor, temos de esperar porque o melhor é continuares onde estás mais umas semanas. 
Não tenhas pressa. Não tenhamos pressa. 
Tens a vida toda para estares aqui fora e tens o teu mundo inteiro à espera o que for preciso para que estejas e fiques bem. 
Ninguém te apressa. Ninguém tem pressa.   
Estou tranquilamente à espera para ser tua mãe.