É surpreendente quando damos por nós a rir tempo infinito com tāo simples gesto.
Cucu… Onde está a bébé? Nāo 'tá… 'Tá aqui!
Com uma simples fralda tem a capacidade de transformar a vida numa festa.
Que sejamos capazes de todos juntos brincar e brindar nesta festa a maior parte da vida... Inteira, meu amor, a maior parte da vida que é como dizer… a tua vida inteira. <3
A alimentaçāo dos miúdos pode ser um pesadelo. Nalguns casos porque pura e simplesmente eles nāo querem comer ou porque nāo sabemos como fazer os miúdos comer.
Desde cedo, a pediatra da minha filha sempre me tirou um peso enorme de cima... Nāo vale comprar guerras, nāo vale a pena, sempre que ela nāo quiser comer nāo come. Assim foi, assim teve de ser.
A vontade teve de partir dela. Foram algumas as vezes em que, ainda mais bebé, isso aconteceu. Para aprender a comer a sopa foi difícil, foi um pesadelo. Passou.
Como? Nāo queria, nāo comia. Eu insistia. Errei por vezes e obriguei. Só tive sucesso quando mudei de atitude. Falei com a médica e percebi: tente apenas, nunca obrigue! Só assim resultou.
Hoje, a maioria das vezes, ela come tudo. Quando digo tudo, é mesmo tudo. Como a fotografia prova, chega mesmo a olhar o prato a meio milímetro e a tentar perceber se dali nāo vai nascer um admirável mundo de massa, esparguete, arroz, carne ou peixe… Na realidade, qualquer coisa… nem que seja um boneco desenhado, um elefante ou uma princesa de laço.
Muitas vezes remata ainda com um Ohhhhhhhhhhh na última colherada… Quem chega naquele momento, invariavelmente acredita que a miúda está com fome. É o ar dela incrédulo a avaliar o fundo do prato. Bem diferente é a expressāo de quem vê o prato, acabadinho de servir a chegar à mesa.
É importante servir a quantidade certa. Qual a quantidade certa? Pois...
Na era das desordens alimentares pode ser difícil responder a essa pergunta. Se os miúdos nāo apresentam nenhum distúrbio alimentar nem qualquer problema de peso, a dose certa é exactamente o que eles querem comer. Os miúdos, como nós, nāo sāo máquinas. Uns dias temos mais apetite e noutros temos menos. Interferir na alimentaçāo ao ponto de obrigar um bebé ou uma criança a comer pode trazer consequências futuras. Sāo guerras eternas que se constroem e que marcam profundamente a relaçāo dos miúdos com a comida. Comer deve ser um prazer para além da necessidade.
É nossa missāo enquanto pais, ensinar a comer. Educar a alimentar. Alimentar educando. Saber comer é ter com a comida uma relaçāo saudável. E é nessa ligaçāo que tantas vezes se encontram respostas a muitas perguntas.
Sempre que a Amália faz o seu "Ohhhhhhhhhhh", a seguir ainda come fruta e fica bem. Nāo chora com fome. Nem chora para se encher até cair para o lado. Também sei que se lhe desse mais massa depois do "Ohhhh" ela comia. Claro. E é esse o papel fundamental dos pais: temos de aprender a perceber a diferença entre "gosto tanto disto que enquanto me deres eu nāo páro" e o verdadeiro "māe, ainda tenho fome." Por outras palavras… O que eles querem comer com vontade e gosto é diferente de alimentar barrigas insufladas como um balāo e habituar a comer até explodir. É também, em parte, matemática. Se uma barriga é tāo pequenita, nāo pode naturalmente encher com doses que duplicam o seu tamanho. Como em tudo, é no equilíbrio que está a dose certa.
Difícil também é quando nāo gostam de comer.
O mundo por descobrir torna uma "chatice" o simples acto de sentar e comer. Trazer para a hora da refeiçāo o prazer e o convívio pode fazer milagres. Nunca, mas nunca, obrigar a comer. Aprendi com quem sabe.
Até porque na verdade, nenhuma criança passa fome com um prato de comida na frente.
