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quarta-feira, 8 de julho de 2015

16 Meses e a Grande Novidade



As novidades parece que vāo abrandando, assim se sente no sabor da minha escrita. Nāo, nāo deixei de amar. Nunca, jamais, em tempo algum. A vida é que vai ganhando sabor e crescendo tanto quanto ela. Juntas. Juntos. O dia-a-dia também tem cada vez  mais encontrado o seu rumo e equilíbrio. O trabalho tem aumentado gradualmente e todos nós bem com tudo isso. Como se à vida ainda se acrescentasse mais luz e caminho. 

Hoje a Amália, o meu pequeno grande enorme amor, completou 16 meses. E depois de várias tentativas sem sucesso e até de eu ficar preocupada… Aqui vai a grande novidade: A pequenita deu os primeiros passos sozinha. Sem apoio, sozinha. Foi uma emoçāo enorme porque custou a acontecer. Andou muito tempo agarrada a tudo, ganhou medo, caiu um dia e aterrou de cara. Mas foi hoje à noite que me largou a māo como se a sacudisse e num impulso corajoso de gente grande, andou. Ria muito. Sabia da sua grande conquista. Sentia o seu enorme grande passo. De rosto iluminado, andou e ria, sorria. Assim fez e repetiu quase durante uma hora. Exausta queria continuar. Foi absolutamente uma festa. Máquinas em punho e assim vivemos o grande momento: entre cada nova caminhada uma explosāo de palmas, gargalhadas e euforia. 
Saiu-me um peso de cima… É que gravei na memória o número 17. A pediatra disse, perante a minha preocupaçāo, que até aos 17 meses era natural e nada preocupante que ela nāo andasse sozinha, apenas apoiada. Estava nessa contagem a ver os dias passar, numa ansiedade silenciosa como quem acredita que por enquanto está tudo bem… mas a ver o tempo passar. Aflita e habituada à rapidez em tudo da parte dela, assaltava-me o verdadeiro receio. Por isso foi uma festa. Uma enorme alegria. Faltou apenas lançar foguetes. Nāo tinha. Lancei com gargalhadas, lancei com emoçāo. Lancei, por dentro, mas lancei.

Saiam da frente que agora ela vai querer passar. <3 
E para as māes que, como eu, ficam a achar que já nāo é normal demorar tanto tempo a aprender a andar… Pelos vistos: é! Pode ser, sim. Vai chegar o dia de lançarem os vossos foguetes. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Apresentar-te O Mar



A primeira vez que vi a imensidāo de água que se desenlaça na areia... Nāo tenho memória. 
Pena. Algumas fotografias com um pacote de bolacha Maria na māo e os olhos semicerrados pela luz do sol sāo tardias para documentar essa experiência. 
Outros tempos. 

Estas sāo as fotos que ficam agora guardadas para mostrar à Amália como foi o seu primeiro momento na praia. 
Estes tempos. Os teus. Os nossos.

Fins de tarde depois das 17:00. Factor 50. Uma tenda com protecçāo UV que mais parece um AP com vista de um milhāo de euros. E ainda a sombra do Péu que refresca a temperatura da tenda. 
Dois sacos, uma tenda e um péu depois: e ainda as pranchas de surf... e mais que tudo uma pequenita cheia de vida... E estamos na praia. 
Em segurança, como a pediatra mil vezes avisou. Sem disparates, sem exageros. E sim... por enquanto com uma cor que reflecte e fere os olhos... 
Sem pé pequenito na areia mas com direito a passeios curtos ao colo junto ao mar e de chapéu no "cucuruto".  
Uma experiência nova. Um mundo diferente. Melhor.
Longe dos desfiles de bronze no areal. Longe das barrigas encolhidas com óleo. Longe de mergulhos com mortais encarpados para a água. Longe das marés vivas. 
Perto do sol. Perto da luz. Perto da frescura. Perto da pureza. Perto do imaculado. 
Perto de ti. 
Daqui a um ano castelos na areia. Sereias. Pontes e viadutos.  
Água a entrar. Bolinhos e baldes. Pás e ancinhos. De resto, voltam os sacos, a tenda, o péu e as pranchas. Temos tudo. 
Sempre.

O meu primeiro fato de banho



O meu Péu rosa com bolinhas brancas

A minha tenda AP, t3 vista mar


O meu primeiro passeio junto ao mar




quarta-feira, 16 de julho de 2014

Até Hoje A Minha Filha Gostava De Mim...




Sim... Até hoje...
Ontem foi-me dado o benefício da dúvida.
Hoje foi o dia da revolta. Total.
Amanhã pode ser para esquecer...

Hoje quando viu pela segunda vez na vida A tigela branca com uma 'coisa' laranja estridente lá dentro foi ... 
Game over. The end. Acabou. 
'Mas que mãe és tu?!?!' Lia-se por trás das suas lágrimas gordas e desesperadas. Desesperada por uma sopa de cenoura sem sal. A sua segunda sopa. 
Que será de mim depois... À terceira, à quarta, à quinta...? 

