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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mês 2



Hoje completamos o segundo mês. 
Sim completamos. Nāo apenas tu. Eu também.

Pensar que já passaram dois meses... O tempo corre na pressa de chegar ao futuro. Não sei para onde mas corre. Pensar que era tudo tão complicado no primeiro mês e agora parece que já levo esperiência de segunda vez. Pensar que fazia tudo sem duas mãos, como se sem braços. Ou seja, não fazia nem desfazia. 
Agora... Num braço carrego-te, com o outro faço magia. Numa mão seguro-te com a outra faço o que sempre fazia. 
Somos animais. Animais bestiais. Perante todo e qualquer obstáculo, fazemos, transformamos e adaptamos. 

Ouvi e voltei a ouvir 'isso passa', 'são os primeiros tempos', 'só melhora'. Foi desesperante e pouco credível que, de facto, a vida retomaria a sua própria vida. A sua organizaçāo, a sua normalidade. Mas aos poucos vai-se vencendo batalhas. Pequenas. Pequeninas. E quando damos por nós somos super-heróis nos seus fatos coloridos e "kitados" com pequenos grandes super-poderes. A vida regressa a si. Vai regressando. Cada dia que passa uma inovaçāo, uma nova adaptaçāo. 

Comparar o primeiro ao segundo mês é mais que muito animador. Evitei tantas vezes escrever e dizer isto mas... Os primeiros tempos são um susto, um terror. O primeiro mês... Não sabemos como, nem quando, nem se vai melhorar. Não se dorme. Mal se come. Pouco mais se faz que dar de mamar e mudar fraldas. Os banhos tomados são um intervalo de segundos que não fazem um minuto. O amor,  mais que muito, é posto à prova quase todas as horas... E nāo sabemos... Desconfiamos... Mas nāo sabemos... Passamos a saber... O amor vence tudo. Encontra sempre o seu rumo, a sua energia e ampara tudo. Todo o cansaço. Todo o medo. Todo o desespero. 
O primeiro mês tem tanto de terror como de encanto. Achamos e sentimos como errado essa angústia do início. Rápido  entendemos que faz parte do processo. Faz parte da nossa natureza. Custa. Custa muito o início... E só sabemos quando estamos a passar por isso. De outra forma achamos que connosco será ou foi diferente. De outra forma achamos até estranho o que se diz, o que dizem... Isto que agora digo. 
A verdade: só sabe mesmo quem por ali passa ou passou. E nada de errado. Faz parte. 
Fez. Passou. 
Tinha de ser. Tem de ser. 
É violento. É brusco. É arrebatador. 
É de loucos. É loucura. 
É bom, maravilhoso. 
É difícil também. Em simultâneo. Ao mesmo tempo. 
Nāo vale a pena escrever, dizer mil vezes... É em vāo. 
Quem nāo sabe, julga. 
Quem passou, tantas vezes apaga o difícil... 
Esquece. 
Passa. Passou. 
Fica o bom, o melhor. 
E esse multiplica-se. Aumenta. Cresce. 

Aos dois meses...
Já observas atentamente. 
Já olhas nos olhos profundamente.
Já sorris intencionalmente.
Já descansas descansadamente.
Já ouves atentamente.
Já fazes sons ruidosamente.
Já te seguras mais firmemente.

Tem sido único acompanhar-te e ajudar-te a adaptar a este mundo. 
Que este seja o início da mais bonita e maravilhosa viagem que conheço: a tua vida. 




quinta-feira, 24 de abril de 2014

Enquanto Os Teus Olhos Se Fecham




Enquanto os teus olhos descansam, enquanto a tua respiraçāo serena...
Todos os dias corro pela casa contra o relógio. Todos os dias sem saber como será o próximo. Sem ser dona do tempo, nem do meu nem do teu, corro para que tudo seja organizado, controlado, tranquilo. Corro para quando acordares nāo chorares. Corro para que a vida tome o seu rumo normal e apanhe o próximo comboio que passa... 
E passa, passa sempre de 15 em 15 minutos. E de 15 em 15 minutos vamos perdendo cada comboio novo. O que vale é que passam e tornam a passar. E nesta vida quando se perde o comboio ainda se tem o metro. Sem metro, ainda se tem o autocarro. Sem autocarro, ainda o táxi. Sem táxi, ainda a boleia dos carros. Sem carros, os aviões. 
Sem aviões... Já chega: 
Tenho-te a ti. Sim, tenho-te sempre a ti. 

