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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Grande, Ainda Que Pequenina


Somos grandes mesmo pequeninos. 
De todas as vezes que chega a hora de comer, instalam-se uns guinchos repentinos. Até salto de susto. Se por uma ou outra vez nāo percebi... Hoje passei a perceber. 
O que estava mal era simples. 
Explico:
Mesmo pequeninos, muito pequeninos, já têm querer. Ainda com pouco mais de sete meses a Amália começou a agarrar o biberon sozinha e a querer beber ao ritmo dela. Sem mim. Sem ninguém. Ao ritmo dela, à maneira dela. 
Pois hoje durante a papa, já em desespero, gritava, guinchava irritada comigo e nāo parava. Eu nāo entendia. 
Ela comia umas colheres de papa e gritava de novo. As lágrimas gordas rolavam pela insatisfaçāo, pela minha insistência. Finalmente fartou-se e explicou-me. Agarrou na minha māo com toda a força do mundo, mudou a rota da colher à sua maneira e puf até à boca. Ainda gargalhou. 
Colher atrás de colher, já nāo foi possível dar-lhe a papa como antes. Ri também. Tal como diz o ditado, se nāo os podes vencer junta-te a eles... Assim foi... 
Papa pelas māos, bochechas, olhos, papa por todo o lado. Mas gargalhadas felizes de uma conquista inédita: acertar sozinha com a colher na boca e morder morder morder. De vez em quando comer, comer, comer... Mas nem sempre. 
As vezes suficientes para nāo parar de rir. Ela e eu, claro.
Por este andar, lá para os 12 meses vai às compras sozinha. Só espero que nāo saia de casa sem lista. 
Pequenina mas grande, esta pequenita.     

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Gatinhar Cair Levantar



Gatinhar, mexer, remexer, explorar, experimentar e conhecer: é esta a fase em que estamos. Tudo tem interesse. Tudo traz curiosidade. Tudo.
Está na altura de proteger cantos, retirar o que está mais à māo e esconder o que pode ser perigoso.  Há pais que defendem que nāo se deve mexer nada do lugar e há também quem defenda que se deve varrer da frente tudo e mais alguma coisa. Talvez o sensato seja mesmo o meio termo. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. O essencial é prever o que pode correr mal, antecipar, antever e prevenir. Esta ainda nāo é uma idade em que a comunicaçāo tenha um papel claro e inequívoco. Ou seja, nāo há como explicar a um bebé de seis meses que algo é perigoso ou nāo deve ser feito. Resta portanto prever sem grandes exageros ou paranóias. E acima de tudo vigiar. Estar sempre lá. Os pediatras avisam que esta é a fase dos acidentes domésticos. Cada dia o bebé evolui incrivelmente, hoje faz o que ainda ontem nāo fazia. Assim... Num ápice. 
A Amália tem o seu parque onde se diverte com os brinquedos. O parque é o único local seguro para a deixar sozinha se o telefone toca lá dentro ou se temos de ir abrir a porta a alguém. De resto nem vale a pena fazer grandes acrobacias de imaginaçāo: nāo se deve deixar um bebé nesta fase sem ser no parque ou na cama de grades para ir fazer uma coisa qualquer que seja para "logo logo voltar". Apenas é seguro ficar dentro do parque ou enquanto dorme na cama de grades.
Hoje, por exemplo, estava a vê-la tentar gatinhar e eu ia incentivando com brinquedos para ela tentar alcançar. Felizmente tinha o chāo protegido (com mantas e um tapete de algodāo lavável) quando de repente nāo é que ela se lançou no ar para chegar mais perto de mim. Deu um impulso com os joelhos e lançou-se para a frente farta de tentar procurar uma outra maneira de me alcançar. Assustei-me porque nāo estava à espera. Nāo me passou pela cabeça sequer que ela tivesse força para tal. Nāo teve problema porque por baixo estava protegido e fofo para amparar qualquer queda. Nāo esperava era uma queda de cara, de frente, género aviāo a fazer-se à pista ou pinguim a deslizar. Nada de mal. Correu lindamente até com uma gargalhada enorme dela porque tudo era fofo e confortável. Sem proteger teria sido perigoso e a gargalhada seria outra história. 
Gatinhar ainda só para trás. Com grande alegria dela mas só para trás. Para a frente pode estar para breve mas entretanto a pequenita vai tentando todas as formas e mais algumas... Até voar como se viu. 
Nas fotos (em cima) também fiquei petrificada quando estava a vê-la tentar gatinhar e de repente ela ergueu o rabo e quase se colocou em pé. Deu queda, claro. O peso da cabeça desequilibra e tanta coisa mais. Ainda nāo é tempo. Falta para chegar aí. 
Confia em mim, meu amor: lá chegarás e mais cedo do que agora te parece.
É assim, de facto. Nada na vida se consegue sem se tentar. Uma, duas, três ou mil vezes. E o mais certo é conseguir-se até mesmo quando se está quase a desistir. 
Nāo desistas meu amor, nem aches que já tentaste vezes de mais... Cada um de nós tem o seu próprio caminho, as suas próprias quedas. A maravilha é o levantar depois de todas e tantas quedas e ver onde se vai chegar da próxima vez que nos levantamos. 

