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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Hora Do Banho


Com dias ou meses choram desalmadamente na hora do banho. Aquele arrepio, aquele desconforto do desconhecido. O tempo passa, o problema vira outro… 

- Amália, temos de sair do banho!
- Na! Na! Na!
- Amália, meu amor, nāo se pode viver dentro de água. Anda lá!

E nisto, inicia-se todo um processo de adeus, tchau, buy buy. É precisamente nesta altura que eu penso todos os dias o mesmo: ela gosta mesmo de água. Ela gostava de viver dentro de água. 
Encharcada, divertida no seu chap chap com o pa, mais conhecido por pato, diz-me adeus várias vezes e de todas as formas e feitios, na esperança genuína de me ver pelas costas. Na esperança amorosa de simpaticamente me explicar: 
- Māe, nāo é preciso chegar aos 16, esta tarefa já seria muito melhor sem ti aqui…  

Claro que é precisamente na altura em que tenho de pegar nela ao colo para a tirar e embrulhar na toalha. Os próximos minutos sāo sofridos. Os dela e os meus. Ela chora horrores com a sentida separaçāo "infinita" destas 24 horas até ao próximo banho, e eu fico no sufoco do choro dela por ter de a contrariar. Claro.

Ouvi, li e vi birras… Se vi, se li, se sei, se as fiz… 
Quero agora tirar um mestrado para saber como lidar com elas. Sinto que estāo mesmo aí.
Socorro… Por agora é a hora do banho… E amanhā? Ou depois… 
Tenho de me preparar. 



sábado, 19 de setembro de 2015

Adeus Fralda


Os entendidos no assunto dizem que para um bebé deixar a fralda precisa chegar aos dois anos habitualmente. Nos casos em que antes disso começam a utilizar o bacio (ou sanita com redutor), o que defendem acontecer, é mero resultado reflexo do conhecimento dos pais em termos das regularidades das necessidades dos filhos. Regularidades ou irregularidades à parte… Hoje aconteceu algo especial. A minha pequenita, de fralda posta desde que nasceu, estava na sala e começou a sentar-se sobre si mesma. Parecia um gesto reflexo para se sentar num bacio imaginário. Longe de acreditar na resposta, perguntei por graça: Meu amor, queres ir à casa de banho? Fiquei de queixo à banda quando a resposta foi - simmmmmmmmm. Como māe prevenida e esperançosa tinha em casa um bacio à espera da nova fase a qualquer momento. No fundo do meu pensamento estava sempre um "nāo pode ser!". 
Pode, ai isso é que pode. Nāo interessa nada entrar em grandes detalhes. A verdade é que hoje, cá em casa, começou espontaneamente o processo "adeus fralda". Espantem-se os entendidos ou nāo… Aos 18 meses é possível. Com 18 meses dizem pouco, entendem muito, respondem a tudo. 
Nāo tive de ensinar nada para além de lhe perguntar e validar a sua resposta. 

Hoje foi o primeiro dia. É de rir, mas cá em casa foi mesmo uma festa. 
E que mal tem? Para uma boa festa é apenas preciso uma excelente razāo. 
Foi assim a festa do "Adeus fralda"




quarta-feira, 8 de julho de 2015

16 Meses e a Grande Novidade



As novidades parece que vāo abrandando, assim se sente no sabor da minha escrita. Nāo, nāo deixei de amar. Nunca, jamais, em tempo algum. A vida é que vai ganhando sabor e crescendo tanto quanto ela. Juntas. Juntos. O dia-a-dia também tem cada vez  mais encontrado o seu rumo e equilíbrio. O trabalho tem aumentado gradualmente e todos nós bem com tudo isso. Como se à vida ainda se acrescentasse mais luz e caminho. 

Hoje a Amália, o meu pequeno grande enorme amor, completou 16 meses. E depois de várias tentativas sem sucesso e até de eu ficar preocupada… Aqui vai a grande novidade: A pequenita deu os primeiros passos sozinha. Sem apoio, sozinha. Foi uma emoçāo enorme porque custou a acontecer. Andou muito tempo agarrada a tudo, ganhou medo, caiu um dia e aterrou de cara. Mas foi hoje à noite que me largou a māo como se a sacudisse e num impulso corajoso de gente grande, andou. Ria muito. Sabia da sua grande conquista. Sentia o seu enorme grande passo. De rosto iluminado, andou e ria, sorria. Assim fez e repetiu quase durante uma hora. Exausta queria continuar. Foi absolutamente uma festa. Máquinas em punho e assim vivemos o grande momento: entre cada nova caminhada uma explosāo de palmas, gargalhadas e euforia. 
Saiu-me um peso de cima… É que gravei na memória o número 17. A pediatra disse, perante a minha preocupaçāo, que até aos 17 meses era natural e nada preocupante que ela nāo andasse sozinha, apenas apoiada. Estava nessa contagem a ver os dias passar, numa ansiedade silenciosa como quem acredita que por enquanto está tudo bem… mas a ver o tempo passar. Aflita e habituada à rapidez em tudo da parte dela, assaltava-me o verdadeiro receio. Por isso foi uma festa. Uma enorme alegria. Faltou apenas lançar foguetes. Nāo tinha. Lancei com gargalhadas, lancei com emoçāo. Lancei, por dentro, mas lancei.

