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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O tempo. 34 Semanas e 4 Dias


O tempo. 34 semanas e 4 dias. Nāo pára. Qualquer dia tens 18 anos, namoras e já nāo só sabes o que queres ser quando fores mais velha, como terás inclusivamente a tua própria visāo do mundo.  Interessa pouco, por agora, apenas porque ainda falta tempo. 

O tempo. O tempo interessa. Porque passa. O que lá vai já foi. Interessa o que vem. Interessa o agora.
Ainda estás aqui. Pequena, envolta, segura. O mundo cá fora espera. O nosso mundo. Nós, acima de tudo nós. 
Penso no que ouço muitas vezes sobre os primeiros tempos do nascimento. O cansaço, a pressāo, a irritaçāo, o nāo dormir, o nāo poder trabalhar, o nāo ser um conto de fadas, o "agora é que vais ver como é"...
Podia concentrar-me nisso tudo mas nāo concentro. Nāo acredito ou deixo de acreditar. Nem tāo pouco me preocupa. 
Cansa? Pois claro que deve cansar. Fica-se em baixo? Pode ser, naturalmente como resultado do cansaço, das mudanças repentinas, do receio, do medo, de muita coisa junta... 
Nāo vou dormir - Dizem. Mas quem diz? Quem sabe? Ninguém. Ainda que fique anos a dormir muito menos... Nāo te preocupes, pois eu também nāo. Ao longo dos anos tenho dormido o suficiente, ou seja, tenho créditos guardados. Quanto a nāo poder trabalhar... Claro que hei-de poder. Assim que seja possível retomar, assim será. Quanto a nāo ser um conto de fadas? Nada o é completamente. Nem nunca esperei tal. 

E sim, é um facto, agora é que vou ver como é. E será incrível certamente. Aconteça o que acontecer. 

Também tenho ouvido muito: "O importante é terem ajuda, muita ajuda." 
Ajuda talvez. Muita ajuda, depende. Depende mais uma vez de cada situaçāo. Quando se precisa de ajuda, é simples, pede-se.  Umas vezes sim, precisa-se, outras vezes nāo certamente. Podem ser muitas ou poucas vezes. O importante é ser ajudado quando se precisa. Ser ajudado e nāo ser "complicado". Ajuda que complica é complicado. Ajuda precisa sim, é ser ajudado. 

Concordo muito com que os pais é que têm de desbravar o caminho, aprender e conhecer melhor que ninguém o seu filho. E esse é um trabalho difícil que deve ser feito com calma e a dois.
No fundo, no fundo, é nisto que acredito. Ter o espaço para aprender a nossa dinâmica. Para te  entendermos e assim sermos a tua família. Mantendo a calma. Avaliando e percebendo. Aos poucos, aprendendo. 

Somos todos diferentes. As experiências sāo todas únicas. O importante é saber gerir, gerir e gerir o melhor que se sabe. E evoluir. 
O resto...  De resto é aproveitar, viver, crescer. 
Crescer. Crescer. Crescer. 
E juntos... Pois brevemente seremos três.

Falta pouco. O tempo. O tempo. Já sāo 34 semanas e 4 dias.  




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Māe Artista


Sophie Starzenski, fotógrafa, registou ao longo da gravidez todas as fases. Com praticamente sempre o mesmo enquadramento, contexto e posiçāo. Partilho as 10 fotografias da fotógrafa repletas de simplicidade. Imagens que mostram a evoluçāo do fenómeno que é a gravidez e o mais belo trabalho desenvolvido pelo fabuloso corpo humano. É um trabalho artístico simples, pessoal, despretensioso e tāo bom por isso. Nada do outro mundo. Deste mundo mesmo. Gosto bastante. 

É daquelas coisas que ao olhar para trás me arrependo de nāo ter feito. Vários amigos sabendo da minha paixāo por fotografia incentivaram-me diversas vezes a fazer registos repetidos da evoluçāo da gravidez. Nāo fiz. E lamento. Ainda bem que há quem faça. Espero que gostem das fotos dela. 
Deixo também o endereço do site com mais trabalhos para quem estiver interessado:  










