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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

As Páginas Avolumam-se - Amália: 8 meses


Tinha dentro de mim tantas certezas quanto incertezas. Incertezas pelo medo que arrepia a espinha ao perguntar: serei capaz? Sou. Somos. 
Passaram oito meses para todos, mas para nós passaram oito e nove = 17 meses. Um caminho que vai profundo nesta vida "a duas", nesta vida a três. Com dias bons, fantásticos, maravilhosos. Com dias menos fáceis também, ou nāo fosse este o caminho da felicidade. Caminho mais que feliz e recheado tal qual um bombom. Caixas e caixas de bombons... Quando primeiro sabemos, sozinhas, nós e a vida de frente - estou grávida! - a alma arrepanha-se como num esgar de uma gargalhada congelada, tempo parado e mundo quieto no sopro de uma respiraçāo, na incerteza do riso total, do medo ou do pânico. Um misto de tudo num só segundo. Num só frame de película. E nesse instante nada sabemos, nada de nada. 
Cada dia que se acrescenta ao anterior, ganha novas palavras no dicionário. 

 

Até hoje. As palavras acrescentam-se. As páginas avolumam-se. Os momentos vivem-se.   
Nāo sabíamos nada. Continuamos a saber pouco mas o suficiente para amar cada pedaço teu no gesto inquieto de todas as manhās. Seja tempo de Outono, Primavera, Inverno ou Verāo. Cada amanhecer ganhou o brilho enorme de te ver entardecer. Hoje, amanhā… Todos os dias… Agora...
Todos os dias nāo quero morrer. Nunca. Só para te ver crescer.  




terça-feira, 24 de junho de 2014

94 Anos


Hoje faz 94 anos a minha querida avó. Tenho sorte. Fui neta de 3 avós. Sim... 3. Uma história linda que agora nāo vou contar. Duas continuam a partilhar connosco os dias, a vida. 

Hoje faz 94 anos a minha querida avó. A vovó Fernanda foi sempre como o doce mais açucarado e mais belo da pastelaria. Um doce. A alegria. A simpatia. Uma beleza. 
O seu rosto iluminava-se sempre que me via pela porta. 
Mesmo doente, ainda hoje tenho a sorte de merecer o seu sorriso rasgado cada vez que apareço. 
Na porta. Pela porta. O sorriso.
Apareço pouco, menos do que gostaria. Sempre que possível. 
A vida baralha-nos o tempo. É difícil. A doença troca-nos as voltas e magoa. 
Somos uma família com sorte. Têm sido 94 anos de beleza. 
A dor tem começado a crescer como crescer tem custado a doer. 
É a doença. Levou-lhe a memória. Levou a minha vovó Fernanda como me lembro. Há anos. 
Faço de tudo para que a sua ausência de memória nāo faça esquecer a minha. 
Guardo-a como a conheço: um doce... O melhor da pastelaria. 

Os seus cabelos brancos lembram sempre as histórias de ir dormir, os vestidos cosidos à māo e os  bordados tāo perfeitamente trabalhados. É maravilhosa a minha avó. 

Hoje, longe da memória de outros tempos agarra ainda assim na māo da minha filha como se fosse a minha. Sim, como se fosse a minha. A māo.
Olha-a nos olhos, tenta segurá-la todo o tempo. Ama-a instintivamente ao colo. 
Diz-lhe: Ana Rita, Ana Rita. 
-Avó... Minha avó... É  a minha filha, chama-se Amália. 
Os segundos passam e diz: Catarina, Catarina... 
Repete sucessivamente o nome das suas netas. 
Eu repito: Avó, a minha avó...
Levaram parte da minha avó...
Tāo distante e tāo perto. 
O amor e a ternura com que olha a Amália fazem valer a vida que tantas vezes já nāo tem. 
Pode baralhar, confundir, nāo lembrar... Mas será sempre a mais-perfeita-avó. 

