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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

As Gémeas Da Ana



Cruzei-me algumas vezes, várias, com o seu fabuloso sentido de humor na casa de uma amiga comum. Foi sempre uma lufada de ar fresco. Uma diversāo. 
Nāo éramos amigas. Entre nós amigos em comum. 
Naquela casa sempre cheia de gente, as gargalhas de grupo, as inofensivas e saudáveis jantaradas à volta da mesa e histórias atrás de histórias. 
Daí ficou-me um retrato muito genérico daquela que será certamente muito mais que apenas a elegante, simpática e divertidíssima Ana Marques.  
Hoje é sobre ela que escrevo. Bom... Sobre ela, nāo. Pois nāo saberia o que escrever para além de uma lista de elogios. Hoje é sobre o seu livro que escrevo, "As Minhas Gémeas":

Livro que devorei em dois dias. E só por isso me atrevo a fazer este post. 

Num país de literatura, onde todo e qualquer livro é submetido a críticas ferozes como se apenas as grandiosas obras fossem dignas de publicaçāo, atrevo-me a dizer neste caso: que se lixem os intelectuais. Que se lixem todos aqueles que na praia iriam gostar de tapar todas as capas menos literárias. 
Eu nāo li este livro... Eu devorei este livro. Senti-o em todas as respirações, em todos os pontos, em todas as vírgulas. 
Todo ele é verdade, honestidade, sentimento, sentido e... é puro. Perfeito cristal. Repleto de amor, ironia, tristeza, ansiedade, medo, receio... Mas cheio de coragem. Coragem nāo só pela vivência passada, mas... coragem por depois de tudo ainda partilhar connosco de forma tāo crua, tāo completa, tāo cheia, tāo real, honesta, verdadeira, inteira e mil coisas mais, aquela que foi uma viagem turbulenta e acidentada até chegar ao seu destino.
   
Desfez-me em pedaços. Fez-me chorar, rir, gargalhar. 
Tudo.  E às vezes tudo na mesma frase. 
Identifiquei-me em tanto e em tāo pouco. Porque esta foi a perigosa história que nāo me aconteceu. Porque esta é a perigosa história que comigo nāo se desenvolveu. Porque felizmente a minha simples história foi apenas uma pequena vírgula comparada a estas duzentas e poucas páginas. A minha história começou e acabou na medicaçāo diária ao longo do segundo e terceiro trimestre para prevenir a terrível doença. E  limitou-se ao controlo diário da minha tensāo arterial. Ponto final.
Ou seja, destas duzentas e poucas páginas conheço na pele pouco mais  que sintomas, o alarme, o pânico, o aconselhamento médico, a ansiedade, o medo... Uma mera vírgula aos olhos do que esta māe/mulher/filha passou. E partilho ainda a mítica personagem do Dr. Álvaro Cohen. Uma vez entrando na nossa sala... magia acontece. A calma invade-nos como se no mais vulnerável perigo ele fosse O salvador.

Ler este livro tocou-me de tal forma que acho que escrevo para dizer isso e apenas isso. Agradecer acima de tudo à própria Ana Marques por nāo ter guardado a sua experiência a sete chaves porque é sublime mergulhar nestas páginas e nāo querer sequer fechar o livro para dormir. 

Nāo é livro para se ler durante uma gravidez. Isso nāo. Mas depois de se ser māe, depois de se voltar para casa, depois de regressar ao mundo e sobre ele ter uma visāo gigantemente diferente... Sim... Depois de tudo isso é tempo de ler e com ele chorar e rir. 
Como me disseram no outro dia em tom de graçola... : 'Nāo te preocupes, o livro acaba bem, ela sobreviveu."
É mesmo isso... bendita seja a sua sobrevivência. Dela. Delas. 
Bendito seja o "palácio amarelo" e todos os que ali salvam e ajudam vidas. 

