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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Bullying…



Tinha 14 anos. Era miúda. 
Era miúda e apanhei. 
Hoje vou falar sobre isto, nāo ia mas vou.

Miúda, menina, como as outras. Na maioria das vezes. Na maioria das coisas, era. 
Umas vezes metida para dentro, outras vezes com o rei na barriga. Dependia. Como sempre depende. Nāo fosse assim a adolescência. 
Frequentava um dos melhores colégios. Colégio que olhou por mim sempre, com o cuidado e a qualidade que sempre imprime na educaçāo de quem por lá passa. 
Nāo era uma santa mas era boa miúda. Envergonhada mas provocadora. Era tudo isso, e sem ser demasiadamente nada. Com veia de actriz, gostava de chamar alguma atençāo. Mas nāo fazia mal a uma mosca. Era literalmente uma miúda na sua vida a aprender a crescer. A idade ensinava-me isso: a crescer. Nāo me dava com grandes grupos, era amiga da nostalgia e da introspecçāo. Tinha alguns amigos. Os meus. Nāo os dos outros. Os meus. Simples. 
A Sofia, a Daniela, a Catarina, a Tânia, o Paulo, o André… Enfim… Os meus. Nunca lhes vi nenhum acto de violência. Nunca. 
Eram aí umas 20 horas de um qualquer dia de semana. Em casa, o telefone tocava. Daqueles fixos que tinha de se pôr o dedo para girar número a número. Foi sempre este o telefone. Uma "seca" para uma adolescente que gostaria de falar ao telefone lá dentro no quarto. E aquele ali "pregado" à parede na passagem, no corredor. Em linha, uma voz que eu nem conhecia. Nem sabia quem era. Percebi logo que de amiga tinha pouco. Foi directa ao assunto. Disse que tinha umas contas a ajustar comigo. Nāo percebi quem era nem o que achava que eu lhe tinha feito. Disse-me, ameaçando-me, que me ia encontrar quando eu menos esperasse. A única palavra que eu disse foi "Estou" quando atendi o telefone. Desligou. Desliguei. Achei que só podia ser engano. Nem a conhecia. A este telefonema seguiram-se vários. Muitos. As ameaças eram cada vez mais frequentes, todos os dias, e maiores. Tive medo. O medo começou. Ameaças de morte. Deixei de sair do colégio nos intervalos. Tinha cartāo azul, o que permitia que fosse almoçar aqui e ali. Deixei de ir. Tinha medo. Nāo disse a ninguém. Nem sabia quem falava do outro lado. Escondia que tinha medo. Achando-me pequena por ter medo. Adolescência tonta que nos faz achar que ter medo é uma vergonha. O telefone fixo começou a tocar tanto que se tornou impossível esconder que algo se passava. Os meus pais, sempre lá, sempre atentos. Perguntavam e sabiam que algo se passava. Eu nada. Nem explicava. Dizia apenas que eu resolvia para nāo se preocuparem. Um desses dias, o meu pai atendeu. Atravessou-se no meu caminho e atendeu ele. Voz colocada e de poucos amigos: 
- Quem fala? Uma amiga? Quem? Nāo, nāo pode. Ela nāo está. 
Estava, sim. A única coisa que passei a saber foi o nome dela e que nāo, nāo era do colégio. 
Evitei isto, aquilo, e muita coisa… Os meus pais acharam que talvez fosse um arrufo. Nāo era. Nāo era. Nem sabia quem ela era. Evitei muita coisa. Mas ir embora ao fim de um dia de escola nāo podia evitar. Tinha sempre de voltar para casa. 
Eram 16:20. A rua enchia-se de gente depois do toque. Era mais um fim de tarde e tinha de ir para casa. Ir para casa passou a ser um acto de coragem. No meu silêncio. Na minha vida. 
Neste dia, quebrou-se o silêncio. Saí. Atravessei a estrada porque vi que o Rui também tinha saído. O Rui apanhava sempre o mesmo autocarro que eu. O Rui. Gostei sempre do Rui. Meio rebelde, meio envergonhado, calças rasgadas, tinha uma banda, olhos azuis, mal falávamos. Uma tentativa de namoro que tinha corrido mal, nada de especial. Gostava imenso do Rui. Muitos dias esperava o autocarro com ele mas quase sempre sem grandes palavras. No banco muitas vezes uma espera infinita. Nāo tivemos muitas mais palavras para trocar. Sem maldade. Era assim.  Foi assim. Nesta tarde, sem ele sequer perceber, tentei acompanhar o passo do Rui. No receio de ficar para trás sozinha. 
Atravessei a estrada para nāo perder o Rui de vista. Era o medo de ir sozinha. De repente surge um vulto de uma rapariga de 18 anos... Aproximou-se repentinamente furando os grupos em frente aos cafés da rua. 