Amália... Gostava tanto que um dia recordasses como eu a tua bisavó.
A minha querida avó que a memória levou. 
Mais que os parabéns, avó, quero muito dizer-te que o amor ficou. A memória assim decidiu e deixou. 


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Agarrar


Foi com lágrimas nos olhos que dei por mim ontem a dar o suplemento à Amália antes de dormir.
Estava no silêncio da noite quando as pequenitas māos dela num gesto rápido se agarraram com força ao biberon. 
Fiquei em nostalgia completa. 

Percebi: eles crescem. 

Efectivamente num abrir e fechar de olhos eles deixam de depender tanto de nós. 
É bom, claro. E também custa, claro. 
Agora emociona, depois há-de custar. Primeiro pouco, depois mais, e mais e mais. 
É assim. Criamos, ensinamos, preparamos... Para a liberdade.  
Talvez entenda agora quando me dizem que vou ter tantas saudades dela assim pequenina, indefesa nos meus braços. Na ânsia de a ouvir falar, de a ver andar, de a querer a comunicar... Corria o risco de nāo me aperceber disto.
Vou, vou ter saudades, claro que vou. 
Na ânsia de lhe ver passar rápido as dores... Corria o risco de nāo me aperceber disto.
Vou, vou ter saudades, claro que vou. 

Já tenho mesmo antes do tempo andar. 

Agora. 
Fico no agora. 
Ainda falta muito para tudo o resto. 
Por agora cada dia uma novidade. 
A evoluçāo é abismal. Emocionante. Tocante. 
Agora fico pelo agora. 

  


terça-feira, 13 de maio de 2014

Nāo É Razāo


Cansa-me tanto esta tristeza de todos os dias querer escrever e na realidade ser ainda tāo difícil de cumprir. 
A verdade é que sou todos os dias confrontada com escolhas importantes para gerir o meu tempo. O nosso tempo.

Os dias começam e acabam quase antes de começar. 

Agora, comecei felizmente a ginástica pós-parto e, pelo menos isso, consigo cumprir. A Amália lá vai comigo e contamos juntas séries de 20. De um a vinte voltamos ao início. Quarenta parece mais que duas vezes vinte. Tudo é uma questāo de perspectiva. 
Os quilos, os mais incomodativos, os piores ficaram. Estāo cá. Os fáceis foram embora numa semana. Os últimos cinco ficaram aqui. Permanecem "alapados" como super cola 3. 



Na fotografia, o contentamento pelos 8 quilos perdidos em muito poucos dias, logo após o parto. 

Cresci e aprendi o valor da sabedoria e do envelhecimento, a beleza do tempo em nós. A minha bela, bonita e estupenda avó ensinou-me, sem uma única palavra, a beleza do tempo fisicamente em nós. E a vida tem-me ensinado também a importância de tudo o resto... Aqueles lugares comuns, sim. E sim, é totalmente verdade a importância do que nos vai cá dentro. Tudo o resto se perde, de facto, bem mais cedo que aquilo que nos vai cá dentro. Mas apesar da importância do que somos ser grandiosamente maior do que o que aparentamos... Apesar de tudo isso:

É preciso estofo para as mudanças do corpo após a maternidade. É. 
O corpo é incrível em todo o seu trabalho árduo e nāo merece em momento nenhum do processo descontentamento ou revolta. Nenhum. 
É agarrar nessa transformaçāo, abraçá-la e dar a volta. 
Há que ter a certeza: queremos voltar ao lugar? 
Queremos porque é isso que somos. É isso que sempre fomos. 

As novidades já sāo tantas que nāo precisamos de ter de gerir mais essa de ficar com um novo peso. Por isso há que sair de casa e ir. Ir em conjunto com outras māes contar até 20, 40, 60 ou 700000 mil.
"Um, dois, esquerdo, direito. Encolhe a barriga e estica o peito."  Contar e ao mesmo tempo partilhar. Rir e ao mesmo tempo matar pela raíz aquilo que nos podia vir a ser pesado futuramente. Peso pesado. 