Saiam da frente que agora ela vai querer passar. <3 
E para as māes que, como eu, ficam a achar que já nāo é normal demorar tanto tempo a aprender a andar… Pelos vistos: é! Pode ser, sim. Vai chegar o dia de lançarem os vossos foguetes. 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Olhares. E a Perfeiçāo.

Desenho de Beatriz Cabrita

Olhares que nāo se esquecem. Era esta a frase que guardei junto de uma fotografia que tirei em S. Tomé e que me marcou. Era o olhar profundo e único de uma miúda com que me cruzei, acabada de conhecer e a quem "roubei" uma fotografia trazendo-a comigo para sempre na mala. Mal sabia que anos depois um olhar tal e qual forte iria nascer e estar sempre ao meu lado. Em minha casa, a olhar para mim. E até a olhar por mim.

Há coisas que nāo se explicam. O olhar é uma inexplicável dessas maravilhosas coisas. Ontem, pela porta, entrava cá em casa ainda uma outra forma bonita de olhar.

Eu explico: hoje aos 20 anos, visita-me a minha pequenita prima. Pois… Até por ela já passaram 20 anos. Eu sei. Cresceu. Vai vivendo fora, crescendo no mundo e nos intervalos volta.  Foi a primeira bebé que eu vi crescer. Eu tinha 15 quando ela nasceu. Cresceu bela, fez-se linda. Nasceu como os comuns mortais e como todos tornou-se maior. A diferença: tornou-se A melhor também. Cada vez que penso em perfeiçāo lembro-me dela. É, aos meus olhos, a mulher que define a palavra perfeiçāo. Coraçāo sempre inteiro, cabeça no sítio, inteligência desde a menor à maior execuçāo. Uma jovem mulher de rosto seguro, beleza universal e inteligência transversal. Trazia na māo um presente. Ontem. E eu que sou tāo estupidamente esquisita com ofertas, fiquei logo de cara à banda. Na entrada ainda lá está o meu coraçāo. Derretido. Espalmado pelo chāo.  A minha pequenita prima, a enorme, bonita, perfeita, inteira Beatriz, ofereceu-me um retrato a carvāo da minha Amália e do seu olhar perfeito em linhas de brilho correcto e profundo. A própria Amália, olhava o retrato e espreitava por trás indignada à procura de desvendar o segredo de uma tal magia que nāo se compreendia. É por demais difícil captar a expressāo certa de um olhar na ponta de traços acrescentados passo a passo. Mas neste olhar, retrato desenhado, ninguém mais tem lugar marcado. A minha filha, ela e apenas ela, salta daquele rasgo de papel que ganha, como ela, vida. 
Em dias em que a arte despreza o realismo que em tempos idolatrou, ganha no mínimo um lugar de todo o destaque com o amor que trouxe e ficou. O amor à perfeiçāo constante, a tudo e em tudo na minha pequenita crescida e já adulta prima. O amor no olhar profundo da minha filha. O amor à dedicaçāo de todos os que se sentam e se entregam numa mesa, de papel e caneta na māo. O amor ao tempo que vai trazendo sempre, mais e melhor, de todos que amo. Este é daqueles presentes que se um dia, seja qual for a razāo, tiver de levar de casa em urgência poucos objectos… Este é certamente dos primeiros. 

Obrigada Beatriz, nāo só ganhei mais um olhar profundo em casa como recordei a beleza do carvāo simples a dar vida ao branco das folhas. 
Hoje dizias… nāo vou por aí nem nunca pensei ir por aí. Até nesse simples gesto se mostra a profunda subtileza da sua inteligência.  Pois nāo se falava de arte mas de coraçāo.
O meu ficou cheio, obrigada. És a mais perfeita perfeiçāo. 
    

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Que Somos e O Que Damos?



Hoje de noite ouvi ao longe o choro de um recém-nascido. Estes serāo os dias difíceis que se calculam para os pais de uma pequenita recém-vizinha. Para quem vive ao lado, em baixo, ou seja onde for, incomoda zero. É um som distante que se esconde e dissipa sem incómodo, ainda mais para quem passou por isso faz agora tāo pouco tempo. Como para mim é tāo recente, lembrei naquele bonito choro as coisas que mais passam pela cabeça de quem se estreia nesta aventura da maternidade/paternidade.

Tantas vezes pensamos:
"- Como, porque é que nunca ninguém me disse ou me ensinou como ia ser?" 
Na realidade há sempre alguém que disse mas nāo ligámos ou nem acreditámos. 
A verdade é que ninguém insiste muito nessa tecla porque rapidamente se torna menor, se torna irrelevante. Na maioria dos casos, mesmo quando ninguém disse, "avisou", foi porque se esqueceram com o tempo. Para a māe em apuros, ou para o pai exausto, nesses primeiros meses, os dias ficam absorvidos de tal forma que se acha que serāo eternamente assim. Imagina-se uma espécie de 24horas non stop até se morrer.  Mas esse stress/cansaço, ou mesmo desespero, tornam-se irrelevantes naquilo que é uma longa jornada de um caminho único e incrível a percorrer. 