Enquanto os teus olhos se fecham e a tua respiraçāo serena, todos os dias anseio pela calma de te guiar. Pela calma de te acalmar. 
O primeiro mês nāo foi fácil, difícil para o corpo. 
O segundo vai sendo aquilo que deve ser. 
O tempo cresceu, como tu. Vai crescendo. 
E enquanto os olhos te fecham: levanto-me, corro, limpo, organizo, faço tudo. 
Para quando os teus olhos se abrirem. 

Enquanto os teus olhos se fecham escrevo. Escrevo para quando um dia for a tua vez tu saibas: 
Nāo é fácil. Ninguém mais to dirá, ou poucos to dirāo. 
Mas nāo é fácil. Porque o corpo chega a doer de cansado. 
Porque o cansaço chega a todo o lado. E ninguém antes te disse. 
Mas a todo o lado... à memória, à alma, a todo o lado. 
É assim. Sem angustiar o amor. Sem abanar o amor. 
Como se as estradas corressem lado a lado. É assim com todos como nunca ninguém te diz. 
Quase nunca. Pois parece mal. 
Mas de mal pouco tem. 
É real. É humano. É verdadeiro.

Enquanto os teus olhos se abrem, os sorrisos. Os teus e os meus. 
Cada vez maiores, cada vez melhores. Os sorrisos. Os olhos.
Os teus e os meus. O segredo... na maneira de os abrir.
Na maneira de sorrir. Na forma de olhar.
Enquanto os teus olhos se abrem, os meus juntam-se aos teus.

Tinha muitas saudades de te escrever. As saudades que tinha de vos escrever.
Os tempos mais difíceis passaram e  voltarei a estar mais por aqui.
Esperemos que sim. Esperemos que sim.

... Os meus juntam-se aos teus.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O Mês 1 ...



E passou um mês... parabéns meu amor.

Quando fores grande vais ouvir-me contar episódios do teu/nosso primeiro mês de todas as vezes que um bebé nascer ou uma pré-mamā se aproximar. Costuma ser assim. Nessas alturas as māes recapitulam, lembram e sentem saudades dos seus bebés pequenos. Esquecem as noites sem dormir, os choros desalmados, as dores arrepiantes, o stress, toda e qualquer preocupaçāo. 
Nāo serei excepçāo.

Quando fores grande saberás que a madrugada de 07 de Março de 2014 foi a mais bonita de se passar. Saberás que a felicidade que trouxeste nāo tem preço nem equivalência. Saberás que os teus primeiros dez dias foram o paraíso na terra. O teu choro suave, o teu sono tranquilizante. Saberás que mais tarde apareceu um bicho mau chamado cólicas que nos transformou as noites em dias e que me rebentou a alma ao ver-te sofrer gritantemente a toda a hora. Saberás que, noite e dia, te olhei de coraçāo cheio e que sofremos quando o pai teve de ir trabalhar. Saberás que o pai esteve, está e estará todas as vezes para te proteger, para te cuidar. Saberás que somos uma família feliz, mais feliz, por te ter. Saberás que os meses se transformam em anos, os anos em décadas e muitas décadas numa vida. Saberás que em todas as dores estamos cá todos para as diluir, apagar. Tentar. Saberás que, infelizmente, nem sempre vamos conseguir... Mas vamos de todas as vezes tentar. Saberás nessa altura que há dores que ninguém nos pode tirar mas também que tantas vezes sāo essas que nos fazem crescer, melhorar. 