Este é o momento em que se escolhe: Estou bem assim ou nāo? A resposta é: nāo. 
Mesmo no auge do cansaço, vale-nos a entrega, o compromisso e a dedicaçāo. Há que respeitar as māes, mais ainda todas estas que se esforçam para voltar à forma de onde partiram.  

E nāo... A mim nāo me chegam os comentários de que estou igual... 
Agradeço. Acarinham-me. Gosto. Mas ainda nāo. Nāo estou. 

Por isso venham daí essas contagens até ao infinito. Seja de 20 em 20. Seja de 100 em 100. 
O importante é contar e descontar. Também eu "quero voltar ao ponto de partida". 
E voltarei.

Ser māe é muita coisa mas nāo é nem será nunca razāo para abandonar o que somos. 





quinta-feira, 24 de abril de 2014

Enquanto Os Teus Olhos Se Fecham




Enquanto os teus olhos descansam, enquanto a tua respiraçāo serena...
Todos os dias corro pela casa contra o relógio. Todos os dias sem saber como será o próximo. Sem ser dona do tempo, nem do meu nem do teu, corro para que tudo seja organizado, controlado, tranquilo. Corro para quando acordares nāo chorares. Corro para que a vida tome o seu rumo normal e apanhe o próximo comboio que passa... 
E passa, passa sempre de 15 em 15 minutos. E de 15 em 15 minutos vamos perdendo cada comboio novo. O que vale é que passam e tornam a passar. E nesta vida quando se perde o comboio ainda se tem o metro. Sem metro, ainda se tem o autocarro. Sem autocarro, ainda o táxi. Sem táxi, ainda a boleia dos carros. Sem carros, os aviões. 
Sem aviões... Já chega: 
Tenho-te a ti. Sim, tenho-te sempre a ti. 

Enquanto os teus olhos se fecham e a tua respiraçāo serena, todos os dias anseio pela calma de te guiar. Pela calma de te acalmar. 
O primeiro mês nāo foi fácil, difícil para o corpo. 
O segundo vai sendo aquilo que deve ser. 
O tempo cresceu, como tu. Vai crescendo. 
E enquanto os olhos te fecham: levanto-me, corro, limpo, organizo, faço tudo. 
Para quando os teus olhos se abrirem. 

Enquanto os teus olhos se fecham escrevo. Escrevo para quando um dia for a tua vez tu saibas: 
Nāo é fácil. Ninguém mais to dirá, ou poucos to dirāo. 
Mas nāo é fácil. Porque o corpo chega a doer de cansado. 
Porque o cansaço chega a todo o lado. E ninguém antes te disse. 
Mas a todo o lado... à memória, à alma, a todo o lado. 
É assim. Sem angustiar o amor. Sem abanar o amor. 
Como se as estradas corressem lado a lado. É assim com todos como nunca ninguém te diz. 
Quase nunca. Pois parece mal. 
Mas de mal pouco tem. 
É real. É humano. É verdadeiro.

Enquanto os teus olhos se abrem, os sorrisos. Os teus e os meus. 
Cada vez maiores, cada vez melhores. Os sorrisos. Os olhos.
Os teus e os meus. O segredo... na maneira de os abrir.
Na maneira de sorrir. Na forma de olhar.
Enquanto os teus olhos se abrem, os meus juntam-se aos teus.

Tinha muitas saudades de te escrever. As saudades que tinha de vos escrever.
Os tempos mais difíceis passaram e  voltarei a estar mais por aqui.
Esperemos que sim. Esperemos que sim.

... Os meus juntam-se aos teus.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Conquista Do Tempo


O tempo ajuda. O calor, algum sol e tempo... O tempo... Sāo dias ganhos aqueles em que consigo sair para respirar. Nāo é uma queixa. É um facto simples. Os primeiros meses sāo assim: sem tempo. 
Por exemplo, achei que ia ter tempo para este post, talvez nāo tenha: o choro de fundo. Vou a correr. Volto. Gostava de voltar...
Com uma māo continuo... Voltei. 