Imagens de: Sophie Starzenski 



domingo, 22 de dezembro de 2013

O Nosso Primeiro Natal


O nosso primeiro Natal. Todos. Juntos. 
Com tanta tarefa a árvore ficou pronta apenas no último segundo. Cheguei a acreditar que seria um Natal sem árvore e isso deixou-me inquieta. Fiz tudo mas tudo para que tivesses a tua primeira árvore, ainda que nāo a possas ver ainda. Fizemos o impossível nestes dias para organizar, transportar e mudar de casa. Sem ser possível eu carregar uma caixa nem mesmo o pai. Sim, é verdade. Apesar dessas dificuldades, nāo desistimos e foi possível contar com a ajuda preciosa dos nossos. Temos a nossa casa nova. A tua primeira casa. Cada dia que passar prometo que ficará cada vez mais cuidada e confortável para te receber. Falta pouco para te abraçar. Passa a correr o tempo. Este ainda nāo será o melhor Natal de sempre porque ainda nāo te vou ver a sorrir radiante com o que o Pai Natal te trouxe. Mas este será certamente o Natal que ficará marcado como o Natal em que tenho o meu melhor presente: Tu. 
Vamos preparando aos poucos a tua chegada. O teu berço já está aqui. Neste momento em pleno sala ainda. Cada coisa a seu tempo, pois assim tem de ser. É uma delícia olhar para ele e imaginar-te lá dentro daqui a uns tempos. É de princesa, claro. Branco, puro. A cor, essa trazes contigo. Quem por cá vai passando diz em tom de brincadeira: shiuuuuu que acordas a miúda. 
A verdade é que dentro de pouco tempo essa frase será dita e muito certamente. 
Também ontem ao telefone uma amiga falava do seu filho Vicente e do nascimento dele que faz agora 7 meses... Ouvi assim: "Ele nasceu. Passaram 5 minutos. Ele nāo chorou. 5 minutos. O pai ali. Eu ali. Levaram-no. Ele nāo chorou. Ele nāo chorava. Alguma coisa estava errada. Sabes tudo naquele momento. Porque sabes. As enfermeiras levaram-no. Nós ali. Ao longe, e depois dos mais longos 5 minutos da minha vida, o choro dele. E ali sim... Agora sim, sabia: a minha vida começou. Pois afinal ficou tudo bem." 

Que a minha vida comece. Que a nossa vida comece. Mais ainda. 
Feliz Natal, para ti. Feliz Natal. Para todos.   

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Mudanças

Nāo vejo a hora de acabar a nossa mudança. Em género de brincadeira dizia sempre que tinha mestrados e mestrados em mudanças. É um facto que mudar de casa, para mim, nunca foi uma dificuldade, um problema ou sequer um transtorno. Nunca foi. E se há quem mude de casa, sou eu. Até entre países. E nunca mas nunca me cansou tanto. É um desabafo e nāo uma reclamaçāo. Quando tudo parece acontecer na direcçāo oposta àquela que desejamos, quando os contratempos sāo aos pontapés, quando tudo parece um filme do Almodóvar e podia ser tāo simples, mas tāo simples. Mas nāo tem dependido de nós. Nada. Grávida, esperar 5 horas pelas entregas do Ikea numa casa ainda quase sem mobília nāo é a mesma coisa que estando num estado normal. Ainda por cima, quando chegam, chegam com o material errado, incompleto, fazem-me ir lá de novo, resolver um problema provocado por eles. Marcam uma nova data e mais 5 horas de espera pela frente. E este é apenas um exemplo entre diversos, sim, diversos que nos têm aparecido diariamente... 

Desculpem o cansaço das minhas palavras. Desculpem a impaciência da minha atitude. A verdade é que é tudo por um motivo maravilhoso. Eu sei. Claro que é. Mas isso nem está em cause, naturalmente. Fico triste porque o processo tomou conta de mim, já vai longo, tāo longo que por vezes esqueci no desespero que é tudo mas tudo por razões que brilham mais que a lua. Os contratempos têm sido muitos. Demasiados. 
Mas nāo há contratempo que se meta no nosso caminho e resista. Nāo há. Vamos resolvendo todos. Um a um. E cá estaremos para usufruir da calma e da organizaçāo quando o mundo permitir e nos deixar de colocar diariamente questões, problemas, erros ou equívocos relacionados com a nossa mudança. 
Mundo, ouve bem: esta casa e esta mudança que te falo é o nosso futuro, mas já devia ser o nosso presente. Porquê? Porque fizemos e fazemos tudo o que há para fazer ao nosso alcance. Porque nāo merecemos este desgaste. Porque precisamos de parar. Porque merecemos esperar, mas esperar apenas esperar por ela. Por favor, organiza-te connosco. 

Mundo, estás a ouvir? Por favor... Já chega. Como diz um grande amigo: É só uma mudança nāo é neurocirurgia.  Peço-te do fundo do coraçāo, nāo é por nós sequer. 
É por ela. Por ela, o meu amor . 
Obrigada, sei que vais entender. 

    


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Prova



Chamam-lhe A Prova. Podia ser o título de um filme, de um livro ou até de uma série... Mas não... É mesmo uma maldade que têm de fazer às pré-mamãs. Gosta mais de limão ou laranja? hmmm... laranja... Mas quando ouvi: Depois de beber 'isto' não come, não mexe, não bebe mais nada... Pensei 'E respirar, será que posso?'. As indicações continuaram: e nem pense em vomitar, tem de fazer um esforço. Depois de beber 'isto' lave bem a boca e não pense mais que bebeu 'isto'. 
- Ui vem aí coisa boa, vem! - Pensei. 
Agarrei em mim e aqui vai de beber 'isto'. Sabor a laranja, confirmo. Cor da própria da laranja, confirmo. Doce, muito doce, confirmo. Dei três passos depois de dizer que estava muito bem, que me sentia muito bem e que o sabor nem era mau e pumba ia caindo para o lado. 
- Têm de a deitar. Nāo pode ficar na sala sentada. 