É por esta e por muitas outras histórias que a MAC deve/tem de continuar a existir.
  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Somos Māes Nāo Somos Gordas



 Foto de: Jade Beall


Jade Beall recorde este nome.
Esta mulher fez um trabalho fotográfico de uma sensibilidade tocante. 
"A Beautiful Body"
Depois de ter sido māe auto-retratou-se com o seu rebento de uma forma crúa e cheia de amor. Da sua imagem ao espelho diferente, nova, surgiu a ideia de fotografar outras mulheres a quem também a maternidade deixou marcas no corpo.

A gravidez marca. Para além do grande marco de beleza que é na vida, também é marcante no corpo. Nas entranhas. Na estética. A beleza redefine-se. Como um baralho de cartas que se baralha e volta a dar.
A sociedade parece mais que nunca saber valorizar isto e disponível para novos padrões de beleza e aceitaçāo. Há inúmeras campanhas que apontam nesse sentido e projectos fascinantes como este chegam a um mundo de pessoas que o abraçam com amor, respeito e admiraçāo.

A isto falta ainda chegar e tocar mentalidades supérfluas. Mas já dizia a minha avó... "Nāo se pode agradar a Gregos e a Tróianos." 

Que se lixem a estética, a perfeiçāo aparente e os padrões de beleza instituídos. 

Somos māes minhas senhoras, nāo somos gordas.  Ensina-me todos os dias o meu próprio pai e o teu pai, Amália.    
Para quem nāo tem homens fabulosos destes em casa... Por favor nāo se cansem de repetir isto:
Somos māes. O resto é conversa.





Fotos de: Jade Beall
Projecto: A Beautiful Body

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Perdi. Perdi Metade.



Férias. Ou pelo menos uma pausa. 
Aqui os cães ladram e as caravanas não passam. Hoje foi o teu primeiro dia de calor, aquele calor de verão... Com cheiro a campo e tranquilidade de relva. O som ecoa pelos montes e perdemos a noção das horas. São 21:30... Podiam ser 17:00. As folhas esvoaçam no ar quente... E o som. O som. Quero ficar aqui para sempre. 
Com 3 meses e pouco mais já quase não choras. A rotina é leve como não era. As cólicas são raras desde os dois meses e meio. O teu sono à noite como o nosso, longo e tranquilo. O choro raramente aflitivo. Os sorrisos constantes como o pai. A certeza de que a vida agora existe cada vez maior.
Um senão... Um grande senão... De madrugada entre fotografias do ano passado estarreci... Porquê? Não me apercebi, até hoje, não me apercebi... Tive nos últimos anos cabelos saudáveis ao vento. Muitos... Longos... Soltos... Hoje vi. Perdi metade. Entre gravidez, parto e hoje. Não percebi. 
Perdi. Perdi metade. 

Faz parte, dizem. Não me apercebi.
Até hoje não me apercebi.
Tenho pena. Muita. 
Perdi. Perdi metade. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Nāo É Razāo


Cansa-me tanto esta tristeza de todos os dias querer escrever e na realidade ser ainda tāo difícil de cumprir. 
A verdade é que sou todos os dias confrontada com escolhas importantes para gerir o meu tempo. O nosso tempo.

Os dias começam e acabam quase antes de começar. 

Agora, comecei felizmente a ginástica pós-parto e, pelo menos isso, consigo cumprir. A Amália lá vai comigo e contamos juntas séries de 20. De um a vinte voltamos ao início. Quarenta parece mais que duas vezes vinte. Tudo é uma questāo de perspectiva. 
Os quilos, os mais incomodativos, os piores ficaram. Estāo cá. Os fáceis foram embora numa semana. Os últimos cinco ficaram aqui. Permanecem "alapados" como super cola 3. 



Na fotografia, o contentamento pelos 8 quilos perdidos em muito poucos dias, logo após o parto. 