Ontem correu bem. Temia o pior e correu bem. Comeu tudo. Deve ter achado que era mesmo necessário por alguma razão muito forte. Estranhou mas comeu... Ou melhor, foi comendo. Baralhada entre o sabor e a estranheza de uma colher pela primeira vez na boca. 
A cozinha preparada para a guerra... Nós  tapados até ao pescoço e todas as máquinas fotográficas e de filmar a postos. Um aparato. Nada aconteceu. Tudo tranquilo. Restou a expressão de enfado e pouco mais.
O cenário de guerra ... Aconteceu hoje...
Bastou ver o mesmo tom de branco e laranja dA tigela. A tigela. Igual à de ontem. Socorro. Chamem a polícia. Alguém. A minha mãe perdeu de vez o tino. 
Ligou a sirene. Os vizinhos só podem de facto ter chamado a polícia... Tal era o alarido aqui em casa. 
A tigela... Socorro! A tigela... Sr. Guarda...

Perdi a batalha. Espero não ter perdido a guerra. 
Ao fim de 45 minutos, 50 litros de lágrimas e ainda meia sopa por comer... Desisti... Tal era o nosso estado. 

Ela perdida de desespero sem a polícia chegar. Eu sem saber mais o que fazer para a relaxar. 

A tigela vai voltar, sr. guarda... Vai voltar.



terça-feira, 8 de julho de 2014

4 meses, 123 dias, 2952 horas


                                             4 meses, 123 dias, 2952 horas, 177120 minutos


Pode parecer matemática mas de matemática tem pouco.
Para muitos a vida continua como era, como sempre foi. 
Para tantos nem um segundo se perde a questionar os dias.
Para outros isto de "ter filhos" e escrever sobre isso nāo passa de uma "parva piroseira"
Para esses... Nem sabem o que perdem. Nāo pelos meus pirosos textos, claro. Mas por isto de "ter filhos".
Para esses... também o que perdem pelo prazer das palavras que sobre isso se escrevem.

"Isto" de ser māe, "isto" de ter um filho, transforma-nos. 
Muda-nos. Vira-nos. 
De dentro para fora. De fora para dentro. 
De pernas para o ar. De "ponta a cabeça". 
Da direita para a esquerda. Da esquerda para a direita. 
De fora para dentro. E tudo o mais que houver. 

Ficamos pirosas? Ficamos. 
Ficamos diferentes, lamechas, esquecidas, cansadas, loucas, chorosas, divertidas, lindas, sensíveis, felizes, maiores, melhores, enormes? Ficamos. E tudo o mais que houver.

Ainda "ontem" na maternidade... Ainda "ontem" com medo do que seria, do que viria a ser, do que se tornaria ou poderia ser. Ainda ontem nada sobre fraldas, cueiros e chuchas... Ainda ontem a kms de distância onde o futuro se prometia. Ainda ontem sentia que já seria tarde demais para mim. Ainda ontem temia, imaginava e receava que nada disto fosse para mim. 

Aos teus 4 meses e depois de uma vida tāo cheia, mas tāo cheia, tāo enriquecedora, tāo diversificada, tāo bonita quanto estranha, tāo sozinha quanto acompanhada, tāo fácil quanto difícil, tāo maravilhosa quanto frustrante, tāo de sonho quanto de verdadeira, tāo fascinante quanto desesperante. 

Depois dessa vida... Ganhei ainda outra. 
Obrigada.
Tu. 
E agora 4 meses de nós.

Lembro muito ultimamente os meus momentos mais difíceis antes de ti, lembro muito ultimamente os meus momentos mais felizes antes de ti. Como uma espécie de balanço ou inventário. 
Pode parecer tolo ou estúpido, mas a vida defini-se nesse antes e depois de ti. 
Lembro porque essa vida que vivi até ti foi... sei hoje... A construçāo sólida da minha estrutura para agora ser capaz de olhar por ti. 

É esse o marco enorme e simplesmente maravilhoso que fica: 

O antes de ti passar a ter ainda mais sentido depois de ti. E o depois de ti ser para sempre contigo ao meu lado aqui. 
Obrigada












sexta-feira, 4 de julho de 2014

É A Atençāo



É a atençāo...

As olheiras hoje pesam. As pestanas carregam às costas o sono que hoje me falta.
Está tudo calmo. Tudo calmo.

É apenas a atençāo. Aqui ao meu lado, sem ler, observa todos os meus movimentos e lê todos os meus textos.
É a atençāo.
No segundo em que me levanto seja para cozinhar ou ir à casa de banho, liga logo a sirene.
Parece um alarme. Um despertador.
A sirene pára de tocar com um sorriso demolidor de tāo contagiante quando apenas, sim, apenas...
Me chego mais perto e a olho nos olhos.

Hoje conversa comigo pelos cotovelos e ainda nem uma palavra articula.
Hoje reclama se tenho a ousadia de agir como se fossemos duas pessoas distintas.
Hoje sorri quando a encho de beijos ainda que sem dormirmos.
Hoje lê os meus textos sem ainda sequer saber o que é ler.

E com 16 anos? Tento mentalizar-me...
Aos 16 quererá pouco que fique com olheiras por esperar que adormeça.
Quererá pouco ficar ao meu lado um dia inteiro a sorrir para mim.
Quererá pouco que a encha de beijos, mais ainda se nāo dormiu.
Quererá pouco ler os meus textos por ter os seus livros para ler.

Estou a começar um projecto novo e ao mesmo tempo sinto-a a olhar incrédula para mim:
-Mas afinal o que estás a fazer... Olha que aos 16 nāo estou aqui disponível para ti assim...

E lá vou eu de 2 em 2 segundos roubar mais um sorriso rasgado e interromper as suas sirenes gritantes.

