Facebook

Mostrar mensagens com a etiqueta alimentação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta alimentação. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Educar A Alimentar


A alimentaçāo dos miúdos pode ser um pesadelo. Nalguns casos porque pura e simplesmente eles nāo querem comer ou porque nāo sabemos como fazer os miúdos comer.  
Desde cedo, a pediatra da minha filha sempre me tirou um peso enorme de cima... Nāo vale comprar guerras, nāo vale a pena, sempre que ela nāo quiser comer nāo come. Assim foi, assim teve de ser. 
A vontade teve de partir dela. Foram algumas as vezes em que, ainda mais bebé, isso aconteceu. Para aprender a comer a sopa foi difícil, foi um pesadelo. Passou. 
Como? Nāo queria, nāo comia. Eu insistia. Errei por vezes e obriguei. Só tive sucesso quando mudei de atitude. Falei com a médica e percebi: tente apenas, nunca obrigue! Só assim resultou. 

Hoje, a maioria das vezes, ela come tudo. Quando digo tudo, é mesmo tudo. Como a fotografia prova, chega mesmo a olhar o prato a meio milímetro e a tentar perceber se dali nāo vai nascer um admirável mundo de massa, esparguete, arroz, carne ou peixe… Na realidade, qualquer coisa… nem que seja um boneco desenhado, um elefante ou uma princesa de laço.  
Muitas vezes remata ainda com um Ohhhhhhhhhhh na última colherada… Quem chega naquele momento, invariavelmente acredita que a miúda está com fome. É o ar dela incrédulo a avaliar o fundo do prato. Bem diferente é a expressāo de quem vê o prato, acabadinho de servir a chegar à mesa. 
É importante servir a quantidade certa. Qual a quantidade certa? Pois...
Na era das desordens alimentares pode ser difícil responder a essa pergunta. Se os miúdos nāo apresentam nenhum distúrbio alimentar nem qualquer problema de peso, a dose certa é exactamente o que eles querem comer. Os miúdos, como nós, nāo sāo máquinas. Uns dias temos mais apetite e noutros temos menos. Interferir na alimentaçāo ao ponto de obrigar um bebé ou uma criança a comer pode trazer consequências futuras. Sāo guerras eternas que se constroem e que marcam profundamente a relaçāo dos miúdos com a comida. Comer deve ser um prazer para além da necessidade. 

É nossa missāo enquanto pais, ensinar a comer. Educar a alimentar. Alimentar educando. Saber comer é ter com a comida uma relaçāo saudável. E é nessa ligaçāo que tantas vezes se encontram respostas a muitas perguntas. 
Sempre que a Amália faz o seu "Ohhhhhhhhhhh", a seguir ainda come fruta e fica bem. Nāo chora com fome. Nem chora para se encher até cair para o lado. Também sei que se lhe desse mais massa depois do "Ohhhh" ela comia. Claro. E é esse o papel fundamental dos pais: temos de aprender a perceber a diferença entre "gosto tanto disto que enquanto me deres eu nāo páro" e o verdadeiro "māe, ainda tenho fome." Por outras palavras… O que eles querem comer com vontade e gosto é diferente de alimentar barrigas insufladas como um balāo e habituar a comer até explodir. É também, em parte, matemática. Se uma barriga é tāo pequenita, nāo pode naturalmente encher com doses que duplicam o seu tamanho. Como em tudo, é no equilíbrio que está a dose certa. 
Difícil também é quando nāo gostam de comer. 
O mundo por descobrir torna uma "chatice" o simples acto de sentar e comer. Trazer para a hora da refeiçāo o prazer e o convívio pode fazer milagres. Nunca, mas nunca, obrigar a comer. Aprendi com quem sabe.
Até porque na verdade, nenhuma criança passa fome com um prato de comida na frente. 
Forçar nāo é soluçāo.  
Vale educar a alimentar e alimentar educando.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Grande, Ainda Que Pequenina


Somos grandes mesmo pequeninos. 
De todas as vezes que chega a hora de comer, instalam-se uns guinchos repentinos. Até salto de susto. Se por uma ou outra vez nāo percebi... Hoje passei a perceber. 
O que estava mal era simples. 
Explico:
Mesmo pequeninos, muito pequeninos, já têm querer. Ainda com pouco mais de sete meses a Amália começou a agarrar o biberon sozinha e a querer beber ao ritmo dela. Sem mim. Sem ninguém. Ao ritmo dela, à maneira dela. 
Pois hoje durante a papa, já em desespero, gritava, guinchava irritada comigo e nāo parava. Eu nāo entendia. 
Ela comia umas colheres de papa e gritava de novo. As lágrimas gordas rolavam pela insatisfaçāo, pela minha insistência. Finalmente fartou-se e explicou-me. Agarrou na minha māo com toda a força do mundo, mudou a rota da colher à sua maneira e puf até à boca. Ainda gargalhou. 
Colher atrás de colher, já nāo foi possível dar-lhe a papa como antes. Ri também. Tal como diz o ditado, se nāo os podes vencer junta-te a eles... Assim foi... 
Papa pelas māos, bochechas, olhos, papa por todo o lado. Mas gargalhadas felizes de uma conquista inédita: acertar sozinha com a colher na boca e morder morder morder. De vez em quando comer, comer, comer... Mas nem sempre. 
As vezes suficientes para nāo parar de rir. Ela e eu, claro.
Por este andar, lá para os 12 meses vai às compras sozinha. Só espero que nāo saia de casa sem lista. 
Pequenina mas grande, esta pequenita.     