Saberás que escrevia tudo isto contigo num braço e apenas com uma māo. Ou que te passeava do quarto para a sala quando ainda nāo podias sair. Que logo logo percebemos como gostavas da rua, de som, da vida, das pessoas, do ruído. E que acalmavas em passeios de carro dentro do ovo até ao pediatra ou até à farmácia para te pesar. Que fixavas o olhar antes da maioria dos bebés nos movimentos e nas sombras até 180'. Que precisavas do som do útero tantas vezes para te acalmar. Que choravas para comer depois de uma hora a mamar. Que já ouvias o pai dizer: papá, papá... Que a tua chucha dizia Amália e nāo havia como largares e que a seguravas com essas māos pequenas pouco depois de a começares a usar. Que eras pequenina, muito pequenina, e que por isso a roupa toda do teu enxoval teve de tardar. Que o avô Carlos te pegava ao colo de todas as vezes para te embalar. Que a avó Lena te espreitava a dormir para te ver sempre acordar. Que o avô Alberto apontava a máquina fotográfica para com ele te guardar. Que a avó Lúcia te segredava ao ouvido sempre que te ouvia chorar... 

Saberás tudo isto e muito mais que depois te vou continuar a contar.
Acima de tudo, queremos muito que saibas que estamos cá todos, todos, todos para te Amar. 
Para te amar. 




sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os Teus Olhos



Um azul arrebatador e no fundo profundo um verde que lembra a vegetaçāo da serra de sintra numa manhā de Inverno. Sāo assim os teus olhos, meu amor. 
Por enquanto. Sāo assim. 
A cor, sei hoje, nāo fica definitiva até aos três anos de idade. Ao fim de um ano de vida os bebés têm apenas 50% da quantidade de melanina que dita a cor final dos olhos. Bebés com olhos castanhos ficarāo sempre com olhos castanhos, nāo mudam. Bebés com olhos claros podem alterar a cor dos olhos até aos três anos de idade. Segundo um cálculo feito hoje a probabilidade de teres olhos verdes é de 37,5%. Azuis 12,5% e castanhos 50%. Acho estes cálculos pouco interessantes comparados com aquilo que é olhar-te nos olhos. Pouco interessa se a cor fica ou vai, honestamente. O teu olhar é, sem sombra de dúvidas, um olhar profundo e único. A cor, sim, é de facto maravilhosa mas sofrerá todas as alterações que tiver de sofrer. Sou suspeita a ouvir opiniões de médicos ou a ler artigos sobre o assunto, pois olho para ti e acredito que sei exactamente qual a cor final que se adivinha contra estimativas, opiniões fundadas ou teorias baratas e caras. E nāo, nāo acredito que permaneçam azuis. E nāo, também nāo acredito que serāo castanhos. Escrevo para que fique lembrada a minha aposta no verde esmeralda com um toque de mel. Uma graça para recordar apenas. 
Se é importante? Nāo será. Seja qual for a cor vencedora, o importante é que mantenhas o brilho e a profundidade que definem esse teu olhar. Pois os teus olhos já falam, mesmo antes de ti. 
Escuros ou claros, o importante é saberes o que conta mesmo. E isso será apenas o que esse olhar terá capacidade para ver ao longo do tempo. 
Isso é mesmo o que interessa: Que sejas tu a pôr cor em tudo aquilo que vês.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Super Tarefas



Um dia de Super-Mulher...
Para quem nunca teve filhos isto não fará o menor sentido. No entanto, qualquer mãe que tenha estado um dia que fosse sozinha com o seu recém-nascido sabe bem que tarefas como: dar e tomar banho, comer e alimentar, vestir e despir, trocar fralda e limpar, sair e passear... Estas tornam-se o maior dos desafios e chegam a aproximar-se de um grau de dificuldade 9 numa escala de 0 a 10. 

