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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Corte De Cabelo e "Updates"


Agarrar numa tesoura e … Zás… Ufa… Custou. O que a pequenita chorou... e a camada de nervos que eu apanhei. É que estava a anunciar ficar com um cabelo de futebolista, versāo anos 80, e nāo ia dar. Mal comecei a ver o arrebitar de umas pontas longas sem nexo tive de me encher de coragem. 
Prova superada. A dificuldade foi acima de tudo o quanto a pequenita chorava e o que me partia o coraçāo. É que ela estava tāo revoltada e indignada com esta ideia de eu lhe estar a cortar o cabelo que contado ninguém acredita. A verdade é que parecia que lhe estava a fazer a pior coisa da vida… 
De coraçāo amargurado lá ia, a custo, cortando aqui e ali. Absolutamente focada, a coisa resultou. 
O pai, ia aparecendo e dizendo: Os caracóis todos!!!! E de repente, eu sentia-me qual Dalila a cortar os caracóis da força de Sançāo… Prova superada. O primeiro caracol guardado para a posteridade e um rosto a descoberto sem pontas anexas fora do sítio. 
Aos 15 meses apenas... pois ela foi carequinha até tarde.
Um "recuerdo":  

Agosto 2014


Junho 2015

  
A diferença é incrível. Sou daquelas māes que ama a comunicaçāo. E por isso mesmo, cada vez mais, me arrebata a evoluçāo incrível e a aprendizagem. O que nós já comunicamos… 
Todos os miúdos sāo diferentes. Cada um com o seu tempo para isto e para aquilo. E se vou aprendendo alguma coisa, é isto mesmo! Respeitar o tempo deles é importante. Sem forçar aprendizagens. E sem vacilar com as vozes daqui e dali. Essa parte é mais difícil. 
Aos 15 meses ainda nāo anda sozinha. Quando há crianças que andam aos 9 meses… Isto pode ser assustador e virar um bicho de sete cabeças. Para quê? Sem razāo. Na maioria das vezes se desenvolvem muito rápido a linguagem atrasam na marcha e vice-versa. Mesmo que se demorem em tudo, é o tempo deles. Andava com a cabeça em água porque ela nāo mastigava. Engasgava-se muito a comer pedaços mínimos… Perdi anos de vida com o pânico de que algo estivesse errado. Na creche comia tudo inteiro, pedaços, arroz, tudo. Em casa fazia birras e chorava por se engasgar imenso com o que quer que fosse sem ser passado na varinha. Esta semana, em casa, começou a comer grandes pedaços e a mastigar lindamente. Um peso que me saiu dos ombros. Menos um medo. Menos um receio. A pediatra brincava na última consulta: "Mas conhece alguém que nāo tenha aprendido a mastigar?" É facto, já mastiga.

Ainda nāo anda mas voa. Aliás, é provavelmente por isso que ainda nāo anda sozinha. Um destes dias, eu no sofá, ela no tapete a brincar e o pai também sentado a ler. 
Ela: "-Mamā!"  
Eu: "- Que foi, meu amor? Vem cá à mamā." 
Nisto ela esqueceu-se que se chamava Amália, que era bebé, que ainda nāo andava... e puf… Levanta-se firme para andar na minha direcçāo. Em entusiasmo brutal só tive tempo de suster a respiraçāo e pensar a mil "em pé... sozinha"… a determinaçāo dela fez prever uma coisa e acabou noutra: um vôo picado aterrando junto a mim em choro assustado. Na realidade, nada que fosse perigoso, claro. Mas assustou-se. Felizmente nunca insistimos para ela tentar andar sozinha. Foi ela que literalmente se levantou e achou que já fazia aquilo desde que nasceu. Assim será outra vez um destes dias mas com um final mais feliz. 
Quanto ao resto, já temos conversas longas. Ela entende tudo o que se diz e responde a perguntas fundamentais. Faz pedidos… bom… pedidos, pedidos nāo sei… Dá ordens. Aponta e ordena: Dá. Ou quando diz: áua. Que em Português significa água. Ou: uta que significa fruta. Mas de tudo penso que o dizer que sim é que alterou em tudo a comunicaçāo. Na verdade, alguém entender tudo o que se lhe pergunta, e ter a possibilidade de escolher entre o sim e o nāo como resposta, faz toda a diferença. O sim foi a alteraçāo mais significativa na linguagem até hoje. 
Hoje é-lhe possível fazer valer a sua vontade. É a força de um sim ou o poder de um nāo.  
É incrível a comunicaçāo, a partilha, a linguagem. E nós, pais, abrimos a boca de espanto o tempo todo. Nem percebemos como eles aprendem, como eles apreendem.  
Sem dúvida, mais bonito ainda que ter filhos é poder comunicar com eles. 
Amália, meu amor, um desejo para a vida: que a comunicaçāo entre nós seja sempre melhor, cada dia melhor. Sempre. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Lado Melhor Da Vida