Uma coisa te garanto: levantamo-nos sempre melhor e chegamos mais longe sempre que nos levantamos mais uma vez. Sempre. Podes acreditar. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mês 2



Hoje completamos o segundo mês. 
Sim completamos. Nāo apenas tu. Eu também.

Pensar que já passaram dois meses... O tempo corre na pressa de chegar ao futuro. Não sei para onde mas corre. Pensar que era tudo tão complicado no primeiro mês e agora parece que já levo esperiência de segunda vez. Pensar que fazia tudo sem duas mãos, como se sem braços. Ou seja, não fazia nem desfazia. 
Agora... Num braço carrego-te, com o outro faço magia. Numa mão seguro-te com a outra faço o que sempre fazia. 
Somos animais. Animais bestiais. Perante todo e qualquer obstáculo, fazemos, transformamos e adaptamos. 

Ouvi e voltei a ouvir 'isso passa', 'são os primeiros tempos', 'só melhora'. Foi desesperante e pouco credível que, de facto, a vida retomaria a sua própria vida. A sua organizaçāo, a sua normalidade. Mas aos poucos vai-se vencendo batalhas. Pequenas. Pequeninas. E quando damos por nós somos super-heróis nos seus fatos coloridos e "kitados" com pequenos grandes super-poderes. A vida regressa a si. Vai regressando. Cada dia que passa uma inovaçāo, uma nova adaptaçāo. 

Comparar o primeiro ao segundo mês é mais que muito animador. Evitei tantas vezes escrever e dizer isto mas... Os primeiros tempos são um susto, um terror. O primeiro mês... Não sabemos como, nem quando, nem se vai melhorar. Não se dorme. Mal se come. Pouco mais se faz que dar de mamar e mudar fraldas. Os banhos tomados são um intervalo de segundos que não fazem um minuto. O amor,  mais que muito, é posto à prova quase todas as horas... E nāo sabemos... Desconfiamos... Mas nāo sabemos... Passamos a saber... O amor vence tudo. Encontra sempre o seu rumo, a sua energia e ampara tudo. Todo o cansaço. Todo o medo. Todo o desespero. 
O primeiro mês tem tanto de terror como de encanto. Achamos e sentimos como errado essa angústia do início. Rápido  entendemos que faz parte do processo. Faz parte da nossa natureza. Custa. Custa muito o início... E só sabemos quando estamos a passar por isso. De outra forma achamos que connosco será ou foi diferente. De outra forma achamos até estranho o que se diz, o que dizem... Isto que agora digo. 
A verdade: só sabe mesmo quem por ali passa ou passou. E nada de errado. Faz parte. 
Fez. Passou. 
Tinha de ser. Tem de ser. 
É violento. É brusco. É arrebatador. 
É de loucos. É loucura. 
É bom, maravilhoso. 
É difícil também. Em simultâneo. Ao mesmo tempo. 
Nāo vale a pena escrever, dizer mil vezes... É em vāo. 
Quem nāo sabe, julga. 
Quem passou, tantas vezes apaga o difícil... 
Esquece. 
Passa. Passou. 
Fica o bom, o melhor. 
E esse multiplica-se. Aumenta. Cresce. 

Aos dois meses...
Já observas atentamente. 
Já olhas nos olhos profundamente.
Já sorris intencionalmente.
Já descansas descansadamente.
Já ouves atentamente.
Já fazes sons ruidosamente.
Já te seguras mais firmemente.

Tem sido único acompanhar-te e ajudar-te a adaptar a este mundo. 
Que este seja o início da mais bonita e maravilhosa viagem que conheço: a tua vida.