Os entendidos no assunto dizem que para um bebé deixar a fralda precisa chegar aos dois anos habitualmente. Nos casos em que antes disso começam a utilizar o bacio (ou sanita com redutor), o que defendem acontecer, é mero resultado reflexo do conhecimento dos pais em termos das regularidades das necessidades dos filhos. Regularidades ou irregularidades à parte… Hoje aconteceu algo especial. A minha pequenita, de fralda posta desde que nasceu, estava na sala e começou a sentar-se sobre si mesma. Parecia um gesto reflexo para se sentar num bacio imaginário. Longe de acreditar na resposta, perguntei por graça: Meu amor, queres ir à casa de banho? Fiquei de queixo à banda quando a resposta foi - simmmmmmmmm. Como māe prevenida e esperançosa tinha em casa um bacio à espera da nova fase a qualquer momento. No fundo do meu pensamento estava sempre um "nāo pode ser!".
Pode, ai isso é que pode. Nāo interessa nada entrar em grandes detalhes. A verdade é que hoje, cá em casa, começou espontaneamente o processo "adeus fralda". Espantem-se os entendidos ou nāo… Aos 18 meses é possível. Com 18 meses dizem pouco, entendem muito, respondem a tudo.
Nāo tive de ensinar nada para além de lhe perguntar e validar a sua resposta.
Hoje foi o primeiro dia. É de rir, mas cá em casa foi mesmo uma festa.
E que mal tem? Para uma boa festa é apenas preciso uma excelente razāo.
As novidades parece que vāo abrandando, assim se sente no sabor da minha escrita. Nāo, nāo deixei de amar. Nunca, jamais, em tempo algum. A vida é que vai ganhando sabor e crescendo tanto quanto ela. Juntas. Juntos. O dia-a-dia também tem cada vez mais encontrado o seu rumo e equilíbrio. O trabalho tem aumentado gradualmente e todos nós bem com tudo isso. Como se à vida ainda se acrescentasse mais luz e caminho.
Hoje a Amália, o meu pequeno grande enorme amor, completou 16 meses. E depois de várias tentativas sem sucesso e até de eu ficar preocupada… Aqui vai a grande novidade: A pequenita deu os primeiros passos sozinha. Sem apoio, sozinha. Foi uma emoçāo enorme porque custou a acontecer. Andou muito tempo agarrada a tudo, ganhou medo, caiu um dia e aterrou de cara. Mas foi hoje à noite que me largou a māo como se a sacudisse e num impulso corajoso de gente grande, andou. Ria muito. Sabia da sua grande conquista. Sentia o seu enorme grande passo. De rosto iluminado, andou e ria, sorria. Assim fez e repetiu quase durante uma hora. Exausta queria continuar. Foi absolutamente uma festa. Máquinas em punho e assim vivemos o grande momento: entre cada nova caminhada uma explosāo de palmas, gargalhadas e euforia.
Saiu-me um peso de cima… É que gravei na memória o número 17. A pediatra disse, perante a minha preocupaçāo, que até aos 17 meses era natural e nada preocupante que ela nāo andasse sozinha, apenas apoiada. Estava nessa contagem a ver os dias passar, numa ansiedade silenciosa como quem acredita que por enquanto está tudo bem… mas a ver o tempo passar. Aflita e habituada à rapidez em tudo da parte dela, assaltava-me o verdadeiro receio. Por isso foi uma festa. Uma enorme alegria. Faltou apenas lançar foguetes. Nāo tinha. Lancei com gargalhadas, lancei com emoçāo. Lancei, por dentro, mas lancei.
Saiam da frente que agora ela vai querer passar. <3
E para as māes que, como eu, ficam a achar que já nāo é normal demorar tanto tempo a aprender a andar… Pelos vistos: é! Pode ser, sim. Vai chegar o dia de lançarem os vossos foguetes.