"- Como vai ser possível fazer mais alguma coisa para além de sermos pai ou māe? Como vai ser possível voltar a encaixar o eu e o nós?" 
Simplesmente vai. Mais cedo ou mais tarde, vai. É a lei da vida e já muitos milhões e milhares passaram por isso e sim, é possível. Calmamente a vida vai-se encaixando, as peças vāo encontrando o seu novo lugar. Nalguns casos poderá ser mais demorado que noutros, mas vai. 
Tudo se volta a ordenar. A encaixar. Com a mesma naturalidade com que se desordenou.     



"- Como vou ser capaz de deixar este pequeno e indefeso ser ao cuidado de alguém umas horas que sejam?" 
A necessidade de o fazer pode ser bem mais rápida do que o que se prevê. Cedo ou tarde vai ter de acontecer. E nāo há māe normal que o faça sem sentimento de culpa. Maior ou menor, mas sempre lá. Sentimento de culpa sobre o qual se deve trabalhar contra, aprender a contrariar. A deitar para trás das costas. "Os filhos nāo sāo nossos" como se diz por aí. Nāo sāo, no sentido em que nāo nos pertencem como propriedade. A nossa missāo é amparar-lhes o caminho, mostrar e ensinar o mundo. Mas nāo é apenas a nossa missāo. Há mais responsáveis por isso no nosso mundo. A começar pelos avós, pelos tios, pelos primos. Pela família. Pela escola. Um filho é tāo mais feliz lidando com o equilíbrio entre tudo isso. O balanço certo. Equilíbrio que tem de se ir descobrindo com o tempo e na dinâmica de cada família e lugar. Demora tempo, traz questões, dúvidas, ansiedades, sim. Mas encontra o seu encaixe certo inevitavelmente. 

"- Serei capaz de ser māe e trabalhar? Serei? Como?"
Esta é provavelmente a mais recorrente das questões. A resposta certa é: sim, claro. No entanto, e este no entanto é que aterroriza algumas māes… A facilidade dessa conciliaçāo depende dos planos de cada um em relaçāo ao seu futuro. Ser māe é absolutamente compatível com ser uma boa profissional. O que pode ser complicado é pensar em casos mais específicos, mais fora do conceito do emprego dito normal. Por exemplo, nos casos que envolvam viagens, outros países, distância. Essas profissões onde se torna menos fácil colocar essa conciliaçāo em prática, como se chegasse a um ponto limite de uma escolha. É menos fácil, é. Mas ainda assim, nenhuma māe, ou pai, deve colocar de lado as suas ambições de futuro e os seus sonhos. Deve ser tudo muito pensado e estruturado para nāo furar jamais nenhum dos planos. Ser menos fácil é apenas isso. Menos fácil. Nāo significa que seja impossível. Até porque na base desse terror, desse medo, estāo apenas as convenções comumente aceites pelas sociedades. Essa formataçāo, chamemos-lhe assim, é importante para se viver na maioria dos momentos em sociedade. Mas nāo deve toldar visões nem ideias novas que possam trazer novas formas saudáveis de estar, novas formas de vida e mais pessoas felizes. Nesta vida tudo é relativo. As regras sob as quais vivemos sāo orientações pensadas para grandes massas. No entanto, até o que parece ter resultado mais de um milhāo de vezes com outras pessoas pode nāo resultar connosco e ter de se encontrar a soluçāo que mais se adequa a si. A sua soluçāo. Tantas vezes as limitações somos nós que as impomos, somos nós que as aceitamos. Entregando-nos a raciocínios derrotados. O segredo é questionar, pensar  e decidir de acordo com as suas próprias premissas, as premissas da sua própria família. 
O resto, é apenas o que costuma acontecer. Nāo significa que seja o certo. 

"- Vou ser capaz de tornar este bebé num bom adulto, numa boa pessoa neste mundo?"
Apesar de nāo ter chegado lá ainda, de nāo ter ainda criado um filho adulto, acredito nalgumas coisas nesta vida. Se há coisa em que acredito é que as acções sāo provocadoras de reacções. Uma boa educaçāo leva a bons resultados. Claro que há  mais condicionantes que se podem colocar no caminho. Nada é tāo linear assim. Algumas boas māes viram filhos transformarem-se por factores que lhes foram (a elas) absolutamente incontornáveis. Mas é muito improvável que uma educaçāo repleta de amor e com boas doses de direcçāo e amparo, nāo traga ao mundo pessoas que sāo reflexo disso mesmo, do amor e da troca da felicidade. 


A melhor forma de ter um filho feliz é ser feliz. Para ter um bom filho, é um bom começo ser-se um bom pai, uma boa māe. Para criar um bom cidadāo, é um bom começo ser-se um. 
O que somos e o que damos, fará deles também o seu futuro.  
 A maternidade é a mais bela das coisas da vida.   

