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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sorrisos Roubados e Fotografados

Imagem de: Kristen Cook

Sendo apaixonada por fotografia e fotografando de dois em dois segundos, nāo sei muito bem como vamos lidar com esta prática diária e o teu bem estar. Fotografar--te vai ser certamente um emprego quase a tempo inteiro. Estou a prever... O teu pai, que me vê fotografar portas, janelas, texturas, pessoas, paisagens, basicamente: tudo... Dizia-me assim no outro dia: - Vai ser uma loucura, nāo vai? É melhor começar a comprar discos externos... No seu jeito de gozo e brincadeira fez-me pensar com os meus botões. As minhas portas e janelas nāo reclamam, nāo se cansam, nāo sofrem com as minhas fotografias... No entanto, tu meu amor... Podes, sabe-se lá porquê (nem estou a ver de onde me vem essa ideia) ter um feitio muito próprio e achar tudo isso uma chatice. Se assim for, assim será. E como a minha māe me diz a rir e a brincar, cada um tem aquilo que merece. Pode ser que o universo se una para me retribuir a quantidade de vezes que me escondi atrás da saia da minha māe, ou as vezes em que fechava a expressāo zangada sem sorrir a ninguém, ou mesmo quando fazia birras e birras porque as coisas nāo eram como eu queria, ou as vezes em que acordava e ficava 3 horas sem falar a ninguém. E neste caso nāo, nāo se pode dizer que a educaçāo isto ou aquilo... Os avós sāo os melhores pais do mundo. E o meu irmāo sempre simpático, certinho e muito bem educado. Coitados dos avós, eu fiz literalmente a vida dos meus pais em fanicos. Nem dormir conseguiam durante tanto e tanto mas tanto tempo... Raça da miúda, como diria uma grande amigo de quem tenho saudades. Educaçāo nāo me faltou. Mas se para muitos tinha graça eu ser um bichito do mato, para outros isso foi tantas vezes mal entendido, claro. 
Por ti, para o teu bem, espero que tragas contigo o sorriso único do teu pai. Sorrir à vida nunca fez mal a ninguém, sei eu hoje depois de tantos anos. Nāo sorrir aos outros pode tantas vezes ser estranho, triste e desconfortável para os outros, mesmo quando a nossa razāo é apenas a vergonha ou o estar connosco nos nossos pensamentos. Todas as razões sāo válidas mas desde que saibas que todas as consequências também. 
Eu serei aquela que entenderá todos os teus sorrisos ou a falta deles. Sorrir vem de dentro, como tudo em nós. Sorrirás, bem sei, a quem te merecer todos os sorrisos. Que seja muitas e muitas vezes. 


  

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O Mundo e as Crianças

Acabei de ver este video surpreendente e fez-me pensar se o mundo nāo seria um lugar melhor se as crianças fossem mais ouvidas. A ingenuidade, frontalidade e o bom coraçāo desfazem-nos com as respostas mais inacreditáveis de tāo simples e sensatas que por vezes sāo. O video é longo para quem se cansa facilmente, eu acho particularmente apaixonante. É genial a sua simplicidade e acima de tudo a maturidade e a mentalidade de quase todas estas crianças. Confesso que tenho uma pequenota favorita que me encantou com respostas como: " I mean: I'm a Christian and I don't think it's wrong" Indignada e de braços no ar e com tāo poucos anos de vida. Que a vida nāo lhes roube ou altere, de forma alguma, a grande maioria destes pontos de vista.
O melhor do mundo sāo mesmo as crianças.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Menino ou Menina


20 semanas depois quero falar-te com nome. Nāo posso ainda. Nāo podemos. Menino ou menina? A certeza ainda nāo existe. O médico disse da última vez que tínhamos de esperar pela confirmaçāo da próxima ecografia.  
Hmmmmmppppfffffff... Ainda falta...
Depois das 17 semanas é quando geralmente se pode dar certezas.  Mas agora é preciso esperar pela data marcada. Entre a semana 21 e 22.

Nāo se trata de escolher trapos azuis ou rosa. Nāo se trata de querer mais um género ou outro. 
Trata-se de te querer falar... De mim para ti, de nós para ti... Com nome. 

O teu nome. 





domingo, 3 de novembro de 2013

Instinto

Imagem de: www.crazywallpapers.com

No meio de tantas dicas e conversas... Já me deram a dica de que nāo há melhor dica que o nosso próprio instinto. Pode ler-se ou ouvir-se as mil ideias e histórias de familiares e amigos, no entanto quando se sentir que é tudo demasiado confuso, há uma dica que é comum a todos os que dāo dicas: O instinto. 
Segundo parece, na altura sabe-se o que é correcto. O que é melhor. Nāo se trata de ignorar quem sabe. Nāo se trata de nāo dar ouvidos a quem tem experiência. Trata-se de nāo esquecer o que vem de dentro. De lembrar que cada bebé é especial. Cada gravidez é única.  Cada māe é diferente. O que serve para uns pais nāo serve para outros, claro. Nada melhor que reunir o máximo de informaçāo possível. Mas no fim, sāo os pais e o seu instinto que contam. Filhos e pais aprendem uns com os outros. Essa dinâmica começa no dia 1, no dia zero, no dia -1. 
Em relaçāo a tudo o que tenho lido, o melhor até agora parece-me ser: "Nāo é a casa que se habitua ao bebé, deve ser sempre o bebé que passa a integrar na dinâmica já existente da casa." Pode parecer estranho ou demasiado severo, esta pode talvez ser a dica mais fundamental. Nāo faço ideia. Talvez seja um grande disparate da minha parte que ainda nāo te tenho ao colo. Quem sabe farei o contrário e farei a casa andar em pontas dos pés de manhā até à noite... Quem sabe? Quem sabe? 
O instinto o dirá.