Agora, depois de todas estas horas sem dormir... Finalmente fechaste os olhos.
Que as pestanas fiquem leves como o peso do algodāo.

Vou fechar os meus também.
  

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Amamentar


E um dia deixamos de ter. Assim. Do nada. 
Desde que fiquei doente, com gripe, o meu leite reduziu drasticamente. 
Achei que recuperaria. Achei que assim seria. 
O início da amamentaçāo foi tāo penoso que disse durante muito tempo que assim que fizesses três meses iria deixar de amamentar. Um crime aos olhos de muitos puristas. Mas absolutamente natural para mais que muitas māes. Agora parece castigo. A verdade é que as dificuldades passaram, ultrapassei-as e tudo mudou. Deixei de querer parar.
Amamentar passou a ser certamente das coisas mais bonitas desta vida. 
Digo hoje. Sei hoje.
Foi de facto difícil. Doloroso. O início. 

Agora parece que passou uma eternidade de tempo sobre o pesadelo que foi o princípio. 
Aprendi todos os truques. Dei por mim dias a fio com luvas cheias com água quente sobre o peito, pomadas para antes, gelo para depois. Todos os produtos para facilitar eu comprei. Até um spray nasal de ocitocina me foi medicado. Dias e dias de dor. De nāo tolerar a água do chuveiro directamente. 
Dor como se vidrinhos me percorressem os vasos. 
Passou. Como tudo passa. Passou. 
Foi-se transformando naturalmente na beleza que caracteriza a maternidade. Torna-se maior que tudo. 
A natureza volta a falar mais alto. Torna-se avassaladora. Nunca mais se olha o mundo animal da mesma forma. Nunca mais se pensa o mundo igual. 

Somos animais. Somos natureza. Somos força e beleza. 

Acabou. Um dia iria acabar. Queria continuar, claro. Típico. Agora queria continuar. 
Pelo menos até aos seis meses. Também calculo que chegando aos seis meses iria provavelmente querer continuar pelo menos até aos nove. E assim sucessivamente. 
Porque se torna assim o amor. Grande. Enorme. E certamente nāo iria saber parar.  

Tenho pena. Agora que acabou.

Ao deixar de amamentar nāo acaba o amor. Nem o amor se mede assim.  

Amamentar é importante. Repetem médicos e a organizaçāo mundial de saúde. 
Repito eu: foi maravilhoso enquanto foi possível. 
O mundo nāo acaba por isso. Nem o teu nem o meu. Foi como teve de ser. 
O leite materno deve mesmo ser o melhor alimento do mundo. Mas ao acabar a vida tem de continuar.

Que continue. Meu amor. Que continue. 
Aos 3 meses e meio apenas o leite acabou. Ficou por aqui. Com pena mas ficou por aqui.
Tudo o resto que está para vir ainda nem começou. 

Ainda nāo começou, meu amor. 
Tudo o resto que está para vir ainda nem começou. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Perdi. Perdi Metade.



Férias. Ou pelo menos uma pausa. 
Aqui os cães ladram e as caravanas não passam. Hoje foi o teu primeiro dia de calor, aquele calor de verão... Com cheiro a campo e tranquilidade de relva. O som ecoa pelos montes e perdemos a noção das horas. São 21:30... Podiam ser 17:00. As folhas esvoaçam no ar quente... E o som. O som. Quero ficar aqui para sempre. 
Com 3 meses e pouco mais já quase não choras. A rotina é leve como não era. As cólicas são raras desde os dois meses e meio. O teu sono à noite como o nosso, longo e tranquilo. O choro raramente aflitivo. Os sorrisos constantes como o pai. A certeza de que a vida agora existe cada vez maior.
Um senão... Um grande senão... De madrugada entre fotografias do ano passado estarreci... Porquê? Não me apercebi, até hoje, não me apercebi... Tive nos últimos anos cabelos saudáveis ao vento. Muitos... Longos... Soltos... Hoje vi. Perdi metade. Entre gravidez, parto e hoje. Não percebi. 
Perdi. Perdi metade. 

Faz parte, dizem. Não me apercebi.
Até hoje não me apercebi.
Tenho pena. Muita. 
Perdi. Perdi metade. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O Primeiro 1 de Junho


Foi com esta flor de papel que fomos recebidos, um bolo e uma decoraçāo particular...
A prima Sofia com cinco amorosos anos tinha-nos preparado uma surpresa.
Quando se perguntava quem eram os bonecos que tinha colocado no bolo, respondia prontamente: 
"- Sou eu e a Amália."

Palavras para quê? O mais bonito no mundo sāo mesmo as crianças. 
A Sofia e os seus 5 anos também encantaram a tarde com cantorias confortantes para qualquer pequena ou maior agitaçāo da Amália. 
Obrigada crescida Sofia por mostrares como se deve aproveitar o tempo, passa tāo rápido... Ainda há pouco te vimos nascer... Obrigada pelo bolo e por todas as canções.
Que todos os cinco anos fossem como os teus. 
O mundo seria tāo mais bonito e feliz. 
E feliz, que feliz... 
Obrigada





domingo, 1 de junho de 2014

O Teu Dia Mundial




Hoje será o teu primeiro dia 1 de Junho. Dizem ser hoje o teu dia mundial... 
Pois para mim o teu dia mundial, universal ou particular é todo e cada dia. Mas claro, alinho nesta comemoraçāo global de hoje em diante. De 2014 até sempre, contigo. Quando digo sempre digo porque ainda serás para mim daqui a 20, 30, 40 ou 100 anos a pequenita Amália.
Quando era eu uma menina gostava, amava e vibrava com os planos em família neste dia. Até que acordei e percebi que já nāo era mais uma menina. E perdi todo o direito a estas comemorações. 
Funciona muito assim a vida. Tudo o que um dia se ganha parece que cedo ou tarde se perde.