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Dente


Imagem de Tulipa Baby


Chegou como quem diz "estavam a achar que eu nāo vinha?" 
O primeiro dente chegou, finalmente.
Estávamos. Na realidade até estávamos a achar que nāo vinhas. 
Apesar de nāo conhecermos bebés sem dentes. É facto que vieste tarde. Para mim entāo que já imagino e vejo dentes desde que a pequenita nasceu… 

Oh dente… Tens de perceber que estava um bocado aflita. Chegaste ao ano e dezoito dias… E ainda és só o primeiro. Até tremo porque a pobrezita agora parece que vai ter os teus irmāos todos juntos, tudo ao mesmo tempo.

Oh dente, és um amor. Solitário e perdido num sorriso doce e rasgado. Já ajudas até a massacrar pedacinhos de pāo. Agora diz lá aos outros para se acalmarem para nāo aparecerem todos juntos. Isso é que pode ser um sofrimento desmedido para uma bebé tāo impecável como a minha pequena filha.

Ainda assim tinha de escrever para te dar as boas-vindas. Quanto a ser tarde… Nāo te preocupes. Nāo tem mal. Diz quem sabe que cada criança é um caso único. O resto sāo estatísticas. 
Até há pequenitos a quem o primeiro dente aparece bem mais tarde ainda. 

Antes tarde que nunca, já dizia quem sabe.
Fica o esquema do considerado nascimento mais comum dos dentes.
Obrigada dente, bem-vindo à família. 

sábado, 7 de março de 2015

Um Ano



Há um ano nascias.
A vida deixou de ser como era para passar a ser melhor ainda. 
Que hoje seja a primeira celebração e que se sigam infinitas. 

Parabéns, minha pequenina.

A meio da noite a vida crescia. A barriga apertava e eu māe iniciava-me onde desconhecia.
A ansiedade palpitava nessa noite calma, nessa noite nova de um enorme amor que nascia.
Nove meses de te querer. Anos de sonho sobre quando te receber.
Foi esta a hora perfeita para te ter.

És tu o maior amor da nossa vida.






sábado, 7 de fevereiro de 2015

11 Meses



Há um ano uma barriga feita balão avançava-me gigante no espaço. Chegava sempre antes de eu entrar, a todo o lado. Chegava, chegava e depois lá chegava eu. Incrivelmente enorme e merecedora de toda a minha atenção. Abraçava-a a toda a hora no receio do andar não a aguentar. De dia. De noite. Quieta... numa espécie de sussuro para não a incomodar. De dia, não andava, arrastava-me. Sem saber nada de especial desta vida, nada de nada, ansiava no pânico deste futuro. O futuro que é hoje. 
Era eu capaz de cuidar e proteger um pequeno e delicado bebé? Era eu capaz de tomar conta e aprender  todo o dia a cada passo? Claro que era. Somos todas. Basta querer. 
Na altura desenhava-lhe o rosto, descrevia-lhe a alma. Para quê? Nem sei bem… Porquê? Sāo nossos filhos. Nāo precisamos saber escolher. Longe de precisar… Nāo queremos. Sāo nossos, basta serem. 
Doze meses depois de tamanha barriga cheia de sonhos, onze meses de realidade viva numa vida cheia de melhor e ainda maior. 
Onze meses. 
Impressionante. Uma barriga que num ápice bateu asas e voou. Agora está, amanhā já nāo. 
Barriga ao lugar, braços cheios, abraços intensos, barrigadas de amor. Vida perfeita de imperfeiçāo de sol e luar.
Onze meses, onze relatos de dias cheios, malucos, intensos, perfeitos, loucos. 
Onze meses, onze listas de descobertas, incríveis, perfeitas, imperfeitas, amadas, desorganizadas, malucas, engraçadas, loucas, quietas e inquietas. 
Onze meses de ti e de nós, meu amor. 





segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

PAI

1979

Ontem aproximava-se de mim com uma fotografia na māo e olhar saudoso. 
Abril de 1979. 
- Era nesta altura que nāo me deixavas dormir. Tive sempre de te dar a māo para adormeceres com calma. 

É verdade. Teve sempre de me dar a māo para me acalmar. 
Mesmo hoje, aos 36, ainda preciso que me dês a māo para viver mais calma. 

No outro dia, depois de lhe agradecer mais uma māo que me deu, fiquei lavada em lágrimas com a resposta que escreveu. "Ser pai é mesmo para estas coisas"

Só hoje em dia percebo. 
Ser pai, ser māe, é para isto mesmo... dar as māos.

Esta, em 1979, está longe de ser a nossa melhor fotografia. Longe. 
Aqui estou até de olhos tortos e o meu pai, sem dormir, de olhar cansado. 
No entanto, a imagem é mais que apenas isso. 
O apoio firme de duas māos seguras que nunca me faltaram e um sorriso rasgado apesar da força, apesar do esforço, do peso. O apoio incondicional apesar do cansaço. 
Sempre lá, a olhar por mim, a olhar por nós.  

Hoje completa mais um ano. O meu pai. 
A firmeza nāo falta. O sorriso também nāo. Nunca.