sábado, 2 de novembro de 2013

Chamavam-lhe Amália

África, 1973

Os tempos eram outros. A terra Moçambique. A vida diferente. Os anos passaram como passam para todos. Hoje continua uma mulher lindíssima. Outra idade, mas lindíssima. Outra experiência, mas finíssima. Quando a viam na rua chamavam-lhe Amália. Ria-se sempre que lhe pediam para cantar um fado. Outros tempos também os de Amália. 
- Nāo canto. Nāo canto. Nāo sou eu. 
Nāo, nāo era. Chama-se Maria. Alexandrina. Mas Maria. 
Ao colo, neste dia, o meu irmāo. Tempos que eu nāo partilhei. Faltavam uns anos ainda. Mais tarde, cresci a ouvir em família sobre o seu bom gosto, as casas em África, a sua força, a sua história, a sua teimosia.  
Ontem ao ver fotografias relembrei essa beleza única de outros tempos. Nas fotografias uma diva do cinema. Mas na vida nunca quis, na realidade, nunca lhe passou pela cabeça. Tantas vezes me perguntou como eu conseguia subir a um palco sem medo. 
- Nāo avó, nāo se sobe a um palco sem medo. 
E logo me respondia: - Entāo como consegues? 
Falou-me da única vez que pisou um palco. Da vez em que petrificou em frente a um batalhāo de gente.  Foi obrigada. Nāo queria. Sempre disse que nunca quis. 


Na vida é a força. Sempre que perdeu levantou-se e andou. Seguiu. E perdeu, levantou-se e andou. E perdeu outra vez recentemente numa idade em que já nāo devia ser permitido. Mas perdeu, perdeu quando o meu tio se despediu sem aviso. Depois desse dia, só depois desse dia envelheceu. De pé, mas envelheceu. Envelhecemos todos. Mas a minha Maria Alexandrina nāo mais foi a mesma. 
Levaram-lhe a força, a vontade. Mantém a postura, a classe, a beleza, mas levaram-lhe a força.

Só tu, meu amor, trouxeste de volta parte dessa força. 
Quando chegares saberás do que estou a falar. É a bisavó.
A vovó Xandrina. 
Na vida o que conta é mesmo a família. 


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Bolo da Avó Lena



Esta é a última fatia do bolo de côco da avó Lena. É maravilhoso. Esta fatia é para o pai quando chegar a casa. Desconfio que nós já comemos bolo a mais. E a culpa é minha. 
Nunca desgostei nem gostei particularmente de côco. No entanto este bolo é do céu de tāo bom que é. Fofo, alto e molhado. Uma delícia. 
Adoro bolos. Uma fatia de bolo e um chá quentinho acabado de fazer, earl grey de preferência, sāo um aconchego nas tardes de outono e de inverno. A avó já deu a receita mas ainda nāo tentei fazer. Este foi feito e oferecido pela avó. Prometo que se tiver autorizaçāo publico a receita assim que a tente fazer. 
Por agora fica o registo de que conhecemos o sabor daquele que é o melhor bolo de côco do mundo. 
Obrigada avó Lena.
Nesta família há uma certeza: doçura nunca vai faltar. Certamente que travessura também nāo. 


Opçāo X



O jornal Público de hoje traz novas da Alemanha que se mostra inovadora e compreensiva no registo do género dos bebés. 
Para além das comuns opções M e F, referentes a Masculino e Feminino parece que, de hoje em diante, passará a existir na Alemanha a opçāo X. A opçāo X refere-se a género indefinido, sexo indefinido. 

Quando li a notícia demorei alguns segundos a perceber qual a ideia. Numa primeira abordagem ao tema nāo se pensa no género dos filhos como opçāo, naturalmente.  
Sāo raros os momentos em que nos lembramos que de facto há situações em que essa opçāo tem de existir e ninguém certamente está preparado para lidar com o assunto de ânimo leve.
Esta inovaçāo pode ajudar, e muito, a aliviar alguma pressāo dos pais tal como o artigo descreve. 

Ou seja, nos casos de difícil definiçāo e em que exista o risco de se limitar a criança, esta opçāo X pode ser um apoio para pais, crianças e médicos. Nāo obrigando ninguém a uma pressāo de escolha de género precipitada quando essa indefiniçāo surge da própria indefiniçāo da natureza. 

Ainda nāo ficou estipulado por quanto tempo a opçāo X pode permanecer na identificaçāo da criança até a decisāo ser tomada. 

Ao falar desta notícia com o teu pai ouvi assim: "Nāo te preocupes, meu amor." 
Ri-me, claro, porque nāo partilhei nesse sentido do medo. Nada disso. Mas sim no sentido de ser tāo importante lembrarmos o que é verdadeiramente importante: Que estejas bem. 
E que cada vez que alguém nos pergunte: 
- Já sabem? Querem o quê? Menino ou menina? 
Dessas e de todas a vezes sabermos tranquilamente no coraçāo que o que queremos... O que queremos é que venhas bem e feliz. Feliz e com saúde. 
De resto, nāo temos de querer mais nada. 

Fonte: http://www.publico.pt/mundo/noticia/bebes-que-nascam-a-partir-de-hoje-na-alemanha-podem-registarse-com-sexo-indefinido-1611025