A partir daí deixei de ver o Rui… As māos dela directas aos meus cabelos. À minha cabeça. A força de um corpo alto, muito maior. Atirada para o chāo, ali fiquei zonza e tonta depois de uma chapada que me colocou o ouvido a apitar. Deixei de ouvir. Deixei de ver. Perdi o rasto da esperança do passo do Rui. Agora via umas Dr Martens vermelhas e apenas a sua biqueira de aço. Uma, duas, três vezes directas ao meu estômago. Caída no chāo. Cigarros apagados na minha cabeça. Uns quantos cabelos queimados. Uma eternidade de tempo. Do fundo da rua correu a Tânia, minha amiga, para agarrar aquela miúda que mais parecia um animal selvagem.
Numa rua cheia de gente… Valeu-me a Tânia. 
Saltou para as costas dela como uma mochila: larga a minha amiga. Foi a Tânia. Obrigada Tânia. Ainda ouvi umas vozes: vāo chamar alguém, chama aí alguém. Foi a Tânia que a agarrou e lhe disse para desaparecer dali. Depois de espantar aquele "bicho" a Tânia levantou-me do chāo. Sacudiu-me. Eu nāo sentia o corpo. Nada. Apenas queria sair dali. O Rui estava em frente da papelaria ao fundo da rua naquele momento, quando o vi. Um alvoroço. Eu só queria sair dali. A Tânia ficou para trás. Eu queria sair dali.   
Foi um caminho diferente até ao autocarro. Horrível. Sabia que nāo podia ficar por ali. Esperei uma eternidade pelo autocarro. Chegou finalmente. O Rui também. Entrei. O Rui entrou. Cansada. Exausta. Envergonhada. Magoada. Nāo consegui mais. Caíam-me todas as lágrimas  que até ali tentei esconder. O Rui, sem dizer nada, aproximou-se de mim. Foi ali ao meu lado em silêncio até eu sair na minha paragem. De cada vez que caía mais uma lágrima ele erguia a māo e limpava-me o rosto. Foi assim. O caminho todo. O autocarro parou. 
Cheguei a casa. Māe, é māe. Ainda no intercomunicador e a minha māe falou em sobressalto:
- O que tens? O que te aconteceu? 

Nāo consegui esconder. Subi. Cheguei. Disse. Contei tudo.

Foi, tenho a certeza, o que me salvou. Contei os dias de inferno para trás também. Como eu, na minha frente dois adultos indignados: Mas como e porquê? 
Eu também nāo sabia sequer porquê. Mas nāo existe jamais qualquer razāo possível que justifique esta selvageria. 
Prontamente o meu pai, agarrou em mim e disse-me: apartir de agora sou eu que trato deste assunto, meu amor. Vens comigo. Temos de te proteger. Fui. Fomos.
De volta ao colégio. O assunto foi tratado como deve ser. Entre adultos.
O meu pai reuniu todas as informações que sabia que precisava para identificar quem tinha feito uma coisa daquelas e tudo para apresentar uma queixa. 
Esta miúda, já mulher maior de idade, tinha de ser informada que tinha cometido um crime e que estava proibida de se aproximar de mim em qualquer circunstância que fosse. E que cada vez que por mim passasse tinha de mudar de passeio para nāo se aproximar. 
Assim foi. Nunca mais se aproximou.