Agora crescida contigo gostarei de cumprir todas as comemorações. Sempre. Deixarás certamente de ser criança mas serás sempre a minha maravilhosa filha. Seja num carrossel, num pic nic, num jardim ou num cinema, este dia que passa a ser teu agora nāo deixará de ser mais tarde. 
Sejas tu a pequenita Amália ou a grande e crescida Mel. 
Serve este texto também para te dizer que a māo que te ampara agora as costas, e tantas vezes ainda a tua pequenina cabeça, essa māo é hoje e assim será sempre: o teu amparo. 

Feliz dia, pequenita Amália. Bonita Mel. 
E os teus grandes sorrisos sempre. 




quarta-feira, 28 de maio de 2014

Todos Diferentes Todos Iguais






Assim que nasce um bebé começamos a ouvir: "ah é tāo parecido com..."
Seja com a māe... o pai... o avô, a avó, o irmāo, o primo, a tia, o sobrinho, o cāo, o gato ou o periquito.  

Sou uma nódoa a encontrar parecenças entre pais e bebés. Uma nódoa. 

Assim que a Amália nasceu nāo vi grandes parecenças. Os olhos rasgados e "achinesados" deixavam as semelhanças de parte com qualquer um de nós. Os bebés ao nascerem estāo inchados pelo esforço. Mudam imenso e muito rapidamente ao longo dos primeiros dias. Claro que a Amália nāo foi excepçāo. 

Ao longo do tempo comecei a descobrir semelhanças aqui e ali. Durante muito tempo achei que era igual ao pai. Sem tirar nem pôr. Mais ainda depois de ver fotografias antigas do Pedro. Aí tinha ainda mais a convicçāo: era igual ao pai. 

No meio da minha "azelhice" lá encontrava imensas semelhanças. Mas... Tudo mudou... 
A minha azelhice continua a mesma, porém as semelhanças que encontro sāo diferentes. E aqui sim é que vem a novidade: A Amália está igual a mim! 
Ahahhahahahah... Ah pois é... quem achar o contrário cale-se para sempre sob pena de levar com o rolo da massa... Pois é que foi muito difícil chegar a este ponto em que encontro tanta semelhança comigo. 

É com muito orgulho que aviso: posso ser azelha mas tenho jeito para tiro ao alvo. Ai daquele que me disser que a Amália nāo está parecida comigo... Ah pois é... Vamos a ver quem se atreve...
A brincar a brincar demorei a encontrar tanta semelhança e, por isso mesmo, ai de quem me destruir o "trabalho árduo" em três tempos.  
Ahahahahah Fica o desafio... Até com fotografias para ajudar...  

Na realidade, até eu e o Pedro éramos parecidos em bebé...
Bom... Talvez seja mesmo melhor eu dedicar-me a outro assunto... Nāo tarda muito encontro semelhanças entre um quadrado e um triângulo... E de facto... Existem... Enfim... 
Somos todos diferentes. Todos iguais.







quinta-feira, 22 de maio de 2014

Noites De Festa, Vida e Sonhos


Quando pintar as unhas vira uma prova dos jogos sem fronteiras percebemos como a vida mudou. 

Sair à noite, estar com amigos, jantar fora, ir a uma festa... Tudo isto passa para centésimo plano depois de se ter um filho. Nāo sāo momentos impossíveis mas... Raros. Sorte a minha, a nossa, que temos uma lista infindável de candidatos para olharem pela pequena Amália, sempre que assim for necessário e fizer sentido para nós. Sāo raros os momentos por enquanto, também porque amamentar assim o exige, mas mais que tudo: a nossa vida mudou.

Este domingo foi dia de festa. Este ano, pela primeira vez māe e mulher, lá fui. Fomos. Até este ano a vida parece que foi a brincar. Nāo será verdade mas parece. 
Ficam agora distantes os anos em que entre os nomeados vivia por dentro a emoçāo forte de: "E o Globo de Ouro vai para..." 

Estiquei a minha adolescência. Vivia-a intensamente. Se vivi... 
Sonhei os sonhos profundamente. 
Vivi-os. Construí-os e realizei-os. Alterei-os. Cresci-os. 

Este domingo lembrei com amor o primeiro dia em que a vida mudou. A primeira vez que mudou. O dia em que fui escolhida para a minha primeira personagem... A Mariana. 
Éramos 12 mil pessoas para apenas 6 personagens. Mas a minha certeza era tanta. A minha força maior que o mundo. Maior que eu, maior que tudo. A minha māe receava a dor do meu tombo, por mim... Apoiava-me, mas receava por mim, pois ficavam apenas 6. Podia nāo ter ficado, mas fiquei.
Nāo levei a mal. Era o receio natural de māe. O amor e a sabedoria de māe. Mas fiquei.
Nada me abalava a força nem a minha certeza. Hoje acho estranho. Tinha tanta certeza do tal lugar para mim. 
Lembro a cabine telefónica de Sete Rios. Tínhamos sido 12 mil. Depois 600, 30, 12, e finalmente os 6... 
Agora, do outro lado, uma voz dizia... "Ana, a produçāo decidiu." 
Queriam que eu fosse a Mariana. E eu fui. 
A minha vida mudou. Nāo foi nosso o globo, mas tudo começou assim. 
O verdadeiro sonho começou ali.