Cresci e aprendi o valor da sabedoria e do envelhecimento, a beleza do tempo em nós. A minha bela, bonita e estupenda avó ensinou-me, sem uma única palavra, a beleza do tempo fisicamente em nós. E a vida tem-me ensinado também a importância de tudo o resto... Aqueles lugares comuns, sim. E sim, é totalmente verdade a importância do que nos vai cá dentro. Tudo o resto se perde, de facto, bem mais cedo que aquilo que nos vai cá dentro. Mas apesar da importância do que somos ser grandiosamente maior do que o que aparentamos... Apesar de tudo isso:

É preciso estofo para as mudanças do corpo após a maternidade. É. 
O corpo é incrível em todo o seu trabalho árduo e nāo merece em momento nenhum do processo descontentamento ou revolta. Nenhum. 
É agarrar nessa transformaçāo, abraçá-la e dar a volta. 
Há que ter a certeza: queremos voltar ao lugar? 
Queremos porque é isso que somos. É isso que sempre fomos. 

As novidades já sāo tantas que nāo precisamos de ter de gerir mais essa de ficar com um novo peso. Por isso há que sair de casa e ir. Ir em conjunto com outras māes contar até 20, 40, 60 ou 700000 mil.
"Um, dois, esquerdo, direito. Encolhe a barriga e estica o peito."  Contar e ao mesmo tempo partilhar. Rir e ao mesmo tempo matar pela raíz aquilo que nos podia vir a ser pesado futuramente. Peso pesado. 

Este é o momento em que se escolhe: Estou bem assim ou nāo? A resposta é: nāo. 
Mesmo no auge do cansaço, vale-nos a entrega, o compromisso e a dedicaçāo. Há que respeitar as māes, mais ainda todas estas que se esforçam para voltar à forma de onde partiram.  

E nāo... A mim nāo me chegam os comentários de que estou igual... 
Agradeço. Acarinham-me. Gosto. Mas ainda nāo. Nāo estou. 

Por isso venham daí essas contagens até ao infinito. Seja de 20 em 20. Seja de 100 em 100. 
O importante é contar e descontar. Também eu "quero voltar ao ponto de partida". 
E voltarei.

Ser māe é muita coisa mas nāo é nem será nunca razāo para abandonar o que somos. 





quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Medo, A Mudança e O Momento




Hoje sei mais sobre a mudança interior que a cegonha nos traz. Refiro-me à grande mudança em nós  com a gravidez. Do que se segue ainda nada sei. Imagino. 

As lágrimas e as gargalhadas exageram-se inicialmente. A revoluçāo no corpo é tāo enorme que toma conta de nós, nem sequer temos essa noçāo clara. Chorar e rir torna-se mais que banal num dia com 24 horas. O medo, o pânico e a incerteza no silêncio do segredo mais bem guardado, durante os primeiros três meses, tomam a alma de assalto. Levam-nos para um universo longe daqui muitas e muitas vezes, mais do que as vezes que aqui estamos. Vamos lado a lado com o medo de perder a felicidade extrema que ainda agora se ganhou. Foi assim comigo. Foi assim connosco. 

Os três meses passam. A revelaçāo. Achamos que agora o medo vai passar. Esse assombroso medo de perder. Nāo passa completamente. Cada fase traz consigo um novo medo, uma nova revoluçāo. Medos naturais de quem quer muito que tudo esteja no lugar, que tudo seja certo, que tudo corra pelo melhor. 
Em tantos meses o que mais se sente é este medo, e outro e outro e outro e sempre outro. Cada medo a seu tempo. Com as suas razões sensatas e com as suas razões exacerbadas. 
Desenganem-se futuras māes se acham que convosco será diferente. Com mais ou menos medos, o medo passa a estar em nós. Faz parte. Pode ser aterrorizador, pode ser mais leve, mas está na natureza do nosso corpo, da nossa alma, do nosso coraçāo de māe. Māe é māe desde o segundo em que sente, em que sabe, em que tem a certeza. 