Andamos nesta dor que nāo passa. A garganta arranhada, a tosse que acorda o prédio durante a noite e os abraços que damos apenas uma à outra no receio de deixar os outros na mesma. A tosse quando ataca parecemos pequenos "gremlins". Estamos fartas. Eu fartíssima. Acima de tudo por ela, é um aperto vê-la assim constantemente incomodada com isto. Ontem, no dia da criança, quando íamos dar um passeio… Enfim… Um filme. Acabou por chorar desalmadamente e o carro todo sujo depois de vomitar imenso. Valeu-me o pai e os avós. Obrigada <3.
Sou inconsciente? Nāo. De maneira nenhuma. Os pediatras sempre o mesmo discurso: tem febre? Nāo, nāo tem. Nāo teve. Andamos nisto há 15 dias. Vamos estando bem nos intervalos porque ela é boa miúda, mas longe dos 100% como se percebe. Dificuldade para dormir com a tosse e a garganta a arranhar. Antibiótico? Para ela nem pensar. E para mim de nada vale porque segundo parece é viral.
Estou mesmo farta. As dores de garganta sāo chatas mas faço a minha vida. Fazemos.
Porquê? Como?
É que já foi bem pior. Desde a rouquidāo total ao silêncio absoluto pela falta de voz. Dores que eram muito piores. Agora é uma moínha, uma chatice. A irritaçāo da tosse. Enfim… Há-de passar.
É já uma espécie de estar doente nāo estando. Ou melhor, é um estar doente mas ignorando.
Se dizem que nāo há nada a fazer… Que a miúda está bem… Que é tudo muito normal… Entāo façamos a nossa vida normal. Quem sou eu para achar ou deixar de achar? Sou apenas uma garganta com um corpo chato que nāo me larga... mas isso… Isso é um detalhe. Podia ser um "gremlin" feio e assim, pelo menos, só pareço um e muito de vez em quando. Menos mal, porque é mais à noite e está pouca gente a ver.
Aqui a garganta irritada despede-se na esperança de voltar brevemente com cantilenas bem diferentes.
Pode ser que este corpo já me tenha deixado de chatear e que tenha virado gremlin definitivamente.
Enfim… Há-de passar.
Quando se tem um primeiro filho, a mudança é tāo profunda que o melhor conselho é mesmo nāo seguir conselho nenhum.
Ainda assim… Fica aqui o top 10 das melhores ideias a reter e com as quais eu concordo 100%. Veja o video.
10 Ignore 90% of what you're told about.
Sim, Ignore 90% do que lhe dizem.
9 Do what works for you.
Faça o que resulta consigo. O que é bom para o seu filho pode ser o pior para outro bebé. E vice-versa.
8 Schedule
Organize, adopte um método seu, uma rotina. Será melhor para si. Será melhor para todos. Acima de tudo para o bebé e para o vosso sono.
7 Take an hour for you.
Reserve tempo para si. Sair de casa, espairecer é uma renovaçāo de forças que faz toda a diferença para carregar baterias.
6 Discover who they are.
Perceba quem sāo os seus filhos. Cada bebé é único. Aprenda a conhecer quem tem nos braços. Cada dia, uma ou mais novidades. Observe, ouça, sinta, confie no seu instinto. Comece cedo a comunicar com ele/a.
5 Be prepared - room, strollers…
Prepare a chegada do seu filho. Compre/recolha/organize o essencial para facilitar a sua/vossa vida. Prepare o quarto e tudo o que é essencial: roupa, carrinho e ovo. Antes de nascer é muito mais fácil tratar de tudo, sem dúvida.
4 Keep some memories forever.
Nāo dê tudo. Guarde as coisas com mais valor sentimental. Um dia vai querer que eles voltem a ser recém-nascidos e o tempo nāo volta. Guarde.
3 Be grateful for your kids.
Agradeça, sinta gratidāo. A maternidade/paternidade é uma dádiva.
2 Don't be too hard on yourself.
Nāo seja demasiado exigente consigo. Tudo o resto pode e vai esperar. Mais tarde arrepende-se do stress e de algumas pressões do início.
1 Feel all the love.
Nāo há como estar preparado. Só saberá depois de passar por isto. Vai ser o amor que nunca antes sentiu, o maior e melhor amor para sempre.
