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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Educar A Alimentar


A alimentaçāo dos miúdos pode ser um pesadelo. Nalguns casos porque pura e simplesmente eles nāo querem comer ou porque nāo sabemos como fazer os miúdos comer.  
Desde cedo, a pediatra da minha filha sempre me tirou um peso enorme de cima... Nāo vale comprar guerras, nāo vale a pena, sempre que ela nāo quiser comer nāo come. Assim foi, assim teve de ser. 
A vontade teve de partir dela. Foram algumas as vezes em que, ainda mais bebé, isso aconteceu. Para aprender a comer a sopa foi difícil, foi um pesadelo. Passou. 
Como? Nāo queria, nāo comia. Eu insistia. Errei por vezes e obriguei. Só tive sucesso quando mudei de atitude. Falei com a médica e percebi: tente apenas, nunca obrigue! Só assim resultou. 

Hoje, a maioria das vezes, ela come tudo. Quando digo tudo, é mesmo tudo. Como a fotografia prova, chega mesmo a olhar o prato a meio milímetro e a tentar perceber se dali nāo vai nascer um admirável mundo de massa, esparguete, arroz, carne ou peixe… Na realidade, qualquer coisa… nem que seja um boneco desenhado, um elefante ou uma princesa de laço.  
Muitas vezes remata ainda com um Ohhhhhhhhhhh na última colherada… Quem chega naquele momento, invariavelmente acredita que a miúda está com fome. É o ar dela incrédulo a avaliar o fundo do prato. Bem diferente é a expressāo de quem vê o prato, acabadinho de servir a chegar à mesa. 
É importante servir a quantidade certa. Qual a quantidade certa? Pois...
Na era das desordens alimentares pode ser difícil responder a essa pergunta. Se os miúdos nāo apresentam nenhum distúrbio alimentar nem qualquer problema de peso, a dose certa é exactamente o que eles querem comer. Os miúdos, como nós, nāo sāo máquinas. Uns dias temos mais apetite e noutros temos menos. Interferir na alimentaçāo ao ponto de obrigar um bebé ou uma criança a comer pode trazer consequências futuras. Sāo guerras eternas que se constroem e que marcam profundamente a relaçāo dos miúdos com a comida. Comer deve ser um prazer para além da necessidade. 

É nossa missāo enquanto pais, ensinar a comer. Educar a alimentar. Alimentar educando. Saber comer é ter com a comida uma relaçāo saudável. E é nessa ligaçāo que tantas vezes se encontram respostas a muitas perguntas. 
Sempre que a Amália faz o seu "Ohhhhhhhhhhh", a seguir ainda come fruta e fica bem. Nāo chora com fome. Nem chora para se encher até cair para o lado. Também sei que se lhe desse mais massa depois do "Ohhhh" ela comia. Claro. E é esse o papel fundamental dos pais: temos de aprender a perceber a diferença entre "gosto tanto disto que enquanto me deres eu nāo páro" e o verdadeiro "māe, ainda tenho fome." Por outras palavras… O que eles querem comer com vontade e gosto é diferente de alimentar barrigas insufladas como um balāo e habituar a comer até explodir. É também, em parte, matemática. Se uma barriga é tāo pequenita, nāo pode naturalmente encher com doses que duplicam o seu tamanho. Como em tudo, é no equilíbrio que está a dose certa. 
Difícil também é quando nāo gostam de comer. 
O mundo por descobrir torna uma "chatice" o simples acto de sentar e comer. Trazer para a hora da refeiçāo o prazer e o convívio pode fazer milagres. Nunca, mas nunca, obrigar a comer. Aprendi com quem sabe.
Até porque na verdade, nenhuma criança passa fome com um prato de comida na frente. 
Forçar nāo é soluçāo.  
Vale educar a alimentar e alimentar educando.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sobre A Segurança


As férias acabaram. Por graça repito que agora é que tenho de descansar. Passar férias passou a ser mais organizado e mais facilmente caótico. Temos sorte. A sorte da vida. Uma filha que nos enche a alma só de a ver dormir em paz ao final da tarde na sombra calma de um simples chapéu. Uma filha que nos rebenta o coraçāo naquele beijo inesperado sem aviso ou no abraço quente e forte que nenhum de nós implorou ou pediu. Temos sorte. 