Hoje tive tempo. Quando dei por mim estava numa esplanada a comer um gelado. Estávamos. As duas.  Algum sol, calor, calma, tranquilidade e um gelado a meio da tarde. Passou um mês e dois dias. As paredes de casa ao fim de um tempo parecem muros e as janelas parecem pequenas. Sair de casa  torna-se impossível, difícil. O saco, o carrinho, o ovo, as horas de amamentaçāo, as mudas de fralda, o banho, o descanso... Tudo demora tempo e o dia passa sem intervalos. Quando damos por isso passou mais uma semana, e outra e mais outra... Mas também nós, māes e pais, aprendemos com o tempo.
Aprendemos a organizar e a tornar possível o tempo livre. 
Hoje foi um gelado. Amanhā será outra coisa qualquer. Por mais insignificante que pareça, assim se constrói o dia, os dias, o nosso tempo. 

Ser māe é maravilhoso. 
Sem dúvida. Mas mais ainda se aprendermos a conquistar o tempo. Juntas, sim. Mas com tempo. 
É importante nāo deixar escapar o nosso tempo. 






segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A Māe Escondida

Hoje fotografamos o que queremos, onde queremos, a todas as horas, em quase todas as condições. Em 1800 e tal era bem diferente. Já era possível mas com as devidas limitações. Li um artigo sobre as dificuldades dos pais em conseguir as fotografias dos seus bebés naquela altura. A razāo é simples: era necessário manter os bebés absolutamente quietos por pelo menos 1 minuto. Difícil, quase impossível. Na altura a exposiçāo à luz tinha de ser longa para ser possível captar o momento numa imagem nítida. Os fotografados tinham de estar quietos como uma estátua. Tarefa aparentemente simples mas complexa quando se fala em fotografar bebés. 
As soluções para o problema foram surreais. Acho graça porque sāo o resultado das limitações da época e do amor daquelas māes. Amor enorme em querer registar o momento e fazer-se desaparecer dele focando a atençāo apenas no seu bebé. 

Guardar momentos no tempo, naquele tempo. O resultado foram fotografias com māes presentes mas "camufladas", escondidas. Se bem distante do photoshop e muito longe de toda a evoluçāo técnica imagino-me logo a passar por tudo isto... Já me estou a ver de cortina à frente a parecer um fantasma, para tentar a todo o custo as fotos possíveis da minha filha a brilhar sozinha. 

Felizmente meu amor, para todos nós, hoje em dia a técnica permite tudo e mais alguma coisa. E assim nāo temos estas limitações. 
Como já escrevi aqui um dia: prometo que vou fazer o possível e impossível para te fotografar sempre e todas as vezes sem te incomodar. Mas hoje, hoje é fácil. Naqueles tempos era outra coisa. 

Ficam algumas fotografias e o link da BBC news que me chamou a atençāo.











segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Pai e a Anita Mamā

O Pai




A Māe





Recordações na primeira pessoa destas fases nāo sāo muitas. A memória por alguma razāo nāo guarda registos destas fases maravilhosas. Para além das histórias que se contam em família restam as fotografias. Relatos de noites sem dormir e de histórias assustadoras de descidas surpreendentes de rabo em escadas que matam qualquer pai do coraçāo. Há também as memórias distantes dos momentos de aperto em que se assustou adultos com cabeças partidas devido a brincadeiras tontas no pátio. 

Por melhor pai que se seja, há sempre um segundo em que tudo pode acontecer, aquele em que nāo se está lá. O segundo para o qual ninguém está preparado. O segundo em que se olhou para o lado e num ápice os pequenotes correm estrada fora. O segundo em que tem de se contar com a sorte e pedir que nesse fugaz momento ela apareça. O segundo em que os pais perdem o ar e tanto temem. Espero estar lá em todos os segundos para te colocar a māo por baixo, para te amparar, para te agarrar. Se um de nós falhar que esteja toda a tua sorte, toda a nossa sorte nesses segundos que duram eternidades. 
Estamos aqui para estar em todos os segundos.