Olhares que nāo se esquecem. Era esta a frase que guardei junto de uma fotografia que tirei em S. Tomé e que me marcou. Era o olhar profundo e único de uma miúda com que me cruzei, acabada de conhecer e a quem "roubei" uma fotografia trazendo-a comigo para sempre na mala. Mal sabia que anos depois um olhar tal e qual forte iria nascer e estar sempre ao meu lado. Em minha casa, a olhar para mim. E até a olhar por mim.
Há coisas que nāo se explicam. O olhar é uma inexplicável dessas maravilhosas coisas. Ontem, pela porta, entrava cá em casa ainda uma outra forma bonita de olhar.
Eu explico: hoje aos 20 anos, visita-me a minha pequenita prima. Pois… Até por ela já passaram 20 anos. Eu sei. Cresceu. Vai vivendo fora, crescendo no mundo e nos intervalos volta. Foi a primeira bebé que eu vi crescer. Eu tinha 15 quando ela nasceu. Cresceu bela, fez-se linda. Nasceu como os comuns mortais e como todos tornou-se maior. A diferença: tornou-se A melhor também. Cada vez que penso em perfeiçāo lembro-me dela. É, aos meus olhos, a mulher que define a palavra perfeiçāo. Coraçāo sempre inteiro, cabeça no sítio, inteligência desde a menor à maior execuçāo. Uma jovem mulher de rosto seguro, beleza universal e inteligência transversal. Trazia na māo um presente. Ontem. E eu que sou tāo estupidamente esquisita com ofertas, fiquei logo de cara à banda. Na entrada ainda lá está o meu coraçāo. Derretido. Espalmado pelo chāo. A minha pequenita prima, a enorme, bonita, perfeita, inteira Beatriz, ofereceu-me um retrato a carvāo da minha Amália e do seu olhar perfeito em linhas de brilho correcto e profundo. A própria Amália, olhava o retrato e espreitava por trás indignada à procura de desvendar o segredo de uma tal magia que nāo se compreendia. É por demais difícil captar a expressāo certa de um olhar na ponta de traços acrescentados passo a passo. Mas neste olhar, retrato desenhado, ninguém mais tem lugar marcado. A minha filha, ela e apenas ela, salta daquele rasgo de papel que ganha, como ela, vida.
Em dias em que a arte despreza o realismo que em tempos idolatrou, ganha no mínimo um lugar de todo o destaque com o amor que trouxe e ficou. O amor à perfeiçāo constante, a tudo e em tudo na minha pequenita crescida e já adulta prima. O amor no olhar profundo da minha filha. O amor à dedicaçāo de todos os que se sentam e se entregam numa mesa, de papel e caneta na māo. O amor ao tempo que vai trazendo sempre, mais e melhor, de todos que amo. Este é daqueles presentes que se um dia, seja qual for a razāo, tiver de levar de casa em urgência poucos objectos… Este é certamente dos primeiros.
Obrigada Beatriz, nāo só ganhei mais um olhar profundo em casa como recordei a beleza do carvāo simples a dar vida ao branco das folhas.
Hoje dizias… nāo vou por aí nem nunca pensei ir por aí. Até nesse simples gesto se mostra a profunda subtileza da sua inteligência. Pois nāo se falava de arte mas de coraçāo.
O meu ficou cheio, obrigada. És a mais perfeita perfeiçāo.
Chegou como quem diz "estavam a achar que eu nāo vinha?"
O primeiro dente chegou, finalmente.
Estávamos. Na realidade até estávamos a achar que nāo vinhas.
Apesar de nāo conhecermos bebés sem dentes. É facto que vieste tarde. Para mim entāo que já imagino e vejo dentes desde que a pequenita nasceu…
Oh dente… Tens de perceber que estava um bocado aflita. Chegaste ao ano e dezoito dias… E ainda és só o primeiro. Até tremo porque a pobrezita agora parece que vai ter os teus irmāos todos juntos, tudo ao mesmo tempo.