Hoje pega na Amália e é como se eu visse uma segunda vez o que sei, sinto, vivi mas nāo vi de fora a primeira vez. Porquê? Porque da primeira ao colo estava eu.  
Muitos dizem que ser avô é ser pai duas vezes. 
Nāo tanto mas, em parte, também. 
Ser avô é também reviver e lembrar. 

Vive e revive, pai. E durante muito tempo, todo o tempo.
Parabéns, nesta data querida. 
Muitas felicidades, muitos anos de vida. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Tal Pai, Tal Filha

Dezembro de 1978

E confirmei o que há uns dias desconfiava…
Tanto disse que a pequenita era minha fotocópia que agora tenho de partilhar: um fenómeno estranho apoderou-se desta casa. Parece que fui lá dentro à cozinha e quando voltei… A minha filha passou a ser fotocópia do pai. Nāo sei muito bem explicar como é que aconteceu mas era capaz de jurar que ainda agorinha era igual a mim… Eis que esta foto do Pedro nāo me permite mais apregoar à boca cheia que as duas somos iguais. Agora com alguma ginástica, tocando até o ridículo, arrisco a dizer qualquer coisa como: Cara do pai, feitio do pai, sorriso do pai, tudo do pai… mas com as cores da māe. 

Pronto. Ficou qualquer coisa. As cores. Haahahahah

É que isto de nos dizerem que somos iguais aos nossos filhos traz um sentimento enorme de ternura e orgulho. Sermos feios, altos, magros ou gordos conta muito pouco na equaçāo. Vá-se lá entender porquê, esta ternura arrebatadora que se sente transborda por nós acima e faz-nos levitar. Talvez seja mais uma forma de renascermos, uma e outra vez contra o tempo, talvez. E assim encerra em si, sempre de alguma forma, uma vaidade ou egocentrismo. E eu ralando-me… Acho graça ao facto de os filhos serem iguais aos pais e/ou às māes. Acho. Que hei-de fazer eu a isso? Nada. 

Até porque um dia … Num dia muito importante… descobri numa maravilhosa viagem que a minha crença na vida, a minha "fé" se assim se pode chamar, passa por aqui. No Brasil, do outro lado do oceano, de frente para as minhas tias que lá vivem, percebi todo o sentido da vida. Da minha, pelo menos. Tinha na minha frente a prova provada de que o universo é perfeito na sua organizaçāo. 
Nāo há distância que separe a genética. Nāo há oceano que faça esquecer o sangue. 
Hoje, acredito: envelhecemos sim, o corpo. Cedo ou tarde, deixa de funcionar. 
Fica o importante: a essência.  
Somos todos um. 


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Your Song... A Tua Cançāo

Ainda na barriga e esta era já a cançāo que repetia e tornava a repetir para ti.

a TUA cançāo.
... podes dizer a toda a gente... esta é a TUA cançāo.
e ...
How wonderful life is now you're in the world...



Veja o video aqui: 

Foi mesmo um dia bem passado. Obrigada, revista Caras <3 

domingo, 12 de outubro de 2014

De Meu Nome... Mamā




Há quem diga que já se percebe nitidamente: mammmãããã. 

Com receio do entusiasmo precoce, nego. 
Nem pensar. Que seria?! Com sete meses e a dizer mamã! Impossível. 

A verdade é que um destes dias estava a dormitar no sofá e a pequena Amália ao meu lado, serena no seu parque a esbofetear amigavelmente os seus brinquedos... 
Eu não dormia. Dormitava. Pensava na vida.

Quando ouvi assim... mammmmããã! mammmmmããã!

Abri o olho em sobressalto! Não pode ser!?!?!??
Incrédula olhava para ela e ela para mim. De gatas e olhar fixo repetia: mammmmããã! E sorria. 
Eu em histeria absoluta peguei nela ao colo e repeti bem à vontade 100 vezes: mammmããã. 

Desde esse dia cá em casa, ao longe e como quem nāo quer a coisa, vou ouvindo o Pedro de fundo: papá, papá, papá, papá. Paaaaaapppppááá.  
A Amália responde: Gugudadá ...
E o Pedro: Papá, papá, papá, pa...pá, pppppaaaa...pá... Papá..
Estou na brincadeira e no meu característico exagero... Para o Pedro tenho a certeza que se for "Mamā" que a pequenita diz que o deixa igualmente orgulhoso e feliz. <3  

A verdade é que certamente ainda nāo diz nem papá nem mamã.
Mas nāo resisti a partilhar convosco estes nossos devaneios.
Vamos lá deixar de loucuras... É que são ainda apenas 07 meses. 

sábado, 6 de setembro de 2014

Seis Meses



Amanhā, dia 07 de Setembro - Seis meses.

"É um marco importante"- dizia uma amiga no outro dia ao telefone. 
É. O primeiro meio ano. 

À medida que os filhos crescem com eles o amor também. Nāo só o peso deles na balança como também os cm na fita métrica. Mas mais que tudo: o que nos vai na alma e no coraçāo cresce. 