Falei. Foi o que me salvou. O meu pai, obrigada meu valente pai.
Sábio nas palavras. Enorme nas atitudes.
Um coraçāo de ouro, um homem bom, mesmo bom. Exigente e com um feitio forte, justo sempre justo. 
No momento em que os meus pais souberam, senti logo o alívio de quem já nāo está sozinha. 
Estes sāo assuntos de adultos. Nāo sāo brincadeiras de criança. E nāo, nāo se resolve com mais violência. Resolve-se quebrando silêncios com o apoio certo. Resolve-se com ajuda de adultos, adultos com bom senso. Grande pai, o meu. Grande māe, a minha.  <3

Desistimos de fazer queixa quando a realidade daquela família se mostrou um desespero. O meu pai, bom homem como é, explicou apenas que a queixa nāo existia se ela nunca mais se aproximasse de mim.  Assim foi. Nunca mais se cruzou no meu caminho.

Anos mais tarde soube que tudo tinha sido porque a rapariga era, na altura, namorada de um rapaz qualquer do meu colégio. Achou ela que o namorado me achava graça. Eu nāo sei, nunca soube, nem me interessa. Interessa que eu nada tinha feito, muito menos achar graça ao rapaz dela.  

O que interessa é que gostava mesmo era de deixar esta mensagem ao adolescente que tem visto a sua imagem estes últimos dias infinitamente repetida e espalhada por todo o lado: 

- Agora podes achar que o que sentes nāo vai passar. Mas prometo que passará. Sabes porquê? A vergonha nunca devia ter sido tua. Nāo guardes mais essa vergonha contigo porque nāo é tua. Acabou. O teu pesadelo acabou. A vergonha passou a estar nas māos e na vida de quem te atacou. Vergonha, muita vergonha pura e simplesmente para quem te atacou. Sei bem o que sentes. Passará. Passará.

Fotografia de infância tirada por uma amiga na rua do colégio.








domingo, 3 de maio de 2015

Infinitamente, Tua Māe


O dia foi atípico. 
Diferente. Foi dia da māe mas foi difícil parar para ler ou escrever uma linha. É quase meia-noite. Sou māe ontem, hoje e sempre. Amanhā quero ter mais calma que hoje e que ontem. Nāo importa se hoje o dia foi cheio demais para apreciar o sol, a luz ou o tempo. Sei que hoje nāo foi exemplo e temos a vida toda. O que interessa mesmo é ser tua māe. Sou e serei todos os dias, todos os momentos, para sempre. Valeu-me ser o teu colo neste dia. Onde no meio do caos, da confusāo, continuavas a ser a minha bebé, aconchegada no peito a adormecer embalada no som de quem passava, no som do pulsar da alma. Descansar ao peito de māo dada ao céu, nas nuvens limpas do que se aproxima. Foi um dia atípico, sim. Nāo foi apenas diferente, foi atribulado, confuso, a correr… Mas nāo, nāo foi um dia mau por isso, por ti, por nós. Porque na tua māo se agarrava o tempo que pelo passo da corrida se perdia. Nāo se perdeu. Sou tua māe. Por isso jamais se perde. E serei. 
De corrida passo, mesmo sem mais minutos ou segundos, para te lembrar que nāo me esqueço. Sou tua māe, nāo apenas hoje. Sou tua māe. Nāo me esqueço. Mesmo que corra estradas, pedras ou desmaie nas escaladas. Mesmo hoje sendo o teu colo que amanhā certamente nāo quererás da mesma maneira. Sou tua māe. E sāo muitos os dias em que mesmo que de mais nada me lembre, lembro-me que sorrirei sempre por ser tua māe. Este colo nāo tem princípio nem fim. Nāo começa, nem acaba. É nosso, é teu. Assim. Infinitamente. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Os Dez Conselhos de Maternidade Mais Certos da História


Quando se tem um primeiro filho, a mudança é tāo profunda que o melhor conselho é mesmo nāo seguir conselho nenhum. 
Ainda assim… Fica aqui o top 10 das melhores ideias a reter e com as quais eu concordo 100%. Veja o video.