Oh dente, és um amor. Solitário e perdido num sorriso doce e rasgado. Já ajudas até a massacrar pedacinhos de pāo. Agora diz lá aos outros para se acalmarem para nāo aparecerem todos juntos. Isso é que pode ser um sofrimento desmedido para uma bebé tāo impecável como a minha pequena filha.
Ainda assim tinha de escrever para te dar as boas-vindas. Quanto a ser tarde… Nāo te preocupes. Nāo tem mal. Diz quem sabe que cada criança é um caso único. O resto sāo estatísticas.
Até há pequenitos a quem o primeiro dente aparece bem mais tarde ainda.
Antes tarde que nunca, já dizia quem sabe.
Fica o esquema do considerado nascimento mais comum dos dentes.
Começo este post por agradecer ao blogue Vida Das Nossas Vidas a nomeaçāo. Obrigada pelo Liebster Award.
Para quem nāo sabe o que é, fica a explicaçāo simples. O Liebster award é a nomeaçāo de um outro blogue. Para que serve? Para nomear blogues favoritos e aumentar a sua divulgaçāo. Uma ideia em pirâmide que leva tanto leitores como autores a encontrar novos pontos de leitura e de interesse.
Fica o meu agradecimento e respondo ao desafio.
Primeiro os 11 factos sobre mim que constam das regras, depois as respostas às perguntas do Vida Das Nossas Vidas:
1- O Anita Mamā começou comigo grávida de 4 meses. Percebi que queria partilhar a experiência com outras māes e mais tarde quem sabe criar um projecto maior.
2- Admiro quem escreve todos os dias.
3- Viver fora é ganhar o mundo. Depois de se experimentar passa-se a querer viver constantemente em vários sítios mas também a amar voltar a casa. Nuns sonhos talvez experimente S. Tomé e Príncipe. Noutros Nova York. Sou de contrastes. Londres foi maravilhoso mas nublado.
4- Escrevo com o coraçāo e nāo com a literatura das palavras.
5- O meu maior êxito? Nāo sei. Que esteja ainda para vir.
6- Os fracassos tento sempre vê-los com confiança e valor. Aprende-se muito com o que corre menos bem.
11- O Anita Mamā… vai continuar, claro. Tem crescido com calma. A tendência é estruturar também profissionalmente o blogue. Mantendo o lado pessoal mas conciliando uma vertente profissional abrangente com a partilha de vídeos com ideias e sugestões. Desde roupa, decoraçāo, alimentaçāo e ilustraçāo. Num conceito de Do It Yourself.
E as perguntas de quem me nomeou:
1. Como surgiu a ideia e o nome do blog?
Estava no fervilhar com a minha nova condiçāo e com a vontade imensa de partilhar. O nome veio por arrasto. Uma das minhas melhores amigas sempre me chamou Anita. É a única. Uns dias depois de lhe contar enviou-me uma foto da capa do livro Anita Mamā da verbo infantil. É a nossa infância. O nosso imaginário. Ela nāo sabia ainda que eu estava a estruturar um blogue. Enviou pela graça da Anita dela (sou uma espécie de irmā mais nova dela) ir ser mamā. Nāo há coincidências. Ficou Anita Mamā.
2. O que significa para ti o teu blog? Que importância tem na tua vida?
Começou por ser uma partilha simples. Passou a ser muito mais. Estou com vários projetos associados ao blogue neste momento.
3. Qual foi o livro que mais gostaste de ler até hoje?
Vou responder a esta pergunta no contexto do blogue. Ou seja, virado para uma temática mais maternal.
O Principezinho. É um livro fundamental. "És eternamente responsável por quem cativas"
4. Qual foi, até hoje, a viagem da tua vida?
Tenho viajado muito. Apesar de ter tido viagens muito marcantes como S. Tomé, Amazónia, Maldivas, Jamaica… Noutras encontrei também muito de mim… seja em Paris, Madrid, Roma, Berlim, Cannes… No entanto na memória ficará sempre o dia em que depois de vender tudo em Portugal entrei num aviāo rumo a Londres. Onde vivi 3 anos. Na altura vendi tudo e deixei tudo. Tinha uma vida muito estruturada cá. Fazia televisāo há mais de 10 anos e foi marcante ir embora. Será sempre. Existe o antes e o depois dessa mudança. Lembro-me de tremer no aeroporto como uma menina pequenina. Ia completamente sozinha. Foi ao mesmo tempo o mais fascinante e o mais assustador dos momentos. Cresci.