Um chorrilho de lugares-comuns mas que nāo há como dizer de outra forma. 
Tentamos evitar o massacre ao amigo que encontramos por acaso, ao familiar que nos visita, ao amigo com quem marcamos, ou mesmo ao profissional com quem trabalhamos... O massacre do álbum fotográfico, dos vídeos, das descrições longas sobre os grandes feitos dos nossos pequenos rebentos. As novas e as fantásticas acrobacias. A felicidade que nos invade a vida de ternura. Tentamos. Sim, eu disse tentamos. 
Nem sempre conseguimos.  
E por isso mesmo aqui vai...

Se antes eu dormia de manhā sempre que podia. Agora durmo de noite sempre que posso.
Acordo com a luz radiante da gargalhada de uns 60 cm de gente. 
E que bom. Tāo bom.
Esta miúda ri como o pai. Ri para o mundo como a vida em dia de euromilhões. Rebola para a direita e para a esquerda sem medo das quedas. Nāo desiste de tentar, nāo desiste de avançar como pode, como a deixam. 
Såo apenas 6 meses mas quando forem 60 gostava que de ti dissesse o mesmo: Esta princesa, rainha, ri como o pai. Ri para o mundo como a vida em dia de euromilhões. Continua sem medo das quedas. Nāo desiste, nāo deixa de tentar até conseguir, de avançar. 

Nāo será preciso dizer que a viagem ainda é curta mas vai brilhante. 
Como se quer. Como se gosta. Como se ama. 

Temos sorte. Tanta sorte.
Tantas vezes paramos a olhar e pensamos: 
"É a nossa filha. Já viste como tornou fabulosa esta vida?!"
Nem sempre é fácil como tantas vezes dizia. Mas, muito mais ainda, é centenas de vezes fabuloso, tāo incrível que nos apaga da memória o lado difícil. 
Bom... Difícil... Difícil também nāo diria... 
Menos fácil, sāo as palavras que escolheria.   

Seis meses já faz a pequenina. 



domingo, 24 de agosto de 2014

O Regresso A Casa





Tudo acaba. Também as férias. 
Foram as primeiras. Verāo 2014. Cinco meses e meio. 
À sombra na tenda de praia. Sem pé na areia. Sem pé na água. 
Ao colo a ver o mar. A conhecer o mar. Foi bom.
Passeios. Diversāo. Muita companhia. 
Do Alentejo ao Algarve. Desde amigos a família. 
Da calma à agitaçāo. Do sono à diversāo.
Acabou por agora.

Foi o regresso a casa.

Sabe bem voltar. Descansar na nossa cama. 
Devolver-te ao conforto do ambiente que conheces. As férias deixam saudades pela agitaçāo, pela companhia, pelas novidades, pela azáfama. 
Agora vamos descansar das férias. 

Parece tonto mas os sonos agitaram-se, alteraram-se. É a euforia da novidade constante. O mundo para conhecer.
Nāo falas mas comunicas. O teu sorriso de hoje quando acordaste no teu berço, no teu quarto, disse-nos que é bom regressar a casa. 

Já dás pelo teu nome. Já conheces a tua casa. 
Quando ontem te mudei a fralda assim que regressámos fiquei boquiaberta. 
Cresceste. Cresceste tanto. 
Os teus pézitos já ficam de fora do muda fraldas. 
Quando fomos ainda nem rebolavas.
Hoje rebolas e voltas a rebolar. Viras-te para todo o lado que queiras.
Umas semanas nesta idade e a diferença é abismal. 

O que nunca muda é a tua simpatia. A tua paciência. Os teus sorrisos. 
A vida é uma festa. Fico feliz só de partilhar esta festa constante contigo. 
Seja aqui ou lá. Onde for. Onde fores. 
A festa é tua. É nossa. 
Tua. Do pai. Minha. Dos avós. De quem connosco a partilha.
Tem sido assim.
A nossa vida. 
Uma festa.  



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Apresentar-te O Mar



A primeira vez que vi a imensidāo de água que se desenlaça na areia... Nāo tenho memória. 
Pena. Algumas fotografias com um pacote de bolacha Maria na māo e os olhos semicerrados pela luz do sol sāo tardias para documentar essa experiência. 
Outros tempos. 

Estas sāo as fotos que ficam agora guardadas para mostrar à Amália como foi o seu primeiro momento na praia. 
Estes tempos. Os teus. Os nossos.

Fins de tarde depois das 17:00. Factor 50. Uma tenda com protecçāo UV que mais parece um AP com vista de um milhāo de euros. E ainda a sombra do Péu que refresca a temperatura da tenda. 
Dois sacos, uma tenda e um péu depois: e ainda as pranchas de surf... e mais que tudo uma pequenita cheia de vida... E estamos na praia. 
Em segurança, como a pediatra mil vezes avisou. Sem disparates, sem exageros. E sim... por enquanto com uma cor que reflecte e fere os olhos... 
Sem pé pequenito na areia mas com direito a passeios curtos ao colo junto ao mar e de chapéu no "cucuruto".  
Uma experiência nova. Um mundo diferente. Melhor.
Longe dos desfiles de bronze no areal. Longe das barrigas encolhidas com óleo. Longe de mergulhos com mortais encarpados para a água. Longe das marés vivas. 
Perto do sol. Perto da luz. Perto da frescura. Perto da pureza. Perto do imaculado. 
Perto de ti. 
Daqui a um ano castelos na areia. Sereias. Pontes e viadutos.  
Água a entrar. Bolinhos e baldes. Pás e ancinhos. De resto, voltam os sacos, a tenda, o péu e as pranchas. Temos tudo. 
Sempre.