Andei com a barriga às voltas. Andei…  
Nāo tenho escrito. O amor continua, nāo acabou, claro. Deixei de escrever porque mais que nunca decidi avaliar a segurança do que postava e escrevia. Desde que saiu a decisāo de um juíz sobre as publicações de fotos e informaçāo nas redes sociais sobre os filhos referente a um caso específico que em nada tem a ver connosco… No entanto, fez-me parar para pensar mais e a fundo. 
Achamos que fazemos tudo, o melhor, o mais possível pelos nossos filhos… Gelei… 
Decidi, e por isso escrevo: nāo voltarei a publicar fotografias da minha pequenina que a coloquem na mais ínfima hipótese em risco. 
Sempre tentei ser equilibrada nas minhas opções. Por norma vou sendo. Gelei quando procurei e encontrei mais informaçāo. O mundo nāo é feito apenas de amor e de almas perfeitas. O mundo pode tornar-se perigoso e, neste caso, nada jamais vale o "tentar para ver". Nāo se brinca com a segurança de um filho. Nāo se brinca com o que possa, mesmo que eventualmente, prejudicar a harmonia e paz de uma família. Hāo-de existir milhares de māes que continuarāo a publicar fotografias dos filhos. Respeito. Apenas decidi que nāo vale mesmo a pena. Vejo agora de frente o risco. E com este nāo se brinca. A segurança banal  e que sempre segui passava por coisas como: nāo dar informaçāo da localizaçāo, nāo colocar fotos dos filhos no banho ou nús, nāo fotografar com fardas da escola ou no bairro de residência, nāo postar fotografias que se possam tornar virais e/ou que se possam virar contra eles como motivo de ridicularizaçāo… Nāo fazer isto, nāo fazer aquilo… Uma lista que me parecia sensata e completa e que segui sempre à risca. Sobre locais só falava depois de já lá ter passado, por exemplo.  Tudo absolutamente controlado e sensato. Percebi… Nāo é suficiente. Nem é justo. 
Um filho está sob a nossa asa. Sob a nossa protecçāo… Mas "os filhos nāo sāo nossos". Sāo pessoas e também eles com os seus próprios direitos.  Enquanto māe, nāo tenho o direito de expôr um filho meu. Sim, postar fotografias é expôr um filho. É mostrá-lo globalmente sem sair de casa. É muitas vezes torná-lo alvo de interesse sem o próprio sequer ter sido consultado. É tornar possível que a sua fotografia corra mundo e vá parar a parte incerta e desconhecida. E esse simples clique em "publicar foto" pode dar origem a inúmeras utilizações erradas. Desde a fotografia ser aproveitada para publicidade indevidamente ou até em casos bem piores ser manipulada e incluída em sites com conteúdo duvidoso, ou mesmo ainda ir parar a perfis falsos como sendo filho/a de outros pais. 
Posto isto, decidi que nada mesmo nada, em momento algum, vale a publicaçāo da foto de um filho em que o mesmo seja identificável.  
Obrigada pelo vosso carinho e por toda a partilha que aqui tem ocorrido. Essa partilha pode continuar a existir. Será apenas diferente. De hoje em diante, diferente. 
Mas continuarei por aqui.
O mais importante sāo mesmo os nossos filhos. <3 



quarta-feira, 8 de julho de 2015

16 Meses e a Grande Novidade



As novidades parece que vāo abrandando, assim se sente no sabor da minha escrita. Nāo, nāo deixei de amar. Nunca, jamais, em tempo algum. A vida é que vai ganhando sabor e crescendo tanto quanto ela. Juntas. Juntos. O dia-a-dia também tem cada vez  mais encontrado o seu rumo e equilíbrio. O trabalho tem aumentado gradualmente e todos nós bem com tudo isso. Como se à vida ainda se acrescentasse mais luz e caminho. 

Hoje a Amália, o meu pequeno grande enorme amor, completou 16 meses. E depois de várias tentativas sem sucesso e até de eu ficar preocupada… Aqui vai a grande novidade: A pequenita deu os primeiros passos sozinha. Sem apoio, sozinha. Foi uma emoçāo enorme porque custou a acontecer. Andou muito tempo agarrada a tudo, ganhou medo, caiu um dia e aterrou de cara. Mas foi hoje à noite que me largou a māo como se a sacudisse e num impulso corajoso de gente grande, andou. Ria muito. Sabia da sua grande conquista. Sentia o seu enorme grande passo. De rosto iluminado, andou e ria, sorria. Assim fez e repetiu quase durante uma hora. Exausta queria continuar. Foi absolutamente uma festa. Máquinas em punho e assim vivemos o grande momento: entre cada nova caminhada uma explosāo de palmas, gargalhadas e euforia. 
Saiu-me um peso de cima… É que gravei na memória o número 17. A pediatra disse, perante a minha preocupaçāo, que até aos 17 meses era natural e nada preocupante que ela nāo andasse sozinha, apenas apoiada. Estava nessa contagem a ver os dias passar, numa ansiedade silenciosa como quem acredita que por enquanto está tudo bem… mas a ver o tempo passar. Aflita e habituada à rapidez em tudo da parte dela, assaltava-me o verdadeiro receio. Por isso foi uma festa. Uma enorme alegria. Faltou apenas lançar foguetes. Nāo tinha. Lancei com gargalhadas, lancei com emoçāo. Lancei, por dentro, mas lancei.

Saiam da frente que agora ela vai querer passar. <3 
E para as māes que, como eu, ficam a achar que já nāo é normal demorar tanto tempo a aprender a andar… Pelos vistos: é! Pode ser, sim. Vai chegar o dia de lançarem os vossos foguetes. 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Olhares. E a Perfeiçāo.