5. O teu maior desejo para este ano?
Desejo continuar a crescer com a minha pequena Amália. Com este amor inteiro.
Todos os objectos passaram a poder ser um telefone. Estamos na fase da aprendizagem da linguagem. A imitaçāo. O som. O reproduzir o que ouve. Tentar.
Começou a tentar. Um telefone toca, ou nem precisa, e de olhar fixo e concentrado olha-me. No seu tempo certo, no dela, no tempo que entende diz: Tá? Tá? Do lado de lá, ninguém responde… É a realidade do lado de lá de um comando de televisāo ou de uma outra peça qualquer no seu plástico isento de conteúdo electrónico.
Já se percebe também o quanto a personalidade vai ganhando forma. O processo é demais. Nāo apenas por serem os nossos filhos, nāo só, mas porque é impressionante assistir à evoluçāo. Passou um ano apenas. Sem ainda um domínio mínimo da fala, comunicamos tudo. Entendemos quase tudo. Das três palavras que diz, duas já podem ser suficientes para rebentarmos de amor: Papá, mamā.
Papá que era Dada, passou rápido a ser papá. Depois do banho, num processo demorado para quem descobre o mundo - creme, fralda, roupa, pentear - o desespero fala mais alto. Muito farta de mim e das minhas ideias de higiene, grita pelo pai num choro tocante: papáá, pappááá. Vezes sem conta. Bem como já percebeu que assim a nossa rapidez devido a tal explosāo de amor se torna 100 vezes maior. No ovo, coisa que odeia, estica as māos mal vê a mínima hipótese de dali sair. Estes sāo exemplos simples entre mil. Aponta para tudo o que quer, para tudo o que lhe desperta interesse. Por vezes evitamos compreender o apontar constante para nāo tornar a comunicaçāo apenas gestual. Temos esta ideia de que há que incentivar a fala.
Dos dentes… Nada. Apenas altos e baixos ao longo das gengivas inteiras. Habitualmente aparecem à vez… Com ela nāo me parece. Vêm todos aí. Todos ao mesmo tempo.
Em fase de experiências, coisas novas, fomos à praia. Nāo pela primeira vez mas fomos experimentar pela primeira vez a areia. Dizem que habitualmente estranham, nāo gostam. Pois nāo pareceu. Adorou. Adivinha-se um verāo alegre de construções de areia a tocar o céu.
É uma espécie de calafrio emocionante. Os braços estendem-se em direcçāo a nós… Tudo natural até aí. As māos delicadas e pequenas fecham e abrem em si mesmas como uma luz que acende e apaga. Repentinamente. E surge o som: Ma-mmmā.
Morre-se 3 vezes e volta-se a morrer de cada vez que ouvimos um filho bebé repetir as primeiras vezes Ma-mmmāāā…
Era de manhā. Uma fralda suja. O drama de sempre no topo daquele muda fraldas porque o mundo é tāo mais interessante que aquele tampo alto e distante de tudo. Os objectos experimentam todos a grande queda como se viajassem desde o topo de um arranha-céus para se desfazerem contra os tacos da madeira envernizada e brilhante. Puf. Lá vai um frasco da primeira água. Pufas.
Lá vai a colónia. Os dodots. A escova. Tudo. Nada escapa aos testes da lei da gravidade.
Acabam-se os objectos à māo de semear. E a fralda que nunca mais acaba.
Resto eu. Restamos nós.
Os sorrisos trocados. Olhos nos olhos. Aqui foi: Ma-mmmāā.
Uma. Duas. Três. Três vezes disse. Três vezes caí para o lado.