10 Ignore 90% of what you're told about. 

Sim, Ignore 90% do que lhe dizem.


9 Do what works for you. 

Faça o que resulta consigo. O que é bom para o seu filho pode ser o pior para outro bebé. E vice-versa.


8 Schedule 

Organize, adopte um método seu, uma rotina. Será melhor para si. Será melhor para todos. Acima de tudo para o bebé e para o vosso sono.


7 Take an hour for you. 

Reserve tempo para si. Sair de casa, espairecer é uma renovaçāo de forças que faz toda a diferença para carregar baterias.


6 Discover who they are. 

Perceba quem sāo os seus filhos. Cada bebé é único. Aprenda a conhecer quem tem nos braços. Cada dia, uma ou mais novidades. Observe, ouça, sinta, confie no seu instinto. Comece cedo a comunicar com ele/a.


5 Be prepared - room, strollers… 

Prepare a chegada do seu filho. Compre/recolha/organize o essencial para facilitar a sua/vossa vida. Prepare o quarto e tudo o que é essencial: roupa, carrinho e ovo. Antes de nascer é muito mais fácil tratar de tudo, sem dúvida. 


4 Keep some memories forever. 

Nāo dê tudo. Guarde as coisas com mais valor sentimental. Um dia vai querer que eles voltem a ser recém-nascidos e o tempo nāo volta. Guarde.


3 Be grateful for your kids. 

Agradeça, sinta gratidāo. A maternidade/paternidade é uma dádiva.


2 Don't be too hard on yourself. 

Nāo seja demasiado exigente consigo. Tudo o resto pode e vai esperar. Mais tarde arrepende-se do stress e de algumas pressões do início. 


1 Feel all the love. 

Nāo há como estar preparado. Só saberá depois de passar por isto. Vai ser o amor que nunca antes sentiu, o maior e melhor amor para sempre.


"Relax- you're gonna be great." 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Olhares. E a Perfeiçāo.

Desenho de Beatriz Cabrita

Olhares que nāo se esquecem. Era esta a frase que guardei junto de uma fotografia que tirei em S. Tomé e que me marcou. Era o olhar profundo e único de uma miúda com que me cruzei, acabada de conhecer e a quem "roubei" uma fotografia trazendo-a comigo para sempre na mala. Mal sabia que anos depois um olhar tal e qual forte iria nascer e estar sempre ao meu lado. Em minha casa, a olhar para mim. E até a olhar por mim.

Há coisas que nāo se explicam. O olhar é uma inexplicável dessas maravilhosas coisas. Ontem, pela porta, entrava cá em casa ainda uma outra forma bonita de olhar.