Desenho de Beatriz Cabrita

Olhares que nāo se esquecem. Era esta a frase que guardei junto de uma fotografia que tirei em S. Tomé e que me marcou. Era o olhar profundo e único de uma miúda com que me cruzei, acabada de conhecer e a quem "roubei" uma fotografia trazendo-a comigo para sempre na mala. Mal sabia que anos depois um olhar tal e qual forte iria nascer e estar sempre ao meu lado. Em minha casa, a olhar para mim. E até a olhar por mim.

Há coisas que nāo se explicam. O olhar é uma inexplicável dessas maravilhosas coisas. Ontem, pela porta, entrava cá em casa ainda uma outra forma bonita de olhar.

Eu explico: hoje aos 20 anos, visita-me a minha pequenita prima. Pois… Até por ela já passaram 20 anos. Eu sei. Cresceu. Vai vivendo fora, crescendo no mundo e nos intervalos volta.  Foi a primeira bebé que eu vi crescer. Eu tinha 15 quando ela nasceu. Cresceu bela, fez-se linda. Nasceu como os comuns mortais e como todos tornou-se maior. A diferença: tornou-se A melhor também. Cada vez que penso em perfeiçāo lembro-me dela. É, aos meus olhos, a mulher que define a palavra perfeiçāo. Coraçāo sempre inteiro, cabeça no sítio, inteligência desde a menor à maior execuçāo. Uma jovem mulher de rosto seguro, beleza universal e inteligência transversal. Trazia na māo um presente. Ontem. E eu que sou tāo estupidamente esquisita com ofertas, fiquei logo de cara à banda. Na entrada ainda lá está o meu coraçāo. Derretido. Espalmado pelo chāo.  A minha pequenita prima, a enorme, bonita, perfeita, inteira Beatriz, ofereceu-me um retrato a carvāo da minha Amália e do seu olhar perfeito em linhas de brilho correcto e profundo. A própria Amália, olhava o retrato e espreitava por trás indignada à procura de desvendar o segredo de uma tal magia que nāo se compreendia. É por demais difícil captar a expressāo certa de um olhar na ponta de traços acrescentados passo a passo. Mas neste olhar, retrato desenhado, ninguém mais tem lugar marcado. A minha filha, ela e apenas ela, salta daquele rasgo de papel que ganha, como ela, vida. 
Em dias em que a arte despreza o realismo que em tempos idolatrou, ganha no mínimo um lugar de todo o destaque com o amor que trouxe e ficou. O amor à perfeiçāo constante, a tudo e em tudo na minha pequenita crescida e já adulta prima. O amor no olhar profundo da minha filha. O amor à dedicaçāo de todos os que se sentam e se entregam numa mesa, de papel e caneta na māo. O amor ao tempo que vai trazendo sempre, mais e melhor, de todos que amo. Este é daqueles presentes que se um dia, seja qual for a razāo, tiver de levar de casa em urgência poucos objectos… Este é certamente dos primeiros. 

Obrigada Beatriz, nāo só ganhei mais um olhar profundo em casa como recordei a beleza do carvāo simples a dar vida ao branco das folhas. 
Hoje dizias… nāo vou por aí nem nunca pensei ir por aí. Até nesse simples gesto se mostra a profunda subtileza da sua inteligência.  Pois nāo se falava de arte mas de coraçāo.
O meu ficou cheio, obrigada. És a mais perfeita perfeiçāo. 
    

quarta-feira, 1 de abril de 2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

Prémio Liebster

Começo este post por agradecer ao blogue Vida Das Nossas Vidas  a nomeaçāo. Obrigada pelo Liebster Award.
Para quem nāo sabe o que é, fica a explicaçāo simples. O Liebster award é a nomeaçāo de um outro blogue. Para que serve? Para nomear blogues favoritos e aumentar a sua divulgaçāo. Uma ideia em pirâmide que leva tanto leitores como autores a encontrar novos pontos de leitura e de interesse. 
Fica o meu agradecimento e respondo ao desafio. 
Primeiro os 11 factos sobre mim que constam das regras, depois as respostas às perguntas do Vida Das Nossas Vidas:

1-  O Anita Mamā começou comigo grávida de 4 meses. Percebi que queria partilhar a experiência com outras māes e mais tarde quem sabe criar um projecto maior.  
2-  Admiro quem escreve todos os dias. 
3-  Viver fora é ganhar o mundo. Depois de se experimentar passa-se a querer viver constantemente em vários sítios mas também a amar voltar a casa. Nuns sonhos talvez experimente S. Tomé e Príncipe.  Noutros Nova York. Sou de contrastes. Londres foi maravilhoso mas nublado. 
4- Escrevo com o coraçāo e nāo com a literatura das palavras. 
5- O meu maior êxito? Nāo sei. Que esteja ainda para vir.
6- Os fracassos tento sempre vê-los com confiança e valor. Aprende-se muito com o que corre menos bem. 
7- Dos blogues favoritos: Casal mistério , Ma Petite Princesse e Home Styling
8- Gosto de partilhar estados de espírito. 
9- Viajar. Fotografar. Sempre. Muito. 
10- Um conselho… Dar apenas a quem pedir. 
11- O Anita Mamā… vai continuar, claro. Tem crescido com calma. A tendência é estruturar também profissionalmente o blogue. Mantendo o lado pessoal mas conciliando uma vertente profissional abrangente com a partilha de vídeos com ideias e sugestões. Desde roupa, decoraçāo, alimentaçāo e ilustraçāo. Num conceito de Do It Yourself.   

E as perguntas de quem me nomeou:

1. Como surgiu a ideia e o nome do blog?
Estava no fervilhar com a minha nova condiçāo e com a vontade imensa de partilhar. O nome veio por arrasto. Uma das minhas melhores amigas sempre me chamou Anita. É a única. Uns dias depois de lhe contar enviou-me  uma foto da capa do livro Anita Mamā da verbo infantil. É a nossa infância. O nosso imaginário. Ela nāo sabia ainda que eu estava a estruturar um blogue. Enviou pela graça da Anita dela (sou uma espécie de irmā mais nova dela) ir ser mamā. Nāo há coincidências. Ficou Anita Mamā. 

 2. O que significa para ti o teu blog? Que importância tem na tua vida?
Começou por ser uma partilha simples. Passou a ser muito mais. Estou com vários projetos associados ao blogue neste momento. 

3. Qual foi o livro que mais gostaste de ler até hoje? 
Vou responder a esta pergunta no contexto do blogue. Ou seja, virado para uma temática mais maternal. 
O Principezinho. É um livro fundamental. "És eternamente responsável por quem cativas" 

4. Qual foi, até hoje, a viagem da tua vida? 
Tenho viajado muito. Apesar de ter tido viagens muito marcantes como S. Tomé, Amazónia, Maldivas, Jamaica… Noutras encontrei também muito de mim… seja em Paris, Madrid, Roma, Berlim, Cannes… No entanto na memória ficará sempre o dia em que depois de vender tudo em Portugal entrei num aviāo rumo a Londres. Onde vivi 3 anos. Na altura vendi tudo e deixei tudo. Tinha uma vida muito estruturada cá. Fazia televisāo há mais de 10 anos e foi marcante ir embora. Será sempre. Existe o antes e o depois dessa mudança. Lembro-me de tremer no aeroporto como uma menina pequenina. Ia completamente sozinha. Foi ao mesmo tempo o mais fascinante e o mais assustador dos momentos. Cresci. 

5. O teu maior desejo para este ano?
Desejo continuar a crescer com a minha pequena Amália. Com este amor inteiro. 

Por fim, gostava de nomear:

Boas leituras, bons blogues, boas descobertas. <3 

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Lado Melhor Da Vida



- Tá?! Tá?!
Todos os objectos passaram a poder ser um telefone. Estamos na fase da aprendizagem da linguagem. A imitaçāo. O som. O reproduzir o que ouve. Tentar. 
Começou a tentar. Um telefone toca, ou nem precisa, e de olhar fixo e concentrado olha-me. No seu tempo certo, no dela, no tempo que entende diz: Tá? Tá? Do lado de lá, ninguém responde… É a realidade do lado de lá de um comando de televisāo ou de uma outra peça qualquer no seu plástico isento de conteúdo electrónico. 
Já se percebe também o quanto a personalidade vai ganhando forma. O processo é demais. Nāo apenas por serem os nossos filhos, nāo só, mas porque é impressionante assistir à evoluçāo.  Passou um ano apenas. Sem ainda um domínio mínimo da fala, comunicamos tudo. Entendemos quase tudo. Das três palavras que diz, duas já podem ser suficientes para rebentarmos de amor: Papá, mamā.    
Papá que era Dada, passou rápido a ser papá. Depois do banho, num processo demorado para quem descobre o mundo - creme, fralda, roupa, pentear - o desespero fala mais alto. Muito farta de mim e das minhas ideias de higiene, grita pelo pai num choro tocante: papáá, pappááá. Vezes sem conta. Bem como já percebeu que assim a nossa rapidez devido a tal explosāo de amor se torna 100 vezes maior. No ovo, coisa que odeia, estica as māos mal vê a mínima hipótese de dali sair. Estes sāo exemplos simples entre mil. Aponta para tudo o que quer, para tudo o que lhe desperta interesse. Por vezes evitamos compreender o apontar constante para nāo tornar a comunicaçāo apenas gestual. Temos esta ideia de que há que incentivar a fala. 
Dos dentes… Nada. Apenas altos e baixos ao longo das gengivas inteiras.  Habitualmente aparecem à vez… Com ela nāo me parece. Vêm todos aí. Todos ao mesmo tempo. 
Em fase de experiências, coisas novas, fomos à praia. Nāo pela primeira vez mas fomos experimentar pela primeira vez a areia. Dizem que habitualmente estranham, nāo gostam. Pois nāo pareceu. Adorou. Adivinha-se um verāo alegre de construções de areia a tocar o céu. 
Foi bom. Tem sido bom. O lado melhor da vida. 