A sensaçāo atenua. O exagero diminui com o passar do tempo. Com o fim da grande etapa das 40 semanas à vista. Ainda assim, continua lá: estará tudo bem quando nascer? Correrá tudo bem? 
- Agora conte até 10 movimentos todos os dias entre as 9h e as 21h - dizem os médicos.
Assim é. Anota-se cada dia na caderneta da grávida como se da Bíblia se tratasse. Se nāo se sentir o bebé 10 vezes ao longo de 12h (depois da semana 35) tem de ir imediatamente à urgência fazer um CTG.
- Ah... E falta ainda um exame. Um exame simples que todas as grávidas têm de fazer na semana 36/37. 
Um exame que nunca mais sai o resultado. Se for positivo, como acontece a tantas māes, complicações podem aparecer devido ao parto e atenções extra sāo precisas nestas últimas semanas. Parece que nāo acaba mais...
Os medos. O medo. Sāo tantos. Inúmeros. 

Mas nos intervalos do medo rasgam-se alegrias únicas, memoráveis, belas, flamejantes, puras. 
O teste positivo. A primeira ecografia. O primeiro batimento do coraçāo. A confirmaçāo: menino ou menina? Os exames quando nos relaxam a alma durante uns dias. O primeiro pontapé sentido. O primeiro pontapé partilhado. A certeza de que tudo vai estando normal. Os planos. O enxoval. O quarto. A preparaçāo. O ler. O aprender. O sentir. Acima de tudo, o sentir.

O misto de emoções sensibiliza cada ponto da nossa existência. Acontece muito mais do que se fala. A felicidade é levada ao extremo e o medo também. Tudo nos invade a alma. 

Para além de tudo isto, a maior transformaçāo aconteceu. A vontade de: 
Cozinhar. Coser. Criar. Fazer bolos. Decorar. Tratar. Organizar. Planear. Estruturar. 
O aprender a ser melhor, maior e completo.

Sempre trabalhei muito, e dedicadamente, em tudo aquilo que faço. Mas sempre o fiz muito por mim. A pensar em mim. No meu futuro. Nos meus gostos. No que amo. No que faço bem. Numa ideia singular do que se pode fazer e conseguir. 
É natural, claro. Até aí o que existe somos nós, primeiro nós. O que fazemos. O que somos ou queremos ser. Onde vamos. O que pretendemos. Nós. Cada um de nós virado para o que é ou pode vir a ser. Mudamos verdadeiramente quando passamos a pensar e a sentir por eles. Eles... Os nossos filhos. As grandes mudanças vêm de dentro de nós. E sāo elas que em si nos tornam melhores, enormes. 

Sinto-me maior, melhor. Depois de experimentar o verdadeiro medo. Depois de entender a força da natureza. Depois de viver a felicidade extrema. 

Ainda há muito ou quase tudo para viver. Eu sei, eu sei. Este foi, é apenas o começo. 
Vamos lá entāo. Vamos: ser tua māe. 
Semana 36 e 4 dias. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Grávida ou Sempre-Em-Pé




Dou por mim a gargalhar sozinha. Comecei muito bem a gravidez e aguentei um peso saudável durante 7 meses e meio. Cheia de orgulho lá andava eu de barriga empinada para todo o lado sabendo que o aumento de peso era mesmo apenas barriga. 
Eras apenas tu, meu amor. 
Hoje acordei a rir sozinha enquanto tentava calçar umas botas e mais parecia uma missāo impossível. 