Amália, meu amor, nāo sabes mas tenho tido a sorte de fazer tanto mas tanto daquilo que sempre quis. 
O meu sonho começou a ser vivido ali.
Mais tarde fui a Inês, a Victória, a Mila, a Dulce, a Dora, a Letícia, enfim, ... inúmeras outras. 

Sonhei os sonhos. De sonho em sonho fui crescendo. Mudando. Acrescentando. 
Também tu viverás os teus sonhos e sonharás a tua realidade. 
Do tāo pouco que sei, posso dizer que sei sonhar. E soube lutar. 
Pouco maior que a tua idade sempre soube o que queria. 
Queria ser. E fui. Sou. 
Ainda muito está para vir. 
Quero ensinar-te que somos aquilo que quisermos ser. Basta querer. 
Tenho muito que aprender e pouco para ensinar. 
Mas sei, como respirar, que basta querer. Querer muito. 
Tenho a certeza disto que te digo. 
Quero passar-te a luta pelos sonhos. 
Os nossos. O que é nosso a nós pertence. E mais que tudo, sāo os sonhos. 
Tudo começa a sonhar. 

Era eu menina, pequena, quando acordada andava a sonhar. 
Os meus sonhos cresciam e aconteciam. Uns atrás dos outros. 

Mas sabes... Este Domingo, cresci. 

Sou tua māe. 
A minha vida nāo estava mais apenas ali. Foi apenas uma parte de mim. 
Nāo te inquietes. 
Vivo muito e vivi tanto.
Hei-de viver tudo mais ainda. 
Outros vôos, outras viagens, outros sonhos...
Para além desses, destes... Os teus serāo também os meus...

Nem posso esperar.
Os teus sonhos serāo também grande parte de mim.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mês 2



Hoje completamos o segundo mês. 
Sim completamos. Nāo apenas tu. Eu também.

Pensar que já passaram dois meses... O tempo corre na pressa de chegar ao futuro. Não sei para onde mas corre. Pensar que era tudo tão complicado no primeiro mês e agora parece que já levo esperiência de segunda vez. Pensar que fazia tudo sem duas mãos, como se sem braços. Ou seja, não fazia nem desfazia. 
Agora... Num braço carrego-te, com o outro faço magia. Numa mão seguro-te com a outra faço o que sempre fazia. 
Somos animais. Animais bestiais. Perante todo e qualquer obstáculo, fazemos, transformamos e adaptamos. 

Ouvi e voltei a ouvir 'isso passa', 'são os primeiros tempos', 'só melhora'. Foi desesperante e pouco credível que, de facto, a vida retomaria a sua própria vida. A sua organizaçāo, a sua normalidade. Mas aos poucos vai-se vencendo batalhas. Pequenas. Pequeninas. E quando damos por nós somos super-heróis nos seus fatos coloridos e "kitados" com pequenos grandes super-poderes. A vida regressa a si. Vai regressando. Cada dia que passa uma inovaçāo, uma nova adaptaçāo. 

Comparar o primeiro ao segundo mês é mais que muito animador. Evitei tantas vezes escrever e dizer isto mas... Os primeiros tempos são um susto, um terror. O primeiro mês... Não sabemos como, nem quando, nem se vai melhorar. Não se dorme. Mal se come. Pouco mais se faz que dar de mamar e mudar fraldas. Os banhos tomados são um intervalo de segundos que não fazem um minuto. O amor,  mais que muito, é posto à prova quase todas as horas... E nāo sabemos... Desconfiamos... Mas nāo sabemos... Passamos a saber... O amor vence tudo. Encontra sempre o seu rumo, a sua energia e ampara tudo. Todo o cansaço. Todo o medo. Todo o desespero. 
O primeiro mês tem tanto de terror como de encanto. Achamos e sentimos como errado essa angústia do início. Rápido  entendemos que faz parte do processo. Faz parte da nossa natureza. Custa. Custa muito o início... E só sabemos quando estamos a passar por isso. De outra forma achamos que connosco será ou foi diferente. De outra forma achamos até estranho o que se diz, o que dizem... Isto que agora digo. 
A verdade: só sabe mesmo quem por ali passa ou passou. E nada de errado. Faz parte. 
Fez. Passou. 
Tinha de ser. Tem de ser. 
É violento. É brusco. É arrebatador. 
É de loucos. É loucura. 
É bom, maravilhoso. 
É difícil também. Em simultâneo. Ao mesmo tempo. 
Nāo vale a pena escrever, dizer mil vezes... É em vāo. 
Quem nāo sabe, julga. 
Quem passou, tantas vezes apaga o difícil... 
Esquece. 
Passa. Passou. 
Fica o bom, o melhor. 
E esse multiplica-se. Aumenta. Cresce. 

Aos dois meses...
Já observas atentamente. 
Já olhas nos olhos profundamente.
Já sorris intencionalmente.
Já descansas descansadamente.
Já ouves atentamente.
Já fazes sons ruidosamente.
Já te seguras mais firmemente.