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Sopa e a Polícia - Take Two


É que nāo percebo nadinha. Fico baralhada como as cartas. 

Hoje foi estranhíssimo... Os primeiros 5 minutos foram com a Amália a chamar novamente a gritar pela polícia com o seu choro sirene que se ouve de norte a sul do país. 

Sempre o mesmo diálogo: 
"Sr. guarda leve-me daqui que estou entregue aos bichos. Esta gente dá-me coisas esquisitas para comer" 

A ver se mudamos o guiāo, tal māe tal pai, vamos arranjando truques. O truque mais baixo e óbvio é:
1. Choro, boca aberta, 3, 2, 1 ... Colher com sopa. In.
2. Choro mantém-se, boca aberta igualmente, 3, 2, 1 ... Chucha. In. 

Acalma. Felizmente acalma. E eu também... Pelo menos até à próxima colher... 

O que foi estranho hoje é que foi do 8 ao 80. Cinco minutos de choro louco e de aperto. 
E do nada... Sim, do nada, levantou-se o lenço branco da paz. 
Foi do inferno ao céu. E eu com ela.
Transformou-se tudo num "Māe, isto tem de ser e será rápido. E quem sabe até é bom. Vou comer à velocidade da luz e tudo e tudo e tudo, sem deixar nada." 
E nāo verteu nem mais uma lágrima. Será que desistiu da luta? Da batalha? Ou da guerra?
Desde que nāo desista de mim... 

Agora dou voltas e voltas à cabeça... O que será que aconteceu? 

Talvez estivesse quente demais. A queimar nāo, naturalmente provo a sopa antes, mas quente para o gosto dela?! Talvez. Mesmo o leite gosta dele frio, mais ainda no verāo. Leite morno começa logo a ficar irrequieta e cheia de calores. 

Quem sabe... 

De boca aberta fiquei eu. 
Mas já dizia o ditado... (Nāo, nāo é esse que estāo a pensar.)
Este: Cá se fazem cá se pagam.  
Eu nāo merecia nem mais nem menos que acabar esta história de boca aberta. 

Minha filha, maravilhoso final de sopa hoje. Até na colher agarraste para puxar a sopa para ti.
Que seja o começo de um grande princípio. A tua boa alimentaçāo.





  





quarta-feira, 16 de julho de 2014

Até Hoje A Minha Filha Gostava De Mim...




Sim... Até hoje...
Ontem foi-me dado o benefício da dúvida.
Hoje foi o dia da revolta. Total.
Amanhã pode ser para esquecer...

Hoje quando viu pela segunda vez na vida A tigela branca com uma 'coisa' laranja estridente lá dentro foi ... 
Game over. The end. Acabou. 
'Mas que mãe és tu?!?!' Lia-se por trás das suas lágrimas gordas e desesperadas. Desesperada por uma sopa de cenoura sem sal. A sua segunda sopa. 
Que será de mim depois... À terceira, à quarta, à quinta...? 

Ontem correu bem. Temia o pior e correu bem. Comeu tudo. Deve ter achado que era mesmo necessário por alguma razão muito forte. Estranhou mas comeu... Ou melhor, foi comendo. Baralhada entre o sabor e a estranheza de uma colher pela primeira vez na boca. 
A cozinha preparada para a guerra... Nós  tapados até ao pescoço e todas as máquinas fotográficas e de filmar a postos. Um aparato. Nada aconteceu. Tudo tranquilo. Restou a expressão de enfado e pouco mais.
O cenário de guerra ... Aconteceu hoje...
Bastou ver o mesmo tom de branco e laranja dA tigela. A tigela. Igual à de ontem. Socorro. Chamem a polícia. Alguém. A minha mãe perdeu de vez o tino. 
Ligou a sirene. Os vizinhos só podem de facto ter chamado a polícia... Tal era o alarido aqui em casa. 
A tigela... Socorro! A tigela... Sr. Guarda...

Perdi a batalha. Espero não ter perdido a guerra. 
Ao fim de 45 minutos, 50 litros de lágrimas e ainda meia sopa por comer... Desisti... Tal era o nosso estado. 

Ela perdida de desespero sem a polícia chegar. Eu sem saber mais o que fazer para a relaxar. 

A tigela vai voltar, sr. guarda... Vai voltar.