Ao fim de várias tentativas e de me sentir um sempre-em-pé lá consegui a muito custo.  É que de repente no último mês aumentei 3 kilos. Sim, 3 Kilos. Ou seja, já conto com 10 Kilos a mais. Nāo ando como as pessoas normais e muito menos me levanto com elegância, pois antes tenho mesmo de rebolar para um dos lados e apoiar-me para me elevar como se precisasse de um guindaste. Nada disto altera o meu amor. Nada mesmo nada. Até porque tudo isto é mais que natural. Mas sinto a minha agilidade absolutamente fora de campo e esta limitaçāo felizmente é temporária. 
Por isso mesmo rio-me sozinha,.Quer dizer: contigo. 
Esta sensaçāo de lutador de sumo acaba por ter graça e trazer momentos de diversāo. Acima de tudo para o teu pai. No outro dia, nāo parávamos de rir porque eu me tinha sentado no chāo da sala junto à esquina da mesa de centro e encostei-me ao sofá. Vá-se lá saber porquê... achei que aquela era a posiçāo ideal para estar sentada. O problema foi quando me tentei levantar e nāo era possível. Isto é real: fiquei presa entre um sofá e uma mesa. O teu pai ria sem parar e a tirar fotografias e eu sem me conseguir mexer um milímetro. Sem a ajuda dele teria perdido certamente uma meia horinha a tentar delinear uma estratégia para me levantar. 
Valeu pelas gargalhadas. 
Está quase no fim e vamos acreditar que até tu chegares ainda me vou conseguindo movimentar mesmo que com alguns detalhes dignos de desenho animado.
A ideia, Amália, é que tu aumentes de peso e nāo eu, meu amor.  <3 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

... Mas Tu Fizeste De Mim Māe


Imagem e Video de: boba.com




"Senti-te.
Eras uma ervilha. Depois um limāo. E uma planta. 
Segui conselhos. 
Li doze livros. 
Desisti de beber café. 
Percebeste que estava com medo?
Falei para ti, cantei para ti. 
Nāo estava pronta...
Mas depois estavas aqui. 
Dez dedos. 
3 Kilos. 
Amor. Amor grande, amor gigante. 
Segurei-te ao colo. 
Dei-te de comer. 
Percebi que ia passar toda a minha vida a fazer coisas para seres feliz. 
E que isso me fazia a mim feliz. 

Depois... As vezes todas em que quis desistir. 
Fizeste-me repensar a minha sanidade mental. 
Fizeste-me querer cair aos pés da minha māe e dizer-lhe: eu entendo. 

E entāo, tu sorriste. 
Disseste o meu nome. 
Pegaste na minha māo com esses pequenos dedos. 
Estamos a crescer. 
Juntas. 
Estamos a ver o mundo como se fosse novo. 

Vou abrir o meu coraçāo e o amor vai chover em ti. 
E eu farei tudo de novo. 
E lá vamos nós caminhar.
De māos dadas... Até que tu deixes ir... 

Eu fiz-te... mas tu fizeste de mim Māe." 





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O tempo. 34 Semanas e 4 Dias


O tempo. 34 semanas e 4 dias. Nāo pára. Qualquer dia tens 18 anos, namoras e já nāo só sabes o que queres ser quando fores mais velha, como terás inclusivamente a tua própria visāo do mundo.  Interessa pouco, por agora, apenas porque ainda falta tempo. 

O tempo. O tempo interessa. Porque passa. O que lá vai já foi. Interessa o que vem. Interessa o agora.
Ainda estás aqui. Pequena, envolta, segura. O mundo cá fora espera. O nosso mundo. Nós, acima de tudo nós. 
Penso no que ouço muitas vezes sobre os primeiros tempos do nascimento. O cansaço, a pressāo, a irritaçāo, o nāo dormir, o nāo poder trabalhar, o nāo ser um conto de fadas, o "agora é que vais ver como é"...
Podia concentrar-me nisso tudo mas nāo concentro. Nāo acredito ou deixo de acreditar. Nem tāo pouco me preocupa. 
Cansa? Pois claro que deve cansar. Fica-se em baixo? Pode ser, naturalmente como resultado do cansaço, das mudanças repentinas, do receio, do medo, de muita coisa junta... 
Nāo vou dormir - Dizem. Mas quem diz? Quem sabe? Ninguém. Ainda que fique anos a dormir muito menos... Nāo te preocupes, pois eu também nāo. Ao longo dos anos tenho dormido o suficiente, ou seja, tenho créditos guardados. Quanto a nāo poder trabalhar... Claro que hei-de poder. Assim que seja possível retomar, assim será. Quanto a nāo ser um conto de fadas? Nada o é completamente. Nem nunca esperei tal. 