Eu explico: hoje aos 20 anos, visita-me a minha pequenita prima. Pois… Até por ela já passaram 20 anos. Eu sei. Cresceu. Vai vivendo fora, crescendo no mundo e nos intervalos volta.  Foi a primeira bebé que eu vi crescer. Eu tinha 15 quando ela nasceu. Cresceu bela, fez-se linda. Nasceu como os comuns mortais e como todos tornou-se maior. A diferença: tornou-se A melhor também. Cada vez que penso em perfeiçāo lembro-me dela. É, aos meus olhos, a mulher que define a palavra perfeiçāo. Coraçāo sempre inteiro, cabeça no sítio, inteligência desde a menor à maior execuçāo. Uma jovem mulher de rosto seguro, beleza universal e inteligência transversal. Trazia na māo um presente. Ontem. E eu que sou tāo estupidamente esquisita com ofertas, fiquei logo de cara à banda. Na entrada ainda lá está o meu coraçāo. Derretido. Espalmado pelo chāo.  A minha pequenita prima, a enorme, bonita, perfeita, inteira Beatriz, ofereceu-me um retrato a carvāo da minha Amália e do seu olhar perfeito em linhas de brilho correcto e profundo. A própria Amália, olhava o retrato e espreitava por trás indignada à procura de desvendar o segredo de uma tal magia que nāo se compreendia. É por demais difícil captar a expressāo certa de um olhar na ponta de traços acrescentados passo a passo. Mas neste olhar, retrato desenhado, ninguém mais tem lugar marcado. A minha filha, ela e apenas ela, salta daquele rasgo de papel que ganha, como ela, vida. 
Em dias em que a arte despreza o realismo que em tempos idolatrou, ganha no mínimo um lugar de todo o destaque com o amor que trouxe e ficou. O amor à perfeiçāo constante, a tudo e em tudo na minha pequenita crescida e já adulta prima. O amor no olhar profundo da minha filha. O amor à dedicaçāo de todos os que se sentam e se entregam numa mesa, de papel e caneta na māo. O amor ao tempo que vai trazendo sempre, mais e melhor, de todos que amo. Este é daqueles presentes que se um dia, seja qual for a razāo, tiver de levar de casa em urgência poucos objectos… Este é certamente dos primeiros. 

Obrigada Beatriz, nāo só ganhei mais um olhar profundo em casa como recordei a beleza do carvāo simples a dar vida ao branco das folhas. 
Hoje dizias… nāo vou por aí nem nunca pensei ir por aí. Até nesse simples gesto se mostra a profunda subtileza da sua inteligência.  Pois nāo se falava de arte mas de coraçāo.
O meu ficou cheio, obrigada. És a mais perfeita perfeiçāo. 
    

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Que Somos e O Que Damos?



Hoje de noite ouvi ao longe o choro de um recém-nascido. Estes serāo os dias difíceis que se calculam para os pais de uma pequenita recém-vizinha. Para quem vive ao lado, em baixo, ou seja onde for, incomoda zero. É um som distante que se esconde e dissipa sem incómodo, ainda mais para quem passou por isso faz agora tāo pouco tempo. Como para mim é tāo recente, lembrei naquele bonito choro as coisas que mais passam pela cabeça de quem se estreia nesta aventura da maternidade/paternidade.

Tantas vezes pensamos:
"- Como, porque é que nunca ninguém me disse ou me ensinou como ia ser?" 
Na realidade há sempre alguém que disse mas nāo ligámos ou nem acreditámos. 
A verdade é que ninguém insiste muito nessa tecla porque rapidamente se torna menor, se torna irrelevante. Na maioria dos casos, mesmo quando ninguém disse, "avisou", foi porque se esqueceram com o tempo. Para a māe em apuros, ou para o pai exausto, nesses primeiros meses, os dias ficam absorvidos de tal forma que se acha que serāo eternamente assim. Imagina-se uma espécie de 24horas non stop até se morrer.  Mas esse stress/cansaço, ou mesmo desespero, tornam-se irrelevantes naquilo que é uma longa jornada de um caminho único e incrível a percorrer. 

"- Como vai ser possível fazer mais alguma coisa para além de sermos pai ou māe? Como vai ser possível voltar a encaixar o eu e o nós?" 
Simplesmente vai. Mais cedo ou mais tarde, vai. É a lei da vida e já muitos milhões e milhares passaram por isso e sim, é possível. Calmamente a vida vai-se encaixando, as peças vāo encontrando o seu novo lugar. Nalguns casos poderá ser mais demorado que noutros, mas vai. 
Tudo se volta a ordenar. A encaixar. Com a mesma naturalidade com que se desordenou.     