quinta-feira, 12 de março de 2015

Ouvir Mamā


É uma espécie de calafrio emocionante. Os braços estendem-se em direcçāo a nós… Tudo natural até aí. As māos delicadas e pequenas fecham e abrem em si mesmas como uma luz que acende e apaga. Repentinamente. E surge o som: Ma-mmmā. 
Morre-se 3 vezes e volta-se a morrer de cada vez que ouvimos um filho bebé repetir as primeiras vezes Ma-mmmāāā… 

Era de manhā. Uma fralda suja. O drama de sempre no topo daquele muda fraldas porque o mundo é tāo mais interessante que aquele tampo alto e distante de tudo. Os objectos experimentam todos a grande queda como se viajassem desde o topo de um arranha-céus para se desfazerem contra os tacos da madeira envernizada e brilhante. Puf. Lá vai um frasco da primeira água. Pufas. 
Lá vai a colónia. Os dodots. A escova. Tudo. Nada escapa aos testes da lei da gravidade. 
Acabam-se os objectos à māo de semear. E a fralda que nunca mais acaba. 
Resto eu. Restamos nós. 
Os sorrisos trocados. Olhos nos olhos. Aqui foi: Ma-mmmāā. 

Uma. Duas. Três. Três vezes disse. Três vezes caí para o lado. 

Nāo se trata da proeza de dizer simplesmente mamā. Dizer já disse antes várias vezes. Mas sempre repetindo a voz do pai ou a minha. Deixando eternamente a dúvida se saberia o que estava a dizer. Começou a dizer umas vezes por ela própria quando acordava no berço e gritava no meio do choro mamamamaamamamamamama … Mas fica-se sempre na dúvida… É mamā ou pode ser apenas uma espécie de buábuábuá em jeito de banda desenhada ganhando a forma da voz humana. 

Dúvidas distantes. Desfeitas.
Ontem disse. Sem equívoco. Hoje tornou a repetir. Sem equívoco. 

A forma de confirmar é simples. Basta sair do seu campo de visāo e voltar a entrar. Hoje ela dizia ma-mmmā e eu saí do quarto uns segundos. O pai com ela nos braços. Ficaram a observar a porta. Quando abri e entrei. Os braços estenderam-se e repetia Ma-mmmā Ma-mā ma-mā… atirando-se em voo. 

Meu amor, sou… Sou a mamā. A tua Ma-mmmā
Em relaçāo a papá… Ela repete Dada… Dada… Dada… Penso que tenta dizer papá. 
Mas o Pedro só dá como certo quando for com as letrinhas todas… Diz a avó em jeito de ternura "Oh Pedro ensine lá a dizer daddy que é rápido" :) 

Mamā e Dada contentes com os passos da linguagem. 
É incrível o desenvolvimento da comunicaçāo.  

segunda-feira, 9 de março de 2015

Este Eterno Dia de Sol



Passou um ano. Cantar pela primeira vez os parabéns. 
Arrepios de amor. Sensaçāo de calor. 
Foi dia de festa, sim. Uma data querida, também. 
Cantaram as nossas almas. Sim, todos, todas. 
As que estavam e as que nāo estāo mais. 
Muitas felicidades, toda a do mundo. 
Muitos anos de vida, anos inteiros, cheios, repletos de alegria. 
Para a menina Amália todas as salvas de palmas.
Será sempre um eterno dia de sol, este e todos os dias 07 de Março.  




















Para trás ficou o mês inteiro de Fevereiro. 
Mês que tanto trouxe. Mês que tanto Levou.
Dias de trabalho intenso. Dias de perda que lembro.
Dias que o amor somou e eu acrescento. 
Dias que o amor perdeu e Fevereiro passou.
Como quem lava a alma e sabe
 O mundo vive neste contraste da despedida com o futuro eterno à chegada.