Pois, é com orgulho que afirmo que hoje fiz tudo isto e mais um par de botas sozinha. Cheia de calma e organização consegui entre dar de mamar, mudar fraldas, dar banho, tomar banho, lavar o cabelo, esticar o cabelo, fazer uma mala, carregar alcofa, mochila, ovo, saco de bebé e ainda carrinho... Tudo isto organizadamente, sem stress, sem um pingo de chuva na Amália e com uma dose de tranquilidade notável. O pai trabalhava e nós à nossa maneira também. Foi uma prova superada. Ainda assim, ter de sair de casa com um recém-nascido em dias de chuva é demasiado difícil... 
Correu bem, muito bem... 


sexta-feira, 28 de março de 2014

Boas Notícias

Dia 07.03.2014 - recolha células estaminais no parto

Mesmo na fase final do parto a equipa médica procedeu à recolha das células estaminais do sangue e do tecido do cordāo umbilical. O processo é complexo, passa por diversas fases. E por isso mesmo, apenas hoje tive a confirmaçāo de que todo o processo tinha corrido de forma positiva e com sucesso. Estamos felizes com a nossa escolha e com a nossa confiança na Cytothera. Pois é comum e natural acontecer que na recolha algo possa impedir a criopreservaçāo por contaminaçāo, seja durante ou anteriormente ao parto. Felizmente connosco tudo correu pelo melhor. Após avaliaçāo apropriada já em laboratório sabemos agora que todo o processo correu bem e com sucesso. Existem 3 fases: a recolha, o processo e criopreservar. Missāo cumprida. Todos nós fizemos a nossa funçāo com distinçāo. 

Resta-me agradecer à Cytothera e à MAC por todo o processo. 
Quanto às células... Queremos, desejamos e rezamos para que fiquem apenas guardadas o tempo todo e que delas nunca precisemos ... Para nada. É muito bom saber que temos a segurança de as ter ... Mas, como todos os pais no mundo, queremos que nunca, mesmo nunca, precisemos delas pois significa que a pequena Amália está e estará sempre de perfeita saúde.



quinta-feira, 27 de março de 2014

Onde Estás Tu, Natureza?



Nāo é fácil... Nāo tem sido fácil...

Só digo a verdade. E nāo... Nāo é fácil... 
Estou capaz de esganar quem me diga ou repita mais alguma vez que "cólicas é normal" "faz parte" "é mesmo assim" "depois passa"...

Ou eu sou doida ou há alguma coisa aqui que nāo me faz muito sentido. Quer dizer... A natureza faz um trabalho exemplar de 9 meses a gerar na perfeiçāo bebés encantadores que deixam māes e pais boquiabertos pelo milagre que é todo o processo... E querem que esses mesmos pais ouçam tranquilamente que é "normal" "natural" "muito comum" esses mesmos filhos chorarem desesperadamente com dor, sim, com dor, com desespero, com toda a força que conhecem... Porque o intestino dos seus recém-nascidos ainda nāo está preparado para o leite e precisa de habituaçāo... Sāo "apenas" os primeiros meses de vida... "Faz parte"... Seria o mesmo que dizer: cada vez que abre os olhos dói porque ainda se estāo a habituar. Ou: Cada vez que respira dói porque os pulmões nāo estāo habituados a respirar...  Mas é só o intestino que tem de se habituar?  

Onde estás tu natureza nesta altura? Nestes "apenas" primeiros meses de vida...
Quero parar o choro desesperado da minha filha. Quero arrancar-lhe a dor dos gritos de sofrimento. E onde estás tu natureza? 
Sim, ela é calma, tranquila, um anjo na terra. Mas agora, constantemente sofre com as famosas "cólicas", dores horríveis que lhe retiram a tranquilidade que a caracteriza. E onde estás tu, natureza?
Queres que aceite que sabes colocar dentro de mim um feijāo que se torna num dos mais maravilhosos seres do planeta, que até se vira para a posiçāo certa antes de nascer porque assim tem de ser... E tu, natureza, queres que ache normal que em todo esse processo te esqueceste de um detalhe: os bebés e os seus intestinos têm de funcionar! 
Nāo posso aceitar. 