- Tá?! Tá?!
Todos os objectos passaram a poder ser um telefone. Estamos na fase da aprendizagem da linguagem. A imitaçāo. O som. O reproduzir o que ouve. Tentar. 
Começou a tentar. Um telefone toca, ou nem precisa, e de olhar fixo e concentrado olha-me. No seu tempo certo, no dela, no tempo que entende diz: Tá? Tá? Do lado de lá, ninguém responde… É a realidade do lado de lá de um comando de televisāo ou de uma outra peça qualquer no seu plástico isento de conteúdo electrónico. 
Já se percebe também o quanto a personalidade vai ganhando forma. O processo é demais. Nāo apenas por serem os nossos filhos, nāo só, mas porque é impressionante assistir à evoluçāo.  Passou um ano apenas. Sem ainda um domínio mínimo da fala, comunicamos tudo. Entendemos quase tudo. Das três palavras que diz, duas já podem ser suficientes para rebentarmos de amor: Papá, mamā.    
Papá que era Dada, passou rápido a ser papá. Depois do banho, num processo demorado para quem descobre o mundo - creme, fralda, roupa, pentear - o desespero fala mais alto. Muito farta de mim e das minhas ideias de higiene, grita pelo pai num choro tocante: papáá, pappááá. Vezes sem conta. Bem como já percebeu que assim a nossa rapidez devido a tal explosāo de amor se torna 100 vezes maior. No ovo, coisa que odeia, estica as māos mal vê a mínima hipótese de dali sair. Estes sāo exemplos simples entre mil. Aponta para tudo o que quer, para tudo o que lhe desperta interesse. Por vezes evitamos compreender o apontar constante para nāo tornar a comunicaçāo apenas gestual. Temos esta ideia de que há que incentivar a fala. 
Dos dentes… Nada. Apenas altos e baixos ao longo das gengivas inteiras.  Habitualmente aparecem à vez… Com ela nāo me parece. Vêm todos aí. Todos ao mesmo tempo. 
Em fase de experiências, coisas novas, fomos à praia. Nāo pela primeira vez mas fomos experimentar pela primeira vez a areia. Dizem que habitualmente estranham, nāo gostam. Pois nāo pareceu. Adorou. Adivinha-se um verāo alegre de construções de areia a tocar o céu. 
Foi bom. Tem sido bom. O lado melhor da vida. 






quinta-feira, 12 de março de 2015

Ouvir Mamā


É uma espécie de calafrio emocionante. Os braços estendem-se em direcçāo a nós… Tudo natural até aí. As māos delicadas e pequenas fecham e abrem em si mesmas como uma luz que acende e apaga. Repentinamente. E surge o som: Ma-mmmā. 
Morre-se 3 vezes e volta-se a morrer de cada vez que ouvimos um filho bebé repetir as primeiras vezes Ma-mmmāāā… 

Era de manhā. Uma fralda suja. O drama de sempre no topo daquele muda fraldas porque o mundo é tāo mais interessante que aquele tampo alto e distante de tudo. Os objectos experimentam todos a grande queda como se viajassem desde o topo de um arranha-céus para se desfazerem contra os tacos da madeira envernizada e brilhante. Puf. Lá vai um frasco da primeira água. Pufas. 
Lá vai a colónia. Os dodots. A escova. Tudo. Nada escapa aos testes da lei da gravidade. 
Acabam-se os objectos à māo de semear. E a fralda que nunca mais acaba. 
Resto eu. Restamos nós. 
Os sorrisos trocados. Olhos nos olhos. Aqui foi: Ma-mmmāā. 

Uma. Duas. Três. Três vezes disse. Três vezes caí para o lado. 

Nāo se trata da proeza de dizer simplesmente mamā. Dizer já disse antes várias vezes. Mas sempre repetindo a voz do pai ou a minha. Deixando eternamente a dúvida se saberia o que estava a dizer. Começou a dizer umas vezes por ela própria quando acordava no berço e gritava no meio do choro mamamamaamamamamamama … Mas fica-se sempre na dúvida… É mamā ou pode ser apenas uma espécie de buábuábuá em jeito de banda desenhada ganhando a forma da voz humana. 

Dúvidas distantes. Desfeitas.
Ontem disse. Sem equívoco. Hoje tornou a repetir. Sem equívoco. 

A forma de confirmar é simples. Basta sair do seu campo de visāo e voltar a entrar. Hoje ela dizia ma-mmmā e eu saí do quarto uns segundos. O pai com ela nos braços. Ficaram a observar a porta. Quando abri e entrei. Os braços estenderam-se e repetia Ma-mmmā Ma-mā ma-mā… atirando-se em voo. 

Meu amor, sou… Sou a mamā. A tua Ma-mmmā
Em relaçāo a papá… Ela repete Dada… Dada… Dada… Penso que tenta dizer papá. 
Mas o Pedro só dá como certo quando for com as letrinhas todas… Diz a avó em jeito de ternura "Oh Pedro ensine lá a dizer daddy que é rápido" :) 

Mamā e Dada contentes com os passos da linguagem. 
É incrível o desenvolvimento da comunicaçāo.