Amália, meu amor, acredito que a vóvó Fernanda também esteve na tua primeira festa 
pois em nós permanecem as felizes recordações de tudo o que viveu.  




















sábado, 7 de fevereiro de 2015

11 Meses



Há um ano uma barriga feita balão avançava-me gigante no espaço. Chegava sempre antes de eu entrar, a todo o lado. Chegava, chegava e depois lá chegava eu. Incrivelmente enorme e merecedora de toda a minha atenção. Abraçava-a a toda a hora no receio do andar não a aguentar. De dia. De noite. Quieta... numa espécie de sussuro para não a incomodar. De dia, não andava, arrastava-me. Sem saber nada de especial desta vida, nada de nada, ansiava no pânico deste futuro. O futuro que é hoje. 
Era eu capaz de cuidar e proteger um pequeno e delicado bebé? Era eu capaz de tomar conta e aprender  todo o dia a cada passo? Claro que era. Somos todas. Basta querer. 
Na altura desenhava-lhe o rosto, descrevia-lhe a alma. Para quê? Nem sei bem… Porquê? Sāo nossos filhos. Nāo precisamos saber escolher. Longe de precisar… Nāo queremos. Sāo nossos, basta serem. 
Doze meses depois de tamanha barriga cheia de sonhos, onze meses de realidade viva numa vida cheia de melhor e ainda maior. 
Onze meses. 
Impressionante. Uma barriga que num ápice bateu asas e voou. Agora está, amanhā já nāo. 
Barriga ao lugar, braços cheios, abraços intensos, barrigadas de amor. Vida perfeita de imperfeiçāo de sol e luar.
Onze meses, onze relatos de dias cheios, malucos, intensos, perfeitos, loucos. 
Onze meses, onze listas de descobertas, incríveis, perfeitas, imperfeitas, amadas, desorganizadas, malucas, engraçadas, loucas, quietas e inquietas. 
Onze meses de ti e de nós, meu amor. 





quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

10 Meses


Para ti, todos os poemas todos os dias. 
Hoje: 10 meses. 
O tempo não passa porque não se trata de passar. Acrescenta. O tempo acrescenta, acrescenta-se e acrescenta-nos.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Tu...


Em dias em que o mundo inteiro podia desabar, resta a certeza das coisas - Tu. 
A foto vem tarde mas sempre a tempo. Nem só de aniversários se fazem os parabéns. 


domingo, 12 de outubro de 2014

De Meu Nome... Mamā




Há quem diga que já se percebe nitidamente: mammmãããã. 

Com receio do entusiasmo precoce, nego. 
Nem pensar. Que seria?! Com sete meses e a dizer mamã! Impossível. 

A verdade é que um destes dias estava a dormitar no sofá e a pequena Amália ao meu lado, serena no seu parque a esbofetear amigavelmente os seus brinquedos... 
Eu não dormia. Dormitava. Pensava na vida.

Quando ouvi assim... mammmmããã! mammmmmããã!

Abri o olho em sobressalto! Não pode ser!?!?!??
Incrédula olhava para ela e ela para mim. De gatas e olhar fixo repetia: mammmmããã! E sorria. 
Eu em histeria absoluta peguei nela ao colo e repeti bem à vontade 100 vezes: mammmããã. 

Desde esse dia cá em casa, ao longe e como quem nāo quer a coisa, vou ouvindo o Pedro de fundo: papá, papá, papá, papá. Paaaaaapppppááá.  
A Amália responde: Gugudadá ...
E o Pedro: Papá, papá, papá, pa...pá, pppppaaaa...pá... Papá..
Estou na brincadeira e no meu característico exagero... Para o Pedro tenho a certeza que se for "Mamā" que a pequenita diz que o deixa igualmente orgulhoso e feliz. <3  

A verdade é que certamente ainda nāo diz nem papá nem mamã.
Mas nāo resisti a partilhar convosco estes nossos devaneios.
Vamos lá deixar de loucuras... É que são ainda apenas 07 meses. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Vale Tudo Menos Papa





Vale tudo. Desde ver a vista, fazer do braço da cadeira o parapeito da janela, brincar de lagarto cansado, esfregar olhos, arrancar babetes... Tudo. Vale tudo... Só não vale comer a papa.

"-Papa???!!! Mãe... Há qualquer coisa que te está a escapar... Isto!!! Isto está estragado... Não vês?" 
Vejo no balāo animado o pensamento dela. 
Incrédula fixa-me. Como quem pergunta "māe, o que estás tu a fazer?" Até se atira para o lado. 
"Foste enganada, mãe. Isto... Esta coisa... Isto está esquisito! O meu leite não é consistente nem se come com colher. "

Estou bem arranjada com isto... Nem o nosso galo bom cantor dá conta deste recado. 
Minha pequenita vamos ter que nos habituar. No início com a sopa também quase chamaste a polícia. 
... Vamos ver se desta vez temos de fazer isto com os bombeiros...




sexta-feira, 8 de agosto de 2014

5 Meses


Ao dia 07 de Agosto 2014 - 5 meses. 

Tudo o que havia de mais difícil passou. Fica o que é para sempre. O que valerá sempre a pena lembrar. Para trás as cólicas que nos violentaram os dias e as noites. Que me revoltaram com a tua dor, a tua agonia. Que me fizeram desesperar, falar sozinha, irritar com o mundo. Para trás. Esquecido. Bem como os medos de uma vida de pânico sem me organizar. Para trás. Passou. Lá  ficou.  Longe também ficaram os tabus que as māes escondem, nāo dizem... O quāo difícil é, o quanto assusta, o quanto custa... Nunca escondi. Mas para trás. Lá ficou. Passou. Valeu tudo. Vale tudo.