Lamento, mas essa resposta nāo me serve.   
Nāo, nāo é normal. Nāo, nāo pode ser normal um bebé torcer-se com dores desta maneira. Porquê? Porque nāo é apenas o meu bebé... É um planeta de bebés que se torce com dores e chora meses a fio porque tem dores de barriga...  

Natureza, lamento dizer, mas era fundamental corrigires este erro o quanto antes pois parece impossível entre tamanha perfeiçāo teres deixado passar, e assim continuar, estas dolorosas experiências para pais e bebés...
Hoje estou revoltada contigo, desculpa natureza, mas deixa-me dorida esta dor que lhe vejo e sinto todos os dias a tantas horas...


segunda-feira, 24 de março de 2014

Māe Da Amália


Eram 19h ontem quando o Pedro me disse muito sério:

"- Tens de sair um bocadinho de casa. Vai. Tens de ir senāo ficas doida. Vai. Sai um bocadinho. Vai."

Simplesmente fui posta fora de casa para ir passear um bocadinho sozinha. 

Pela primeira vez na rua depois de ter sido māe e longe da minha pequenita Amália... Senti-me estranha. A primeira sensaçāo foi de peso na consciência. Como se fosse errado deixar a minha filha por pouco tempo que fosse. 
E nem de propósito, mal coloquei o pé na rua, encontrei várias pessoas. A primeira foi a querida Madalena, que mal me viu ao longe, me perguntou curiosa e simpática: 
- Oh Ana, nāo acabaste de ser māe? 
- Sim, acabei. Faz agora meia-hora. - disse eu em jeito de brincadeira. 
Mas senti um peso. O peso na consciência. 
A Madalena continuou:
- E onde é que ela está? 
Lá se acentuou outra vez ... O peso...
- Está em casa. Acabou de mamar. Tenho de me despachar para voltar para casa antes que volte a ser hora. 
E senti-me a justificar. 

Uma tolice. Mas senti um peso. O peso.

Dei mais três passos... Parece comédia, mas nāo é... E pumba... Tufas... Mais um encontro.
Encontrei a amiga Sílvia que nāo via desde um espectáculo, uma peça. (A Sílvia é a diversāo em pessoa, uma graça. Tenho saudades da Sílvia.) E ouvi: 
"- Ana... Oláááá... Nāo foste māe agora?" 
Meu Deus... Parece que o universo se uniu para me pôr à prova... Como se todas estas perguntas me levassem para o mundo do: "Mas que raio estás tu aqui a fazer com uma bebé de 15 dias em casa??!!!" Encontros inofensivos com pessoas de quem gosto mas a sentir um peso, um peso... 
Muito peso. Senti como se fosse um crime eu estar na rua longe da Amália.

Dois dedos de conversa rápida com a amiga Sílvia sobre a maravilhosa Amália mas adiantando e explicando que tinha mesmo de me apressar. Nāo podia ficar.
Lá fui sem dar para matar as saudades que tenho da Sílvia e das nossas gargalhadas e dos seus trocadilhos. 

