Há momentos em que o céu desce à terra. Momentos como este. Em que a serenidade invade e o paraíso se instala. Para conhecer e dar valor à tranquilidade precisamos conhecer o oposto. Os dias nestes meses têm sido tantas vezes inquietos e anseio pela chegada de mais momentos calmos e serenos como este.
A pequena Amália nāo tem culpa. Nenhuma. O processo é duro. Duríssimo só por si normalmente, pela exigência do cuidado 24/7, mas mais ainda quando se enfrenta as cólicas severas que parecem nāo passar.
É o corpo que dói. O dela e o meu. O nosso. A cabeça cansada pesa. O sono, o meu, o dela e o nosso, nāo é reparador , é sempre interrompido.
Faz parte. Sabemos. Claro que faz.
Essa é a parte fácil, fácil de dizer acima de tudo para os outros, mas difícil de viver.
Lembro tanto os relatos dos meus pais... Fiz a vida "negra" aos meus pais nos primeiros tempos de vida. Nāo deixei ninguém dormir durante um ano, ou mais. Lá está... Agora é a minha vez... "Cada um tem aquilo que merece" já dizia o ditado. Se fosse possível gostava de trocar este ditado por outro... Outro qualquer...
Aos meus pais:
Desculpem as noites todas sem dormir. Desculpem todas as birras e inquietações que vos tiraram do sério. Desculpem tudo o que fiz que vos revirou as horas e os dias...
Mas verdade seja dita: também agradeço por de todas essas horas ter resultado um amor enorme, gigante, maior que o mundo.
Disso, que ninguém duvide.
Aqui também pode desabar o mundo...
Mas à volta...
Pois o nosso mundo, o que aqui vivemos: é mais que tudo, um mundo de amor.
E esse nāo desaba nunca.
O resto, passará.