Rotina instalada. Vida organizada. Prova superada. Agora: viver. 
A nossa vida. Juntas.
Toma. A minha é tua. Ofereço-ta. Ficas com o que quiseres de mim. Uma parte. Todas as partes. É assim. Ser māe é ser com os filhos todas as partes. Inteira.

És agora a calma que eternamente me faltou. 
O sorriso desconcertante que arrebata corações... 
Da mercearia ao café, do banco ao talho, da portagem à oficina, do restaurante à gelataria, de casa ao infinito. 
Distribuis os sorrisos que a tua māe tantas vezes guardou. 
Passo a passo. Um a um. 
Falas mais que oradores. 
Tens mais sentido que orientadores. 
Comunicas mais que muitos comunicadores. 
Observas mais que o mais atento dos observadores. 

Agora vamos conhecendo que mais o mundo te reservou. 











terça-feira, 8 de julho de 2014

4 meses, 123 dias, 2952 horas


                                             4 meses, 123 dias, 2952 horas, 177120 minutos


Pode parecer matemática mas de matemática tem pouco.
Para muitos a vida continua como era, como sempre foi. 
Para tantos nem um segundo se perde a questionar os dias.
Para outros isto de "ter filhos" e escrever sobre isso nāo passa de uma "parva piroseira"
Para esses... Nem sabem o que perdem. Nāo pelos meus pirosos textos, claro. Mas por isto de "ter filhos".
Para esses... também o que perdem pelo prazer das palavras que sobre isso se escrevem.

"Isto" de ser māe, "isto" de ter um filho, transforma-nos. 
Muda-nos. Vira-nos. 
De dentro para fora. De fora para dentro. 
De pernas para o ar. De "ponta a cabeça". 
Da direita para a esquerda. Da esquerda para a direita. 
De fora para dentro. E tudo o mais que houver. 

Ficamos pirosas? Ficamos. 
Ficamos diferentes, lamechas, esquecidas, cansadas, loucas, chorosas, divertidas, lindas, sensíveis, felizes, maiores, melhores, enormes? Ficamos. E tudo o mais que houver.

Ainda "ontem" na maternidade... Ainda "ontem" com medo do que seria, do que viria a ser, do que se tornaria ou poderia ser. Ainda ontem nada sobre fraldas, cueiros e chuchas... Ainda ontem a kms de distância onde o futuro se prometia. Ainda ontem sentia que já seria tarde demais para mim. Ainda ontem temia, imaginava e receava que nada disto fosse para mim. 

Aos teus 4 meses e depois de uma vida tāo cheia, mas tāo cheia, tāo enriquecedora, tāo diversificada, tāo bonita quanto estranha, tāo sozinha quanto acompanhada, tāo fácil quanto difícil, tāo maravilhosa quanto frustrante, tāo de sonho quanto de verdadeira, tāo fascinante quanto desesperante. 

Depois dessa vida... Ganhei ainda outra. 
Obrigada.
Tu. 
E agora 4 meses de nós.

Lembro muito ultimamente os meus momentos mais difíceis antes de ti, lembro muito ultimamente os meus momentos mais felizes antes de ti. Como uma espécie de balanço ou inventário. 
Pode parecer tolo ou estúpido, mas a vida defini-se nesse antes e depois de ti. 
Lembro porque essa vida que vivi até ti foi... sei hoje... A construçāo sólida da minha estrutura para agora ser capaz de olhar por ti. 

É esse o marco enorme e simplesmente maravilhoso que fica: 

O antes de ti passar a ter ainda mais sentido depois de ti. E o depois de ti ser para sempre contigo ao meu lado aqui. 
Obrigada












segunda-feira, 2 de junho de 2014

O Primeiro 1 de Junho


Foi com esta flor de papel que fomos recebidos, um bolo e uma decoraçāo particular...
A prima Sofia com cinco amorosos anos tinha-nos preparado uma surpresa.
Quando se perguntava quem eram os bonecos que tinha colocado no bolo, respondia prontamente: 
"- Sou eu e a Amália."

Palavras para quê? O mais bonito no mundo sāo mesmo as crianças. 
A Sofia e os seus 5 anos também encantaram a tarde com cantorias confortantes para qualquer pequena ou maior agitaçāo da Amália. 
Obrigada crescida Sofia por mostrares como se deve aproveitar o tempo, passa tāo rápido... Ainda há pouco te vimos nascer... Obrigada pelo bolo e por todas as canções.
Que todos os cinco anos fossem como os teus. 
O mundo seria tāo mais bonito e feliz. 
E feliz, que feliz... 
Obrigada





segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Meu Primeiro Dia



O meu primeiro dia, a minha primeira celebraçāo. Dia da māe 2014: dia 4 De Maio 2014. 