O meu primeiro fato de banho



O meu Péu rosa com bolinhas brancas

A minha tenda AP, t3 vista mar


O meu primeiro passeio junto ao mar




sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Sopa e a Polícia - Take Two


É que nāo percebo nadinha. Fico baralhada como as cartas. 

Hoje foi estranhíssimo... Os primeiros 5 minutos foram com a Amália a chamar novamente a gritar pela polícia com o seu choro sirene que se ouve de norte a sul do país. 

Sempre o mesmo diálogo: 
"Sr. guarda leve-me daqui que estou entregue aos bichos. Esta gente dá-me coisas esquisitas para comer" 

A ver se mudamos o guiāo, tal māe tal pai, vamos arranjando truques. O truque mais baixo e óbvio é:
1. Choro, boca aberta, 3, 2, 1 ... Colher com sopa. In.
2. Choro mantém-se, boca aberta igualmente, 3, 2, 1 ... Chucha. In. 

Acalma. Felizmente acalma. E eu também... Pelo menos até à próxima colher... 

O que foi estranho hoje é que foi do 8 ao 80. Cinco minutos de choro louco e de aperto. 
E do nada... Sim, do nada, levantou-se o lenço branco da paz. 
Foi do inferno ao céu. E eu com ela.
Transformou-se tudo num "Māe, isto tem de ser e será rápido. E quem sabe até é bom. Vou comer à velocidade da luz e tudo e tudo e tudo, sem deixar nada." 
E nāo verteu nem mais uma lágrima. Será que desistiu da luta? Da batalha? Ou da guerra?
Desde que nāo desista de mim... 

Agora dou voltas e voltas à cabeça... O que será que aconteceu? 

Talvez estivesse quente demais. A queimar nāo, naturalmente provo a sopa antes, mas quente para o gosto dela?! Talvez. Mesmo o leite gosta dele frio, mais ainda no verāo. Leite morno começa logo a ficar irrequieta e cheia de calores. 

Quem sabe... 

De boca aberta fiquei eu. 
Mas já dizia o ditado... (Nāo, nāo é esse que estāo a pensar.)
Este: Cá se fazem cá se pagam.  
Eu nāo merecia nem mais nem menos que acabar esta história de boca aberta. 

Minha filha, maravilhoso final de sopa hoje. Até na colher agarraste para puxar a sopa para ti.
Que seja o começo de um grande princípio. A tua boa alimentaçāo.





  





sexta-feira, 4 de julho de 2014

É A Atençāo



É a atençāo...

As olheiras hoje pesam. As pestanas carregam às costas o sono que hoje me falta.
Está tudo calmo. Tudo calmo.

É apenas a atençāo. Aqui ao meu lado, sem ler, observa todos os meus movimentos e lê todos os meus textos.
É a atençāo.
No segundo em que me levanto seja para cozinhar ou ir à casa de banho, liga logo a sirene.
Parece um alarme. Um despertador.
A sirene pára de tocar com um sorriso demolidor de tāo contagiante quando apenas, sim, apenas...
Me chego mais perto e a olho nos olhos.

Hoje conversa comigo pelos cotovelos e ainda nem uma palavra articula.
Hoje reclama se tenho a ousadia de agir como se fossemos duas pessoas distintas.
Hoje sorri quando a encho de beijos ainda que sem dormirmos.
Hoje lê os meus textos sem ainda sequer saber o que é ler.

E com 16 anos? Tento mentalizar-me...
Aos 16 quererá pouco que fique com olheiras por esperar que adormeça.
Quererá pouco ficar ao meu lado um dia inteiro a sorrir para mim.
Quererá pouco que a encha de beijos, mais ainda se nāo dormiu.
Quererá pouco ler os meus textos por ter os seus livros para ler.

Estou a começar um projecto novo e ao mesmo tempo sinto-a a olhar incrédula para mim:
-Mas afinal o que estás a fazer... Olha que aos 16 nāo estou aqui disponível para ti assim...

E lá vou eu de 2 em 2 segundos roubar mais um sorriso rasgado e interromper as suas sirenes gritantes.

Agora, depois de todas estas horas sem dormir... Finalmente fechaste os olhos.
Que as pestanas fiquem leves como o peso do algodāo.

Vou fechar os meus também.
  

domingo, 1 de junho de 2014

O Teu Dia Mundial




Hoje será o teu primeiro dia 1 de Junho. Dizem ser hoje o teu dia mundial... 
Pois para mim o teu dia mundial, universal ou particular é todo e cada dia. Mas claro, alinho nesta comemoraçāo global de hoje em diante. De 2014 até sempre, contigo. Quando digo sempre digo porque ainda serás para mim daqui a 20, 30, 40 ou 100 anos a pequenita Amália.
Quando era eu uma menina gostava, amava e vibrava com os planos em família neste dia. Até que acordei e percebi que já nāo era mais uma menina. E perdi todo o direito a estas comemorações. 
Funciona muito assim a vida. Tudo o que um dia se ganha parece que cedo ou tarde se perde.