Tem sido único acompanhar-te e ajudar-te a adaptar a este mundo. 
Que este seja o início da mais bonita e maravilhosa viagem que conheço: a tua vida. 




segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Meu Primeiro Dia



O meu primeiro dia, a minha primeira celebraçāo. Dia da māe 2014: dia 4 De Maio 2014. 

Até hoje neste dia vestia umas calças de ganga, uns tenis e ia. Acordava com um olho aberto e o outro fechado e ia. Entrava na banheira no último segundo ainda a dormitar debaixo de água e ia. Sensaçāo igual a correr entre a rega nos campos em flor onde o ar quente e puro contrasta com a água refrescante que nos encharca. E ia. 
Uns anos com flores na māo, fui. Outros anos com presentes, fui. Outros sem nada, fui. Outros vivia no estrangeiro, telefonava e chorava, por estar longe... nāo fui. 
O normal na vida de um filho. A vida descontraída de se ser apenas filho.

Fui, e continuo a ser, uma filha feliz. No entanto mudei. Mudei muito. Mudou quase tudo. 

Nāo, nāo deixei de ser uma filha feliz. Nunca. Nāo, nāo deixei de ser filha. Nunca.
Agora māe apenas deixei de lado a grande descontraçāo de ser apenas "filho". 

Ser māe nāo é acordar e dormitar debaixo de água. 
Hoje acordo a todas as horas se assim for preciso. Sem dormitar, sem os ditos banhos refrescantes. Visto as mesmas calças de ganga. Calço os mesmos tenis. Nāo por descontraçāo mas por falta de tempo. Corro pela casa com a lista memorizada de uma quantidade enorme de coisas que nāo posso esquecer antes de sair. 
Onde ficou a descontraçāo? 
Nos primeiros tempos em lado nenhum. Entre fraldas e dodots a descontraçāo torna-se pouca. Ou mesmo nenhuma. Mas existe. Vai crescendo. Aumentando. 
Deixou de ser a mesma para se transformar em outra coisa. A descontraçāo de "filho" desaparece quando damos início à preocupaçāo de "māe". 

Hoje, no meu primeiro dia da Māe, sei, percebo, aceito e agradeço que: 
Nāo mais vou dormir como dorme um filho. 
Nāo mais vou existir como existe um filho.
Nāo mais vou decidir como decide um filho.
Nāo mais farei nada, mas nada, como faz simplesmente um filho. 

Ser māe é saber isto e nisto encontrar a maravilhosa descontraçāo de māe. Uma nova descontraçāo... diferente, outra, nada igual... Mas maravilhosa. Cada vez melhor.
Este é o trabalho mais difícil. O caminho mais longo. Mas trilhado por milhões de mulheres neste mundo. Será esse o meu maior sucesso enquanto māe: 
Deixar ir de vez a descontraçāo de "filha" e encontrar em mim a descontraçāo de "māe". 
Todos os dias o caminho é novo, desconhecido. Mas todos os dias é maravilhoso, apetecido.  

Ser māe nāo é deixar de ser "filho". Nāo deixarei nunca de ser filha, nem quero. 
Mas ser māe é passar a ter uma vida diferente no mundo. E em nós. Connosco e dentro de nós.

Até ser māe, era apenas filha e isso era tudo o que conhecia. 
Agora sou māe, e isso é muito mais do que o que conhecia. 

Feliz māe. Feliz dia. 
Obrigada Amália, minha Mel, fizeste de mim māe. Tua māe. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Dia Sem Sorriso

      Imagem de itcanbe.blogs.sapo.pt

No dia do sorriso foram poucos os sorrisos. Durante o dia horas de preocupação com a pequena Amália na Estefânia. Mais calmas, bem e sem preocupações finalmente o regresso a casa para descansar. Exaustas. Hoje, a saúde da Amália pregou-me um susto. Daqueles que nos fazem perder a noção das horas. Passou. 

Está tudo bem. Está tudo bem.

Por fim, para levarem o que restava dos sorrisos do dia do sorriso... Já em casa, a triste notícia de um amigo e colega.
Hoje estava definido que seria o dia sem sorriso. 
Foi assim o suposto dia do sorriso. 

Irónico... Um amigo terno, aparentemente calmo e de muitos sorrisos, decidiu partir neste dia...
Como mãe hoje vejo como o mundo pode ser selvagem. 



domingo, 27 de abril de 2014

O Teu Cavalo Gibson


Procurei muito tempo um cavalo de pau. 
Nāo podia ser um cavalo de pau qualquer. Tinha de ser dos antigos. 
E mesmo dos antigos nāo podia ser um qualquer. Tinha de ser romântico. 
Tinha de ser este.
Já diz o ditado: Quem espera sempre alcança. 
Hoje cruzei-me com ele. O cavalo certo. Parecia uma criança. 
Na realidade ainda nāo acredito que encontrei exactamente o que procurava.

Sonho tantas vezes com "coisas" específicas e tantas vezes é tāo difícil encontrar exactamente o que procuro. Regra geral nāo desisto. Desisto de muito poucas coisas na vida. E é por isto que tantas vezes sou confrontada com perguntas "mas onde arranjaste isto?". Neste caso, foi sorte, ou talvez nāo. 
Foi o destino, como acredito.