Até hoje neste dia vestia umas calças de ganga, uns tenis e ia. Acordava com um olho aberto e o outro fechado e ia. Entrava na banheira no último segundo ainda a dormitar debaixo de água e ia. Sensaçāo igual a correr entre a rega nos campos em flor onde o ar quente e puro contrasta com a água refrescante que nos encharca. E ia. 
Uns anos com flores na māo, fui. Outros anos com presentes, fui. Outros sem nada, fui. Outros vivia no estrangeiro, telefonava e chorava, por estar longe... nāo fui. 
O normal na vida de um filho. A vida descontraída de se ser apenas filho.

Fui, e continuo a ser, uma filha feliz. No entanto mudei. Mudei muito. Mudou quase tudo. 

Nāo, nāo deixei de ser uma filha feliz. Nunca. Nāo, nāo deixei de ser filha. Nunca.
Agora māe apenas deixei de lado a grande descontraçāo de ser apenas "filho". 

Ser māe nāo é acordar e dormitar debaixo de água. 
Hoje acordo a todas as horas se assim for preciso. Sem dormitar, sem os ditos banhos refrescantes. Visto as mesmas calças de ganga. Calço os mesmos tenis. Nāo por descontraçāo mas por falta de tempo. Corro pela casa com a lista memorizada de uma quantidade enorme de coisas que nāo posso esquecer antes de sair. 
Onde ficou a descontraçāo? 
Nos primeiros tempos em lado nenhum. Entre fraldas e dodots a descontraçāo torna-se pouca. Ou mesmo nenhuma. Mas existe. Vai crescendo. Aumentando. 
Deixou de ser a mesma para se transformar em outra coisa. A descontraçāo de "filho" desaparece quando damos início à preocupaçāo de "māe". 

Hoje, no meu primeiro dia da Māe, sei, percebo, aceito e agradeço que: 
Nāo mais vou dormir como dorme um filho. 
Nāo mais vou existir como existe um filho.
Nāo mais vou decidir como decide um filho.
Nāo mais farei nada, mas nada, como faz simplesmente um filho. 

Ser māe é saber isto e nisto encontrar a maravilhosa descontraçāo de māe. Uma nova descontraçāo... diferente, outra, nada igual... Mas maravilhosa. Cada vez melhor.
Este é o trabalho mais difícil. O caminho mais longo. Mas trilhado por milhões de mulheres neste mundo. Será esse o meu maior sucesso enquanto māe: 
Deixar ir de vez a descontraçāo de "filha" e encontrar em mim a descontraçāo de "māe". 
Todos os dias o caminho é novo, desconhecido. Mas todos os dias é maravilhoso, apetecido.  

Ser māe nāo é deixar de ser "filho". Nāo deixarei nunca de ser filha, nem quero. 
Mas ser māe é passar a ter uma vida diferente no mundo. E em nós. Connosco e dentro de nós.

Até ser māe, era apenas filha e isso era tudo o que conhecia. 
Agora sou māe, e isso é muito mais do que o que conhecia. 

Feliz māe. Feliz dia. 
Obrigada Amália, minha Mel, fizeste de mim māe. Tua māe. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Parabéns, māe

Foto: Māe com o meu irmāo, Miguel, ao colo

10 de Abril,
é e será sempre a data da minha māe. 

Foi num dia 10 de Abril que a minha avó foi mais uma vez māe. E hoje, pela primeira vez, eu filha, percebo que a minha māe também nasceu um dia. A minha māe também cresceu ao longo da vida. A minha māe, tal como eu, também carregou um recém-nascido. Dois. E fez dele adulto, homem, crescido. De mim, adulta, mulher, crescida. O meu irmāo. Eu. 
Foi num dia 10 de Abril que nasceu a minha māe. A pequenina minha māe. 

Só hoje sei o que é sentir um filho crescer dentro de nós. Só hoje entendo melhor, tāo melhor, tāo bem, tāo maior, o que é o fabuloso amor de māe. 

Hoje, neste especial 10 de Abril deste ano... Penso melhor em ti, māe. No que terá sido, no que foste, no que fizeste. Porque antes de ser minha māe também nasceste, foste bebé, menina, mulher. 

E penso na avó. A avó. A avó. 
E em ti... Pequena, pequenita, menina, graúda, crescida, mulher. 
E nos meus tios: teus irmāos, irmās, pequenos, pequenitos, graúdos, homens, mulheres. 

Quando se olha para a nossa própria māe há tendência para ver apenas: a māe. Como se a vida dos pais tivesse começado apenas no dia em que nascemos. Esquecemos que para trás está o que nāo presenciámos, o que desconhecemos, o que nāo vivemos. A vida da māe antes de nós nascermos já era uma grande vida. Fazemos confusāo. Nāo sabemos. Ou melhor, nāo lembramos.

Pois hoje faço questāo: celebro a vida da minha māe. Toda a vida da minha māe.
Parabéns māe. No dia 10 de Abril, a avó era mais uma vez māe. Tua māe. 

Minha māe... Parabéns à minha māe.