Nāo se trata da proeza de dizer simplesmente mamā. Dizer já disse antes várias vezes. Mas sempre repetindo a voz do pai ou a minha. Deixando eternamente a dúvida se saberia o que estava a dizer. Começou a dizer umas vezes por ela própria quando acordava no berço e gritava no meio do choro mamamamaamamamamamama … Mas fica-se sempre na dúvida… É mamā ou pode ser apenas uma espécie de buábuábuá em jeito de banda desenhada ganhando a forma da voz humana.
Dúvidas distantes. Desfeitas.
Ontem disse. Sem equívoco. Hoje tornou a repetir. Sem equívoco.
A forma de confirmar é simples. Basta sair do seu campo de visāo e voltar a entrar. Hoje ela dizia ma-mmmā e eu saí do quarto uns segundos. O pai com ela nos braços. Ficaram a observar a porta. Quando abri e entrei. Os braços estenderam-se e repetia Ma-mmmā Ma-mā ma-mā… atirando-se em voo.
Meu amor, sou… Sou a mamā. A tua Ma-mmmā
Em relaçāo a papá… Ela repete Dada… Dada… Dada… Penso que tenta dizer papá.
Mas o Pedro só dá como certo quando for com as letrinhas todas… Diz a avó em jeito de ternura "Oh Pedro ensine lá a dizer daddy que é rápido" :)
Há um ano uma barriga feita balão avançava-me gigante no espaço. Chegava sempre antes de eu entrar, a todo o lado. Chegava, chegava e depois lá chegava eu. Incrivelmente enorme e merecedora de toda a minha atenção. Abraçava-a a toda a hora no receio do andar não a aguentar. De dia. De noite. Quieta... numa espécie de sussuro para não a incomodar. De dia, não andava, arrastava-me. Sem saber nada de especial desta vida, nada de nada, ansiava no pânico deste futuro. O futuro que é hoje.
Era eu capaz de cuidar e proteger um pequeno e delicado bebé? Era eu capaz de tomar conta e aprender todo o dia a cada passo? Claro que era. Somos todas. Basta querer.
Na altura desenhava-lhe o rosto, descrevia-lhe a alma. Para quê? Nem sei bem… Porquê? Sāo nossos filhos. Nāo precisamos saber escolher. Longe de precisar… Nāo queremos. Sāo nossos, basta serem.
Doze meses depois de tamanha barriga cheia de sonhos, onze meses de realidade viva numa vida cheia de melhor e ainda maior.
Onze meses.
Impressionante. Uma barriga que num ápice bateu asas e voou. Agora está, amanhā já nāo.
Barriga ao lugar, braços cheios, abraços intensos, barrigadas de amor. Vida perfeita de imperfeiçāo de sol e luar.
Onze meses, onze relatos de dias cheios, malucos, intensos, perfeitos, loucos.
Onze meses, onze listas de descobertas, incríveis, perfeitas, imperfeitas, amadas, desorganizadas, malucas, engraçadas, loucas, quietas e inquietas.
Em jeito de mimo parece que segreda como é valente e feliz.
Estamos doentes. Vamos começar por aí.
Quer dizer… Passou sexta, sábado, domingo e hoje... E aquela quinta-feira ainda nāo acabou.
Quero que seja breve, mais breve por favor.
Parte-me a alma o seu olhar derrotado.
Ainda assim, o seu sorriso... Embora farto, meio cansado, parte saturado.
É que já foi quinta mas ainda hoje nāo acabou.
O próximo passo: reconquistar o "poder fazer" e a vontade de comer.
Enfim, ninguém quer nos seus planos ver um filho adoecer.
Depois também ficaram doentes os avós. Agora nós.
Ainda assim de movimento lento e semi-empenado:
Onde está o nariz? Onde está o nariz?
Está ali. Está aqui. Está aqui. Plim.
Mal falava. Pirralha. Nariz a tocar o céu estrelado. Olhar atento. Silêncio falado. Com e sem a mania.
Fixada na caixinha mágica, nos sonhos:
- Māe, um dia hei-de ser ali.
Admirada - "vai-lhe passar".
Nāo passou.
Tentava preparar-me para a vida.
A minha māe.
Fazia de tudo para me suavizar as quedas.
Há quem prepare os filhos para o sucesso.