"- Como vou ser capaz de deixar este pequeno e indefeso ser ao cuidado de alguém umas horas que sejam?" 
A necessidade de o fazer pode ser bem mais rápida do que o que se prevê. Cedo ou tarde vai ter de acontecer. E nāo há māe normal que o faça sem sentimento de culpa. Maior ou menor, mas sempre lá. Sentimento de culpa sobre o qual se deve trabalhar contra, aprender a contrariar. A deitar para trás das costas. "Os filhos nāo sāo nossos" como se diz por aí. Nāo sāo, no sentido em que nāo nos pertencem como propriedade. A nossa missāo é amparar-lhes o caminho, mostrar e ensinar o mundo. Mas nāo é apenas a nossa missāo. Há mais responsáveis por isso no nosso mundo. A começar pelos avós, pelos tios, pelos primos. Pela família. Pela escola. Um filho é tāo mais feliz lidando com o equilíbrio entre tudo isso. O balanço certo. Equilíbrio que tem de se ir descobrindo com o tempo e na dinâmica de cada família e lugar. Demora tempo, traz questões, dúvidas, ansiedades, sim. Mas encontra o seu encaixe certo inevitavelmente. 

"- Serei capaz de ser māe e trabalhar? Serei? Como?"
Esta é provavelmente a mais recorrente das questões. A resposta certa é: sim, claro. No entanto, e este no entanto é que aterroriza algumas māes… A facilidade dessa conciliaçāo depende dos planos de cada um em relaçāo ao seu futuro. Ser māe é absolutamente compatível com ser uma boa profissional. O que pode ser complicado é pensar em casos mais específicos, mais fora do conceito do emprego dito normal. Por exemplo, nos casos que envolvam viagens, outros países, distância. Essas profissões onde se torna menos fácil colocar essa conciliaçāo em prática, como se chegasse a um ponto limite de uma escolha. É menos fácil, é. Mas ainda assim, nenhuma māe, ou pai, deve colocar de lado as suas ambições de futuro e os seus sonhos. Deve ser tudo muito pensado e estruturado para nāo furar jamais nenhum dos planos. Ser menos fácil é apenas isso. Menos fácil. Nāo significa que seja impossível. Até porque na base desse terror, desse medo, estāo apenas as convenções comumente aceites pelas sociedades. Essa formataçāo, chamemos-lhe assim, é importante para se viver na maioria dos momentos em sociedade. Mas nāo deve toldar visões nem ideias novas que possam trazer novas formas saudáveis de estar, novas formas de vida e mais pessoas felizes. Nesta vida tudo é relativo. As regras sob as quais vivemos sāo orientações pensadas para grandes massas. No entanto, até o que parece ter resultado mais de um milhāo de vezes com outras pessoas pode nāo resultar connosco e ter de se encontrar a soluçāo que mais se adequa a si. A sua soluçāo. Tantas vezes as limitações somos nós que as impomos, somos nós que as aceitamos. Entregando-nos a raciocínios derrotados. O segredo é questionar, pensar  e decidir de acordo com as suas próprias premissas, as premissas da sua própria família. 
O resto, é apenas o que costuma acontecer. Nāo significa que seja o certo. 

"- Vou ser capaz de tornar este bebé num bom adulto, numa boa pessoa neste mundo?"
Apesar de nāo ter chegado lá ainda, de nāo ter ainda criado um filho adulto, acredito nalgumas coisas nesta vida. Se há coisa em que acredito é que as acções sāo provocadoras de reacções. Uma boa educaçāo leva a bons resultados. Claro que há  mais condicionantes que se podem colocar no caminho. Nada é tāo linear assim. Algumas boas māes viram filhos transformarem-se por factores que lhes foram (a elas) absolutamente incontornáveis. Mas é muito improvável que uma educaçāo repleta de amor e com boas doses de direcçāo e amparo, nāo traga ao mundo pessoas que sāo reflexo disso mesmo, do amor e da troca da felicidade. 