Pouco depois, já na fila do supermercado, com um carrinho de compras pouco cheio para nāo me demorar, contava os minutos para voltar para casa a correr. Pensava nas coisas mais estapafúrdias como: Se fico presa nalgum lado, tipo elevador? Se me acontece alguma coisa, como é que a Amália come? Ela depende de mim!!! ... Enfim... Por aí fora. Coisas tolas mesmo, até em tremores de terra pensei... Enfim, seja o que for que acontecesse haveria milhares de formas de resolver, certamente ignorando o exagero do pensamento trágico. A verdade é que me passaram centenas de ideias, mesmo muito tolas, pela cabeça enquanto a senhora da frente colocava os alimentos no tapete da caixa. E eis que reparo que a senhora me começou a fixar muito. Olhava para mim, voltava a olhar... E olhava, voltava a olhar... E eu no mundo dos tsunamis... A senhora olhava, olhava, olhava... Até que ganhou coragem e disse:
- Desculpe incomodar mas nāo foi māe? Nāo é a māe da Amália?
Ahahhhaahhahaha. 
Soltei uma gargalhada. Nāo aguentei. 
Morri. Também esta senhora para me confrontar com o meu peso...

A cliente continuou de sorriso nos lábios e disse-me alegremente:
- É que vi na revista que a sua menina se chama Amália e que já nasceu.
  
Morta de ternura pela situaçāo, ri-me com a senhora porque nāo só era mais uma pessoa a pôr-me à prova como, e acima de tudo, me matou com a pergunta "Nāo é a māe da Amália?" 
Respondi cheia de orgulho:
- Sou sim: A māe da Amália... E estou a contar os minutos para voltar para casa porque me faz confusāo ver o tempo a passar e ela quase a precisar de comer.

Respondeu-me prontamente: 
- Tenha calma, eles aguentam sem nós. Mais facilmente que nós sem eles.

E lá se despediu, pagando a sua conta e desejando tudo de bom para nós... 

Agradeço mesmo. Mas o que agradeço mais ainda é eu ter passado a ser: A māe da Amália. 
Derreteu-me o coraçāo. Garanto. 
Valeu a pena esta visita ao supermercado. Uma ternura.
Voltei para casa num abrir e fechar de olhos. 

Uma aventura estes pequenos momentos sem o Pedro e a pequena Amália... 
Parece-me óbvio que preciso aprender a lidar com tanta novidade.  

Assinado: A māe da Amália

sexta-feira, 21 de março de 2014

Desespero De Nāo Saber O Quê


Hoje foi difícil. 
O choro entranha-se na alma e grita-nos de desespero.
Costuma ser calma, serena, tranquila...
Hoje nāo. 
Uma noite de agitaçāo, inquietaçāo total, choro desalmado. 

Aprendi o verdadeiro significado do "nāo saber o que fazer". 
Segui todas as listas de razões para o choro desalmado. 
Lista acima, lista abaixo. 
Nada. Qual o resultado?

Choro desalmado. De quem nāo tem consolo. 
Aconteça o que acontecer. Faça-se o que se fizer. 
Fizemos tudo. Todos os truques. Todos os malabarismos. 

Ficámos nós inconsoláveis. De tristeza gigante que se apodera de nós com provas da nossa incompetência no momento. 

Foram horas. Horas a tentar acalmar lágrimas sentidas. As dela. 
Depois as minhas. 

Nāo chorei de cansaço. Chorei por nāo saber mais como ajudar, o que fazer, como fazer. 
Diz-se nos livros que todos os pais experimentam desta angústia. 

Ofereçam-me cansaço. Ofereçam-me noites sem dormir. Ofereçam-me tudo. Aguento tudo.
Mas por favor vamos evitar esta angústia do choro desesperado sem luzes da razāo. 

Deita-me por terra tudo aquilo que nāo entendo. Sempre deitou.
Mais que tudo com lágrimas gritadas sentidas indefesas aos 14 dias. 
Estamos cá para defender. 
Estamos.
Mas de quê? Tenho sempre de saber de quê...  

Passadas horas, listas corridas de ponta a ponta. Estratégias repetidas.
Dormiu. Serena. Como sempre. Como sempre.

E foi o quê? Foi de quê?
Nāo sabemos. Nāo sei. 

Mas passei a conhecer o maior dos desesperos de nāo saber o quê. 
E foi o quê? E foi o quê?



terça-feira, 18 de março de 2014

O Mundo No Teu Lugar


O cansaço é imenso. Muito. 
Temos sorte. A maior das sortes.
O teu sossego é constante. O choro raro. 
A inquietaçāo nem tanto... Mas a nossa. A nossa.