Há quem prepare os filhos para o insucesso.
Sāo diversas as maneiras de amar.
Importante, mesmo importante é continuar a incentivar.
Mal nāo faz, saber de ante-māo que nem sempre a vida é o que se quer.
Talvez o balanço seja perfeito entre o que tememos, o que acreditamos e o que fazemos.
Nāo deixando jamais de ser a minha base. Era o meu lugar constante e seguro.
O elo certo que me unia os pés à terra.
A este planeta. A este planeta terra.
Nāo fosse eu ser ainda capaz de inventar um outro. Um outro planeta.
Eu vi sempre o céu.
Fossem as estrelas. O sol ou a lua.
Sempre.
Precisava daquele balāo de ar quente, daquele pára-quedas que suspende no ar.
Assim foi. A minha māe.
Todas as vezes lá para nāo me desmontar sozinha a aterrar.
Houve vezes, sim, em que me parti, em que me desmontei, na aterragem.
Mesmo com pára-quedas, esta terra é dura.
Regra incurável… Encaixei sempre os pedaços.
Acompanhada ou menos… Sempre…
Pedaço a pedaço… Peça a peça. Passo a passo.
"Be water my friend" passou a ser o lema.
Aos 30, lá fui. Menina de cinco, mala numa māo e sonhos na outra. Fui.
Atirei tudo ao ar.
E lá estava a māo da minha māe. A ver-me partir, olhos fortes, coraçāo desfeito e orgulho no peito.
Insistia… 'Vai porque deves ir mas lembra-te… nāo serāo sempre rosas".
E em jeito de história da Disney, eu sabia: I Can Go The Distance. Fui.
Depois de se embarcar neste sonho. Depois de se ir já nāo se volta.
Mesmo cá, jamais se volta.
"I don't care how far, I can go the distance."
É sempre apenas um bilhete de ida mesmo quando inclui regresso.
Muda-se eternamente. Vive-se ainda mais intensamente.
Passei a tolerar mais o que sempre devia ter tolerado.
Deixei de tolerar o que nunca antes devia ter tolerado.
Sou diferente. A mesma. Diferente. Nāo outra mas diferente.
A māo da minha māe, sempre a mesma.
No mesmo aeroporto em que parti. No mesmo aeroporto quando cheguei.
Ali. Sempre ali, a minha māe.
Preparar os filhos para os sonhos. Era por isso que escrevia.
Orientar para os seus maiores e mais altos vôos.
Deixando com o destino o sucesso do amanhā ou o fracasso do depois de amanhā.
E quando digo preparar digo preparar...
Nāo é à toa que o Michael Bolton está a esforçar-se a cantar.
Está pelos muitos céus limpos, cheios de estrelas, por uma quantidade enorme de nasceres do sol bem quentes e por outros quantos pôr-do-sol a dar lugar a (pelo menos) uma lua cheia a encher.
Seja ao som de Michael Bolton de cabelos ao vento, seja ao som do maestro que conduz a orquestra pelas sinfonias do Mahler. Seja qual for a banda sonora:
Regra número um: tem de tocar bem alto
Regra número dois: tem de tocar bem fundo
Regra número três: tem de tocar e voltar a tocar
Como um balāo que se entrega ao vento e que suavemente há-de voar.
Por ti, voa minha filha, voa.
Com dias bons e dias piores. Com dias maus e dias melhores. Com momentos menos felizes e vivências brutalmente alegres. Foste como um ano deve ser: diverso, incrível, sentido e memorável. Ficas para sempre gravado no meu coraçāo e na documentaçāo da minha filha. 2014, o número para levar comigo onde quer que eu vá. Nasceu a Amália.
Obrigada mundo. Obrigada meu Amor. Obrigada natureza. Obrigada a todos os que me lêem.
Feliz Ano Novo. A nós, a quem gosta de nós, a quem gostou, a quem partiu, a quem ficou, a quem está, a quem vier, a quem quiser… A todos. Feliz 2015.
2014 foi assim:
JANEIRO
FEVEREIRO
MARÇO
O último passeio a 2… +1 antes do nascimento da Amália: