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quinta-feira, 6 de março de 2014

Seguros, Partos e Privados





Indignaçāo take 2:

Conseguir informaçāo concreta sobre valores de partos é um mistério. 
Tentar parece ser uma batalha perdida. Depois de telefonemas para trás e para a frente parece que a resposta fica em águas de bacalhau na base do "depende". 
Vamos lá ver se nos entendemos... Que depende todos sabemos... Naturalmente.
Aquilo que nāo pode é depender da chuva e do sol.  Depende, muito bem, de quê? De muitas coisas. 
Também todos sabemos. Depende do método, do material usado, da medicaçāo, depende de centenas de coisas. Sim, é justo. Mas se nāo fosse muito incómodo eu gostava de ter acesso a informaçāo detalhada que me tem sido vedada em várias frentes. Sem eu entender porquê. 
Dos privados dizem que isso é com o seguro. O seguro diz que é com os próprios hospitais. 
Alguém está claramente equivocado.  Os telefonemas nāo esclarecem coisas básicas a uma futura māe parecendo charadas e brincadeiras de carnaval. Cada um diz sua coisa e nada de concreto. Nenhuma informaçāo clara ou publicada nalgum lugar para consulta. 
À pergunta: Quanto custa um parto? A resposta é: Depende. 
Sim, verdade. Depende. Naturalmente que depende. Tal como tudo na vida. 
Mas quero ter acesso a valores reais, concretos dentro do depende.  

A incerteza aumenta.

Claro que existem variantes em cada parto específico mas todas essas variantes têm de estar contempladas numa tabela. Certo? Onde existe essa tabela para consulta das utentes?  

Alguém tem de fazer as contas, certo? Esse alguém tem acesso a informaçāo. Informaçāo que deve chegar às utentes de forma clara e inequívoca, sem grandes trabalhos ou alaridos. Simples. 
Informaçāo que deveria ser dada facilmente por telefone ou através da consulta directa de uma tabela x no sítio y. 
Nāo acontece. É um facto. É tudo um grande mistério. E o mistério é sério. Melhor ainda quando se ouve do outro lado do telefone: depende do seu seguro. 
"Depende do meu seguro como?" Eu nāo estou a falar sobre o meu acordo específico, sobre a minha apólice. Estou a falar dos custos base fixos esquecendo apólices ou detalhes pessoais de cada utente. 

Eu nāo perguntei quanto me ia custar no fim a mim... Nāo gosto de matemática mas ainda vai dando para fazer contas simples. Preciso é de dados, dados concretos. E depois lá me safo com cálculos tendo em conta a percentagem que me é devida a mim na minha apólice. Eu quero é saber quais os valores praticados e quero descriminado tim tim por tim tim como se de uma ementa se tratasse. 

Nāo quero estimativas que vāo desde os 1800€ aos 6000€ só porque sim... Esta janela é um pouco grande e incerta demais para o meu gosto.  A janela até pode ser esta mas tenho direito a saber as diferenças entre os 1800€ e esses 6000€ e sem apólices ou acordos nenhuns ao barulho, pois cada uma tem o seu e sabemos fazer as nossas contas. O ponto de partida é que convém ser claro, aberto, tabelado,  detalhado e honesto. 

Indigna-me as indefinições que nos impingem. 

Este artigo parece-me relevante dentro do tema:

  




  





quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mais Uma Liçāo Pré-Parto




Ontem entāo foi uma liçāo incrível. Foram duas horas esclarecedoras em relaçāo ao grande momento que assusta muito tantas de nós: o parto. As diferentes formas possíveis de parto. O procedimento médico e como nós māes temos de ajudar, colaborar. A importância do nosso contributo, do nosso comportamento, da nossa confiança.  Há tanta coisa que desconhecemos e é fundamental estarmos informadas. Procurar na net é demasiado abrangente e global, ou seja, temos acesso a informaçāo que nāo interessa, a nāo informaçāo. Ali, na Kuantos Meses, o que nos chega é essencial. Sei que já disse isto mas vou repetir mil vezes porque é de facto assim. É mesmo importante e directo. Esclarecedor e objectivo. A liçāo de ontem nāo foi nem assustadora nem animadora, foi directa e real. Na mesa, os cenários possíveis para o parto: gostei, amei. Aqui nāo reproduzo o que me é ensinado, nem tento passar essa informaçāo. De todo. Ler este ou qualquer outro blog nāo substitui em nada o que se aprende numa aula da Kuantos Meses, nem significa que o que defendo aqui seja resultado disso. Estas sāo as ideias que eu própria defendo e que tantas māes até podem ser contra.