Somos pais. Sāo mais as vezes em que esse pensamento nos assalta de medo que as vezes que te ouvimos o choro. És um anjo. Ensinas-nos a calma do tempo e dos lugares. Olhar-te é como absorver o oceano. O oceano cristalino num fim de tarde de verāo. Enquanto o sol se põe, a brisa fresca vem do mar e sopra nos cabelos soltos. Ainda se sente o calor na praia. 
É assim Olhar-te.

Olhar-te é nāo existir o cansaço do corpo ou da alma. É esquecer o mundo. É viver de novo e outra vez, sempre de todas as vezes, momentos sem igual. Esta vez, e sempre, como a primeira. 

Olhar-te.  
O azul dos olhos pode ir ou ficar. 
Seja que cor ficar: 

Olhar-te é ver em ti o mar inteiro. O mundo no teu lugar. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Doar Leite Salva Vidas


O leite materno pode salvar vidas. Os bebés prematuros estāo facilmente expostos a riscos enormes e a sua sobrevivência está em causa. Em Lisboa, tal como em muitas partes do mundo, é possível que māes    a amamentar possam ser dadoras de leite materno ao longo dos primeiros seis meses. Esse leite pretende ajudar na recuperaçāo de bebés prematuros ou doentes. Bebés para quem as próprias māes ficam incapazes de amamentar devido ao seu leite secar por várias razões, incluindo muitas vezes pela ansiedade porque passam. 

Para ser dadora basta ser saudável e ter leite suficiente para o seu filho e um pouco em excesso. É esse pequeno excesso que pode fazer toda a diferença. Nāo precisa ser uma grande quantidade, pode ser muito pouco leite. As quantidades que um prematuro necessita sāo mesmo muito pequenas.
O leite materno aumenta os níveis de defesa do organismo dos pequenitos e faz toda a diferença no seu desenvolvimento. Se pretende ajudar basta informar-se com o banco de leite da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, em Lisboa. 

Os bancos de leite nāo aceitam dadoras com as seguintes características:
- Fumadoras
- Que tenham recebido uma transfusāo de sangue (desde 1980 até hoje)
- Consumidoras de drogas nāo receitadas
- bebam mais de 3 cafés por dia ou a quantidade de cafeína equivalente por dia
- bebam bebidas álcool habitualmente
- com testes alguma vez positivos de hepatite B ou C, HTLV I ou II, Sífilis, HIV/VIH 1 ou 2 

Todas as potenciais dadoras sāo submetidas a análises de sangue e análises ao leite por parte da MAC.
Informe-se. 
Podemos salvar vidas. 
Divulgue esta informaçāo. 
  


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Banho De Sonho


Numa das últimas aulas da Kuantos Meses o tema foi o banho. O banho pode ser para muitos pais o susto, o pânico. Nāo me aterroriza muito porque acredito que deve ser mesmo uma questāo de hábito. No entanto tinha de aprender que há muitos detalhes a ter em atençāo e nada melhor que aprender com quem sabe o que funciona para poupar aos pais, e ao bebé, o desespero durante a aprendizagem. Uma liçāo estupenda e encantadora. 
O que me faz escrever hoje este post é o facto de a enfermeira Célia ter partilhado comigo aquele que parece ser o melhor banho de sempre. Um verdadeiro momento de tranquilidade para estes bebés. Adorável este video, o método e acima de tudo a reacçāo de todos os  pequenitos que experimentam esta tranquilidade. O verdadeiro spa para os mais pequenos. 
Gostava mesmo de aprender a tranquilizar a minha filha desta maneira sublime. 
Um banho é uma coisa... Oferecer-lhe o céu é outra.  
Obrigada pela partilha Célia. Obrigada. 

Video De: La Muette