E sim, é um facto, agora é que vou ver como é. E será incrível certamente. Aconteça o que acontecer. 

Também tenho ouvido muito: "O importante é terem ajuda, muita ajuda." 
Ajuda talvez. Muita ajuda, depende. Depende mais uma vez de cada situaçāo. Quando se precisa de ajuda, é simples, pede-se.  Umas vezes sim, precisa-se, outras vezes nāo certamente. Podem ser muitas ou poucas vezes. O importante é ser ajudado quando se precisa. Ser ajudado e nāo ser "complicado". Ajuda que complica é complicado. Ajuda precisa sim, é ser ajudado. 

Concordo muito com que os pais é que têm de desbravar o caminho, aprender e conhecer melhor que ninguém o seu filho. E esse é um trabalho difícil que deve ser feito com calma e a dois.
No fundo, no fundo, é nisto que acredito. Ter o espaço para aprender a nossa dinâmica. Para te  entendermos e assim sermos a tua família. Mantendo a calma. Avaliando e percebendo. Aos poucos, aprendendo. 

Somos todos diferentes. As experiências sāo todas únicas. O importante é saber gerir, gerir e gerir o melhor que se sabe. E evoluir. 
O resto...  De resto é aproveitar, viver, crescer. 
Crescer. Crescer. Crescer. 
E juntos... Pois brevemente seremos três.

Falta pouco. O tempo. O tempo. Já sāo 34 semanas e 4 dias.  




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ver-te De Verdade: Eco 4D (33 Semanas)

Foi uma experiência marcante. Vi-te agora efectivamente pela primeira vez. Nas outras ecografias normais a preocupaçāo dos médicos era naturalmente verificar medidas, dados, comparar crescimentos e proporções, analisar gráficos, curvas e fazer contas para garantir a saúde de um bebé e a sua evoluçāo no ventre. Tantas vezes as māes estāo deitadas numa posiçāo em que o braço do médico fica na frente e nem se vê em condições o que o médico está a ver. É natural pois nessas ecografias a prioridade é a saúde e a observaçāo minuciosa para alertar para eventuais problemas. Ou seja, para essas ecografias parte-se tantas vezes de coraçāo nas māos com receio de que algo nāo esteja bem dessa vez. E tanta coisa pode de facto acontecer.  

A verdade é que a determinada altura da formaçāo avançada de um bebé esses medos sāo menores, cada vez menores e os pais relaxam e podem disfrutar da tecnologia se assim entenderem. Como acabou de nos acontecer:
Recebemos um presente. Um presente que agradeço de coraçāo pelo encanto da experiência. 
Chama-se ecografia emocional 4D. E Lá fomos nós ao n' 56C da Av. de Berna em Lisboa. 

E o que é isto de uma ecografia emocional 4D? 

É ter o privilégio de ver o nosso bebé ainda dentro da barriga mas já com os seus traços o mais parecido possível com o que vai ser quando nascer. Há que ter noçāo de que uma ecografia 4D nāo é uma fotografia absolutamente fiel, naturalmente. Pois o ultrassom tem de captar imagens através da pele e do líquido amniótico. Tal como quando se fotografa através da água o resultado é alterado pela densidade, aqui acontece o mesmo. Por todas as razões e mais algumas: a espessura da pele, o movimento do bebé, a posiçāo da placenta, e outros factores vāo interferindo com a imagem límpida e perfeita ideal. Mas nada disto retira beleza ao momento que é para lá de maravilhoso. O que é possível hoje em dia com o avanço da tecnologia é ver como vos mostro aqui numa imagem da Amália. 