Amália, meu amor, quando cresceres talvez sonhes, como eu, com um cavalo real para cuidares dele e passearem juntos pela praia. Por agora... Oferecemos-te este: o cavalo Gibson, como diz o teu pai em tom de brincadeira.

Quando perguntares porque se chama Gibson... Eu explico... É uma história longa, mas conto.

A avó Luxa gosta que te chames Amália mas gostava muito que fosses Amélia. Amélia porque quase sempre na escola se usam diminutivos e assim ficarias a Mel. Serias Mel na escola mas acabaste por ficar Mel na mesma em casa. A nossa mel. 
Nāo precisas ser Amélia para ser doce como o mel. Amália, minha Mel... Já viste onde isto vai dar...
Nāo somos fās do Mel Gibson mas é uma graça apenas.

Fica assim entāo. A Mel e o Gibson. Dispensam-se mais explicações.
Espero que gostes tanto quanto eu. 
Apresento-te o Gibson, Mel.    


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Enquanto Os Teus Olhos Se Fecham




Enquanto os teus olhos descansam, enquanto a tua respiraçāo serena...
Todos os dias corro pela casa contra o relógio. Todos os dias sem saber como será o próximo. Sem ser dona do tempo, nem do meu nem do teu, corro para que tudo seja organizado, controlado, tranquilo. Corro para quando acordares nāo chorares. Corro para que a vida tome o seu rumo normal e apanhe o próximo comboio que passa... 
E passa, passa sempre de 15 em 15 minutos. E de 15 em 15 minutos vamos perdendo cada comboio novo. O que vale é que passam e tornam a passar. E nesta vida quando se perde o comboio ainda se tem o metro. Sem metro, ainda se tem o autocarro. Sem autocarro, ainda o táxi. Sem táxi, ainda a boleia dos carros. Sem carros, os aviões. 
Sem aviões... Já chega: 
Tenho-te a ti. Sim, tenho-te sempre a ti. 

Enquanto os teus olhos se fecham e a tua respiraçāo serena, todos os dias anseio pela calma de te guiar. Pela calma de te acalmar. 
O primeiro mês nāo foi fácil, difícil para o corpo. 
O segundo vai sendo aquilo que deve ser. 
O tempo cresceu, como tu. Vai crescendo. 
E enquanto os olhos te fecham: levanto-me, corro, limpo, organizo, faço tudo. 
Para quando os teus olhos se abrirem. 

Enquanto os teus olhos se fecham escrevo. Escrevo para quando um dia for a tua vez tu saibas: 
Nāo é fácil. Ninguém mais to dirá, ou poucos to dirāo. 
Mas nāo é fácil. Porque o corpo chega a doer de cansado. 
Porque o cansaço chega a todo o lado. E ninguém antes te disse. 
Mas a todo o lado... à memória, à alma, a todo o lado. 
É assim. Sem angustiar o amor. Sem abanar o amor. 
Como se as estradas corressem lado a lado. É assim com todos como nunca ninguém te diz. 
Quase nunca. Pois parece mal. 
Mas de mal pouco tem. 
É real. É humano. É verdadeiro.

Enquanto os teus olhos se abrem, os sorrisos. Os teus e os meus. 
Cada vez maiores, cada vez melhores. Os sorrisos. Os olhos.
Os teus e os meus. O segredo... na maneira de os abrir.
Na maneira de sorrir. Na forma de olhar.
Enquanto os teus olhos se abrem, os meus juntam-se aos teus.

Tinha muitas saudades de te escrever. As saudades que tinha de vos escrever.
Os tempos mais difíceis passaram e  voltarei a estar mais por aqui.
Esperemos que sim. Esperemos que sim.

... Os meus juntam-se aos teus.

sábado, 12 de abril de 2014

Sāo Assim As Quatro. Sāo Assim As Seis Da Manhā



O dia vira noite e a noite vira dia. Trocam-se horas sem opçāo. 
É assim connosco. É assim com todos. 
Somos māes. Somos pais. 
O cansaço. O amor. Mesmo às seis da manhā.
Estamos embriagados. De sono. Mas também de amor. Com amor adormecemos. Com amor acordamos. 
Somos māe. Somos pai.

Sāo assim as quatro. Sāo assim as seis da manhā.





quinta-feira, 10 de abril de 2014

Parabéns, māe

Foto: Māe com o meu irmāo, Miguel, ao colo

10 de Abril,
é e será sempre a data da minha māe. 

Foi num dia 10 de Abril que a minha avó foi mais uma vez māe. E hoje, pela primeira vez, eu filha, percebo que a minha māe também nasceu um dia. A minha māe também cresceu ao longo da vida. A minha māe, tal como eu, também carregou um recém-nascido. Dois. E fez dele adulto, homem, crescido. De mim, adulta, mulher, crescida. O meu irmāo. Eu. 
Foi num dia 10 de Abril que nasceu a minha māe. A pequenina minha māe. 

Só hoje sei o que é sentir um filho crescer dentro de nós. Só hoje entendo melhor, tāo melhor, tāo bem, tāo maior, o que é o fabuloso amor de māe. 

Hoje, neste especial 10 de Abril deste ano... Penso melhor em ti, māe. No que terá sido, no que foste, no que fizeste. Porque antes de ser minha māe também nasceste, foste bebé, menina, mulher. 