Cada vez mais a minha desconfiança de que nāo devemos "meter na cabeça" de que vai ser assim ou assado, se confirma. Nunca entendi muito bem as māes que dizem: escolhi que o meu parto fosse assim ou fosse assado. Ter preferências nāo é errado mas ser intransigente é e pode ser um entrave grave para um parto tranquilo. 
Nāo fiz nem faço planos fechados. Essa parte está completamente na māo da minha médica. Nāo escolho o procedimento médico porque nāo é de todo essa a minha missāo enquanto māe. Da mesma forma que também nāo decido como me operam um joelho. Aquilo que sei é que tenho uma bebé para nascer brevemente. Se nenhuma emergência se verificar nascerá naturalmente. Se a médica por alguma razāo tiver de alterar o procedimento médico e fazer cesariana, assim será. 
Choca-me seriamente ter lido imenso sobre o assunto e perceber que hoje em dia, tantas mas tantas māes escolhem, sim, eu disse escolhem, ter os bebés por método cesariana por medo da dor e do sofrimento. E também há médicos que decidem fazer cesarianas pura e simplesmente por razões monetárias. É inacreditável. A cesariana, e falo única e exclusivamente por muita coisa que tenho lido, é um método clínico de emergência. Ou seja, aplica-se a casos mais complexos que escapam à normalidade do processo. Aplica-se para salvar a vida de um bebé, de uma māe ou de ambos, aplica-se para nāo se correr esse risco caso existam indícios nesse sentido. Mas infelizmente passou a ser por muitas māes, erradamente, uma escolha leviana e superficial resultado de muito medo e falta de informaçāo. Meter na cabeça que se escolhe uma cesariana para nāo ter dor é tāo absurdo como escolher ter um parto natural em casa porque se é muito cool. Cada caso é um caso e deve ser devidamente cuidado e analisado por médicos de confiança e competentes. Se tudo corre bem numa gravidez, desconfiem sempre de um médico que já definiu que o vosso parto é por cesariana. E se tudo corre bem numa gravidez, nāo há razāo nenhuma para uma māe insistir numa cesariana. Estar informado é saber que existem diversas formas de ajudar os bebés a nascerem. Assim como existem riscos associados aos mais diversos métodos que nāo devem ser ignorados e por isso mesmo devem ser analisados por médicos e nāo por māes. Convém pensar seriamente sobre o assunto antes de tomar decisões como: "vou ter o meu bebé em casa porque é uma ideia gira" - nāo estamos em Portugal preparados para socorrer situações de emergência de um parto em casa que corra mal; Ou: "Quero parto natural, apenas natural, nāo quero cesariana, nāo quero, nāo quero medicaçāo" - este pensamento fechado leva a pressāo sobre os médicos para evitarem a todo o custo decisões para as quais têm de estar completamente livres para exercer o seu trabalho nas melhores condições. Ou mesmo: "quero uma cesariana, sei que está tudo bem mas nāo quero sentir dor"- convém entender que uma cesariana é uma operaçāo e acarreta os seus riscos, bem como a recuperaçāo é muito mais lenta, ou seja, se for possível evitar é melhor para todos, tanto para a māe como para o bebé. 
Mas entāo nada está bem? Está. Claro. O parto natural é o mais sensato em situações normais. O melhor para todos. Apesar da dor e do desconforto, segundo parece. Assim como também está bem todo e qualquer método utilizado para ajudar um bebé a nascer que, por complicações, levou a medicina a intervir de outra maneira.

Posto isto, Amália, nāo sei como vais nascer. Sei que o ideal é que tudo corra bem sem problemas, pelo melhor. Também sei que pouco interessa a minha dor. Interessa o meu bom senso e o bom senso de todos os que no parto colaborarem. Acima de tudo interessa que gostava que fosse parto natural e descomplicado mas será o que tiver de ser. O processo estará aberto, em evoluçāo, até tu estares cá fora e bem. Sem planos fechados da minha parte, sem ideias pré-concebidas. 
Estamos bem entregues a bons profissionais. 
Por ti. E por mais ninguém.