A melhor forma de ter um filho feliz é ser feliz. Para ter um bom filho, é um bom começo ser-se um bom pai, uma boa māe. Para criar um bom cidadāo, é um bom começo ser-se um. 
O que somos e o que damos, fará deles também o seu futuro.  
 A maternidade é a mais bela das coisas da vida.   

domingo, 12 de abril de 2015

Transportar-te, Levar-te, Amar-te, Cuidar-te



Até vai parecer publicidade… Mas nāo é. 

Uma cadeirinha para o carro pode ser um quebra cabeças para os pais. Nos cantos deste mundo, dito mais desenvolvido, agora repleto de regras que antes nem existiam, comprar uma cadeira para o carro pode ser uma perfeita loucura e uma escolha difícil. Pois podem confiar nesta opiniāo.

Hoje em dia, ter um filho também é pensar em escolhas de segurança e sensatas para o transporte. Sim, antes entrávamos em carros sem cintos de segurança. As cadeiras de bebé nem eram obrigatórias com tantas regras, nem se falava muito em grandes inovações. Hoje em dia, as cadeiras sāo testadas até à exaustāo e pensadas sobre todo o tipo de pontos de vista. E… Ainda bem. 

Ontem conheci o Ferrari das cadeiras auto dos 0 aos 18 kg. E nāo, isto nāo é publicidade embora pareça. É porque a cadeira é mesmo brilhante. É a mais pura das verdades. Será difícil, talvez mesmo impossível, encontrar uma cadeira melhor para utilizar no carro dos zero até aos 4 anos. A cadeira que acredito ser a mais completa é a Römer dualfix na fotografia.  

Ontem fui apresentada a uma e, de facto, é imbatível. O meu carro nāo tem Isofix. E neste momento lamento mais que muito, mesmo. Mas deixo a sugestāo para quem tem Isofix e quer a melhor opçāo.

Características:
-Gira 360'. De frente, contra a marcha ou simplesmente para a porta para fácil colocaçāo do bebé na cadeira. Nem vale a pena referir que transportar um bebé numa cadeira contra a marcha é 10 vezes mais seguro pois este é assunto mais que referido em todo o lado. 

-Utiliza o sistema de segurança e aplicaçāo fácil e rápida- Isofix

-Tem 3 tipos de inclinaçāo diferentes e ajustáveis em segundos

-Apoio da cabeça ajustável na maior das tranquilidades em altura.

-O cinto do bebé tem borrachas de protecçāo inovadoras para os ombros com vista a evitar lesões em caso de impacto forte.

-Ergonomicamente perfeita. Bonita, confortável e muito acolhedora. 

-Um senāo… nāo é baratíssima mas vale o investimento. Nem todas as carteiras podem pagar. Para quem conseguir, a compensaçāo é brutal. 

Sem perda de tempo, sem stress nem māos atrapalhadas, em 10 segundos o bebé entra ou sai do carro.
O que eu queria poder ter uma no meu carro… Mas nāo tenho Isofix… 
Impressionada. Profundamente impressionada. 

De zero a cinco fica aqui a minha honesta avaliaçāo e a compra que faria se tivesse isofix:

Segurança= 5*****
Conforto= 5*****
Estética= 5***** (ao vivo e com o bebé colocado é que se percebe como está a anos de luz das outras cadeiras)
Facilidade de utilizaçāo= 5*****
Preço = 3*** (porque nāo é barata, mas a segurança e a perfeiçāo têm o seu preço. Nem existe cadeira concorrente ao nível desta)
Relaçāo qualidade/preço = 5***** , porque é justo. A qualidade paga-se.

Somos pais e queremos sempre o melhor para os nossos filhos.
Bons investimentos.