E penso na avó. A avó. A avó. 
E em ti... Pequena, pequenita, menina, graúda, crescida, mulher. 
E nos meus tios: teus irmāos, irmās, pequenos, pequenitos, graúdos, homens, mulheres. 

Quando se olha para a nossa própria māe há tendência para ver apenas: a māe. Como se a vida dos pais tivesse começado apenas no dia em que nascemos. Esquecemos que para trás está o que nāo presenciámos, o que desconhecemos, o que nāo vivemos. A vida da māe antes de nós nascermos já era uma grande vida. Fazemos confusāo. Nāo sabemos. Ou melhor, nāo lembramos.

Pois hoje faço questāo: celebro a vida da minha māe. Toda a vida da minha māe.
Parabéns māe. No dia 10 de Abril, a avó era mais uma vez māe. Tua māe. 

Minha māe... Parabéns à minha māe.



Conquista Do Tempo


O tempo ajuda. O calor, algum sol e tempo... O tempo... Sāo dias ganhos aqueles em que consigo sair para respirar. Nāo é uma queixa. É um facto simples. Os primeiros meses sāo assim: sem tempo. 
Por exemplo, achei que ia ter tempo para este post, talvez nāo tenha: o choro de fundo. Vou a correr. Volto. Gostava de voltar...
Com uma māo continuo... Voltei. 

Hoje tive tempo. Quando dei por mim estava numa esplanada a comer um gelado. Estávamos. As duas.  Algum sol, calor, calma, tranquilidade e um gelado a meio da tarde. Passou um mês e dois dias. As paredes de casa ao fim de um tempo parecem muros e as janelas parecem pequenas. Sair de casa  torna-se impossível, difícil. O saco, o carrinho, o ovo, as horas de amamentaçāo, as mudas de fralda, o banho, o descanso... Tudo demora tempo e o dia passa sem intervalos. Quando damos por isso passou mais uma semana, e outra e mais outra... Mas também nós, māes e pais, aprendemos com o tempo.
Aprendemos a organizar e a tornar possível o tempo livre. 
Hoje foi um gelado. Amanhā será outra coisa qualquer. Por mais insignificante que pareça, assim se constrói o dia, os dias, o nosso tempo. 

Ser māe é maravilhoso. 
Sem dúvida. Mas mais ainda se aprendermos a conquistar o tempo. Juntas, sim. Mas com tempo. 
É importante nāo deixar escapar o nosso tempo. 






segunda-feira, 7 de abril de 2014

O Mês 1 ...



E passou um mês... parabéns meu amor.

Quando fores grande vais ouvir-me contar episódios do teu/nosso primeiro mês de todas as vezes que um bebé nascer ou uma pré-mamā se aproximar. Costuma ser assim. Nessas alturas as māes recapitulam, lembram e sentem saudades dos seus bebés pequenos. Esquecem as noites sem dormir, os choros desalmados, as dores arrepiantes, o stress, toda e qualquer preocupaçāo. 
Nāo serei excepçāo.

Quando fores grande saberás que a madrugada de 07 de Março de 2014 foi a mais bonita de se passar. Saberás que a felicidade que trouxeste nāo tem preço nem equivalência. Saberás que os teus primeiros dez dias foram o paraíso na terra. O teu choro suave, o teu sono tranquilizante. Saberás que mais tarde apareceu um bicho mau chamado cólicas que nos transformou as noites em dias e que me rebentou a alma ao ver-te sofrer gritantemente a toda a hora. Saberás que, noite e dia, te olhei de coraçāo cheio e que sofremos quando o pai teve de ir trabalhar. Saberás que o pai esteve, está e estará todas as vezes para te proteger, para te cuidar. Saberás que somos uma família feliz, mais feliz, por te ter. Saberás que os meses se transformam em anos, os anos em décadas e muitas décadas numa vida. Saberás que em todas as dores estamos cá todos para as diluir, apagar. Tentar. Saberás que, infelizmente, nem sempre vamos conseguir... Mas vamos de todas as vezes tentar. Saberás nessa altura que há dores que ninguém nos pode tirar mas também que tantas vezes sāo essas que nos fazem crescer, melhorar. 

Saberás que escrevia tudo isto contigo num braço e apenas com uma māo. Ou que te passeava do quarto para a sala quando ainda nāo podias sair. Que logo logo percebemos como gostavas da rua, de som, da vida, das pessoas, do ruído. E que acalmavas em passeios de carro dentro do ovo até ao pediatra ou até à farmácia para te pesar. Que fixavas o olhar antes da maioria dos bebés nos movimentos e nas sombras até 180'. Que precisavas do som do útero tantas vezes para te acalmar. Que choravas para comer depois de uma hora a mamar. Que já ouvias o pai dizer: papá, papá... Que a tua chucha dizia Amália e nāo havia como largares e que a seguravas com essas māos pequenas pouco depois de a começares a usar. Que eras pequenina, muito pequenina, e que por isso a roupa toda do teu enxoval teve de tardar. Que o avô Carlos te pegava ao colo de todas as vezes para te embalar. Que a avó Lena te espreitava a dormir para te ver sempre acordar. Que o avô Alberto apontava a máquina fotográfica para com ele te guardar. Que a avó Lúcia te segredava ao ouvido sempre que te ouvia chorar... 

Saberás tudo isto e muito mais que depois te vou continuar a contar.
Acima de tudo, queremos muito que saibas que estamos cá todos, todos, todos para te Amar. 
Para te amar.