E o futuro, amor?
Às vezes assombram-me ansiedades do futuro.
Antes centrada apenas no meu. Agora mais que no nosso: no teu, meu amor. No teu.
Receio que este seja o país que te vê crescer. Um lugar maravilhoso mas sem presente, sem futuro. À espera que o tempo se acrescente.
Receio por ver todos os que se desdobram em qualidades e talentos e que, ainda assim, este está longe de ser o lugar ideal para se crescer.
O mundo nāo é fácil. Claro. E amar Portugal inquestionavelmente também nāo é suficiente.
Que lugar é este que amo mas onde quase nunca o rigor acontece e a seriedade é brincadeira?
Que lugar é este que amo mas onde o bom e o melhor é incentivado a partir, a nāo voltar ou mesmo a acabar?
Que lugar é este que amo mas sem visāo, óculos ou binóculos se desculpa atrás de desculpas e se vai escapando entre furos e buracos?
Que lugar é este que amo mas onde pessoas atrás de pessoas esperam que algo aconteça, mude ou se transforme sem deixarem nada mudar, melhorar ou ser diferente.
Que lugar é este, que amor?
Para tantos viver em Portugal passou a ser como viver vitima de bullying, maus tratos ou violência psicológica.
Que lugar é este que se transformou no esmagamento de sonhos em massa, de futuros em particular e de vidas em privado?
Que lugar é este que prevê tudo e erra sempre a estimativa ao lado?
Que lugar é este que cospe e deita fora o que é bom em prol do que é mau ou está errado?
Que lugar é este, amor?
É o lugar que nos viu nascer e temo profundamente que este nāo seja lugar para te ver crescer.
Quem nāo vê isto é porque certamente nāo tem vivido e sentido este lugar, meu amor.
Desculpa se hoje o que digo nāo é feliz mas nāo se consegue ser sempre.