- Pronto, já está. Agora deita-se aqui uma hora. Tratamos de si. E nessa altura recolhemos mais sangue. Depois espera outra hora e recolhemos novamente. 
Simpáticos e muito mesmo muito atenciosos arranjaram um gabinete para eu nāo me estatelar no chāo. Deitaram-me, baixaram a luz e cá estou... Com um enjoo que só eu sei. A pequenota está a amar esta bomba, o 'isto' que bebi deu-lhe cá uma energia que só visto. Já só faltam duas horas a tentar evitar bolsar. 

De repente, passada meia-hora, vêm ver de mim. Dois responsáveis que me olham preocupados mas com sorrisos: Então? Está melhor?
- Estou cada vez mais zonza- disse
- Pois, temos de aguentar, está bem? Vamos buscar uma almofada e tente dormir. Não queremos que lhe falte nada.

Cá estou. Sem me mexer. Deitada. A sentir os pontapés mais bonitos da História. E com uma má disposição que até o ritmo cardíaco acelera. É assim A Prova. Talvez fosse melhor uma prova global, um exame nacional, uma prova de vinhos, qualquer coisa... Mas não! Tem de se despistar as diabetes na gravidez. Tem de ser. Calha a todas. 
Já faltou mais... Há-de passar. Há-de passar. Já só falta uma hora e meia. 
Parece uma vida, confesso. 75% de glucose e sabor a laranja... Podia ser pior segundo parece... Podia ser 100% e sem sabor a fruto nenhum.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Mãe Constipada Avó Dedicada


Hoje a mãe está tão constipada que não pode sair da cama. Tenho de ter a certeza que estás bem e que fico bem depressa. A avó tem sido a salvação porque nem força para te fazer sopa eu tenho. Tem sido a avó a tratar de nós o dia todo. Medicação faz-te mal, só pode ser ben-u-on. E de resto entre sopas, chás e xarope de cenoura caseiro lá anda a avó Luxa de um lado para o outro em tarefas de enfermeira. Quem tem uma mãe tem tudo, mas quem tem uma mãe como a minha tem mais que o euromilhões. Também vou estar lá para todas as tuas constipações e tratar de ti como princesa que és, porque és. Porque és meu amor. E quando nasceres vais ver a sorte que tens: uma família com estas avós tem tudo para te fazer ainda mais feliz. Já estou a ver... Nós com a tarefa difícil de pais a ter de te dizer que não de vez em quando... E os avós... Os avós vão estar lá certamente para dizer sim, como é o seu papel de mimar sempre.
Agora espero mesmo que estejas bem aqui dentro. Claro que estás, segundo os doutores a placenta protege-te e não ficas constipada como eu. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Concertos Para Bebés



Numa visita recente à Casa da Música foi-me apresentado um novo conceito: concertos para bebés. Nunca tinha ouvido falar, confesso. Mas segundo parece já sāo famosos os concertos para bebés da casa da Música no Porto, e nāo só. Em Lisboa também há, vim a descobrir. No C. C. Olga Cadaval em Sintra e no Oceanário por exemplo. O projecto original "Concertos para bebés" teve origem em Leiria pela māo de Paulo Lameiro, chegando inclusivamente a ganhar um prémio importante no Young EARopean Award. 
Visitar a casa da Música em família foi especial. Mais especial ainda quando percebi a sensibilidade que naquele lugar existe em relaçāo às crianças. Também têm salas próprias para babysitting e brincadeiras com instrumentos musicais. Enquanto os pais vāo assistir aos concertos na sala principal, os pequenos filhos ficam acompanhados e entregues à experiência dos mais variados instrumentos musicais, numa sala em que através do vidro conseguem ver os pais e senti-los próximo.

Durante a visita, o guia olhava para mim e dizia: 
- Quero vê-la cá. Fico à vossa espera. 
Ficou prometido. E ainda acrescentou:
- E tem desde já de começar a estimular esse bebé ainda dentro do útero com Mozart e Bach. Nāo gosta? - Perguntava-me ele. 
Nāo expliquei que já ouves muito Mozart. Voltei a ouvir recentemente, por ti, para ti. E com pena nāo expliquei como o meu avô Daniel iria gostar de ouvir aquilo que ele me estava a dizer. Guardei para mim as memórias de infância do avô Dan e da sua música clássica vinda da biblioteca num som que invadia sempre toda a casa. 
Estimular a arte desde cedo é importante, muito importante. A criatividade cresce sempre que cultivada. Na vida quem cria é mais feliz, sempre. O artista pode ser incompreendido mas é na sua arte que encontra sentido e companhia. Nem que seja nessa brutal inquietude artística que vai de projecto em projecto curando as suas dores. Abrindo outras mas evoluindo sempre para uma próxima. Inquietos somos todos, o artista é quem melhor lida com tanta inquietude. 
Digo eu, digo eu. 
Muitos pensam o contrário.    





Novembro de 2013
Casa da Música, Porto

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Balão

Hoje ao telefone:
-  Mas como está a sua barriga? 
Hmmm. Como dizer?! Talvez explicar que posso levitar sem balão. Consigo voar sem avião. E... Toco a lua sem foguetão.- Está redondinha, obrigada... Já se nota um bocadinho.