Agora crescida contigo gostarei de cumprir todas as comemorações. Sempre. Deixarás certamente de ser criança mas serás sempre a minha maravilhosa filha. Seja num carrossel, num pic nic, num jardim ou num cinema, este dia que passa a ser teu agora nāo deixará de ser mais tarde. 
Sejas tu a pequenita Amália ou a grande e crescida Mel. 
Serve este texto também para te dizer que a māo que te ampara agora as costas, e tantas vezes ainda a tua pequenina cabeça, essa māo é hoje e assim será sempre: o teu amparo. 

Feliz dia, pequenita Amália. Bonita Mel. 
E os teus grandes sorrisos sempre. 




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Dias Perfeitos



Se os dias tivessem pontos... Se os dias fossem a votaçāo... Se os dias lutassem entre si para serem O melhor... Se os dias tivessem voz... Se os dias fossem todos assim... Se... Se e se...

Nāo sāo. Nāo têm. E nāo lutam. 
Mas é por isso que damos valor a dias assim. 
Assim, como? Perfeitos. 
Traçados à māo como o rosto de um filho nosso. 
Um filho nosso... Uma filha... 
Para cada pai, para cada māe, o seu filho é sempre desenhado à māo. 
Perfeito como estes dias de verde, azul, céu, natureza e amor.  

Foram assim estes dias.
Perfeitos como tu, Amália. 


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mês 2



Hoje completamos o segundo mês. 
Sim completamos. Nāo apenas tu. Eu também.

Pensar que já passaram dois meses... O tempo corre na pressa de chegar ao futuro. Não sei para onde mas corre. Pensar que era tudo tão complicado no primeiro mês e agora parece que já levo esperiência de segunda vez. Pensar que fazia tudo sem duas mãos, como se sem braços. Ou seja, não fazia nem desfazia. 
Agora... Num braço carrego-te, com o outro faço magia. Numa mão seguro-te com a outra faço o que sempre fazia. 
Somos animais. Animais bestiais. Perante todo e qualquer obstáculo, fazemos, transformamos e adaptamos. 

Ouvi e voltei a ouvir 'isso passa', 'são os primeiros tempos', 'só melhora'. Foi desesperante e pouco credível que, de facto, a vida retomaria a sua própria vida. A sua organizaçāo, a sua normalidade. Mas aos poucos vai-se vencendo batalhas. Pequenas. Pequeninas. E quando damos por nós somos super-heróis nos seus fatos coloridos e "kitados" com pequenos grandes super-poderes. A vida regressa a si. Vai regressando. Cada dia que passa uma inovaçāo, uma nova adaptaçāo. 

Comparar o primeiro ao segundo mês é mais que muito animador. Evitei tantas vezes escrever e dizer isto mas... Os primeiros tempos são um susto, um terror. O primeiro mês... Não sabemos como, nem quando, nem se vai melhorar. Não se dorme. Mal se come. Pouco mais se faz que dar de mamar e mudar fraldas. Os banhos tomados são um intervalo de segundos que não fazem um minuto. O amor,  mais que muito, é posto à prova quase todas as horas... E nāo sabemos... Desconfiamos... Mas nāo sabemos... Passamos a saber... O amor vence tudo. Encontra sempre o seu rumo, a sua energia e ampara tudo. Todo o cansaço. Todo o medo. Todo o desespero. 
O primeiro mês tem tanto de terror como de encanto. Achamos e sentimos como errado essa angústia do início. Rápido  entendemos que faz parte do processo. Faz parte da nossa natureza. Custa. Custa muito o início... E só sabemos quando estamos a passar por isso. De outra forma achamos que connosco será ou foi diferente. De outra forma achamos até estranho o que se diz, o que dizem... Isto que agora digo. 
A verdade: só sabe mesmo quem por ali passa ou passou. E nada de errado. Faz parte. 
Fez. Passou. 
Tinha de ser. Tem de ser. 
É violento. É brusco. É arrebatador. 
É de loucos. É loucura. 
É bom, maravilhoso. 
É difícil também. Em simultâneo. Ao mesmo tempo. 
Nāo vale a pena escrever, dizer mil vezes... É em vāo. 
Quem nāo sabe, julga. 
Quem passou, tantas vezes apaga o difícil... 
Esquece. 
Passa. Passou. 
Fica o bom, o melhor. 
E esse multiplica-se. Aumenta. Cresce. 

Aos dois meses...
Já observas atentamente. 
Já olhas nos olhos profundamente.
Já sorris intencionalmente.
Já descansas descansadamente.
Já ouves atentamente.
Já fazes sons ruidosamente.
Já te seguras mais firmemente.

Tem sido único acompanhar-te e ajudar-te a adaptar a este mundo. 
Que este seja o início da mais bonita e maravilhosa viagem que conheço: a tua vida.