A sensaçāo é fabulosa. Brutal. Única. Vê-la sorrir, bocejar, abrir e fechar os olhos, os pés, os pontapés, os movimentos, as perninhas, tudo e com uma noçāo totalmente diferente de uma ecografia normal. Numa ecografia normal vê-se ossos e imagens cinzentas com uma definiçāo inferior e diferente. Na ecografia 4D vê-se tudo mais fiel à realidade. O líquido pode deformar por vezes a imagem, sim, mas a questāo aqui nāo é de todo uma questāo estética mas a experiência de um momento único em que os pais têm a oportunidade de ver, perceber e observar com tempo, atençāo, amor e maior qualidade o que se passa dentro de barriga. Em termos estéticos percebemos que sim, vá, a princesa Amália decidiu ir buscar os lábios à Angelina Jolie, parece... Apenas parece... Pois lá está... pode ser o líquido em quantidade que ali aumentou essa sensaçāo. Ou podíamos também achar que o nariz isto e aquilo ou os olhos isto e assado... Mas nāo. Isso nāo interessa nada. Ainda que seja uma boa aposta esse "roubo" de tāo bonitos lábios contornados e desenhados à māo. 
Porém o que vale mesmo a pena é ver o que andas aí dentro a fazer e olhar-te como és, com menos imaginaçāo, mais próximo de como realmente és e como reages aos estímulos cá de fora. E esses teus sorrisos que nos arrebatam o coraçāo. O sorriso, esse, nāo foste roubá-lo a lado nenhum senāo ao teu pai. Sempre a sorrir. Uma maravilha. 
Com mais ou menos líquido pelo meio, gostei tanto de te ver. Tanto de te conhecer mais um bocadinho.  E longe de considerações fúteis de beleza que aqui nāo têm lugar,  digo-te: a natureza é maravilhosa. Nós nāo fizemos nada, nāo sabemos nada, a única coisa que nos limitamos a fazer é seguir o que a māe natureza decide. 
E tem decidido tāo bem. É transcendente ver-te, sentir-te, perceber-te e ter-te aqui dentro. 
Melhor que isto só mesmo ter-te nos braços. 


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Barriga Com Vida



É maravilhosa a sensaçāo de barriga viva. Nāo se controla. É mais que bonito, mais que perfeito. Incrível. 
Há muito que tenho a sensaçāo que os movimentos sāo tāo fortes que se vêem ao longe. Na altura nāo era verdade, era forte para mim mas imperceptível para os outros. Agora basta olhar. Basta ver. Observar.
Sei bem ao que todas as māes se referem quando dizem: "Vais ter saudades dos pontapés". É isto. É esta vida que se gera de uma forma fascinante dentro de nós. Em forma disforme de pele que estica para a esquerda e para a direita. Que se transforma e movimenta por socos e pontapés de amor. Sem ordens ou comandos. Por si só. Espontaneamente com uma força que nāo se explica. 
O que se passa todos sabemos. Como se passa também. O processo, tudo. Mas ainda assim é inexplicável isto de se gerar um ser dentro de nós. 

É maior que tudo na vida. Maior que a razāo e que o coraçāo.   







domingo, 26 de janeiro de 2014

32 Semanas


Às 32 semanas já terás o cabelo com que vais nascer. Se fores como eu... Nenhum: podes nascer completamente careca. Já respiras líquido amniótico mas os pulmões ainda nāo estāo totalmente formados. Estás de cabeça para baixo já na posiçāo correcta para quando nasceres. Nestas semanas que faltam vais duplicar o teu peso e ficar cada vez mais apertada aí dentro. Continuarás a dar pontapés como o Karaté Kid e a fazer caretas explorando esse mundo só teu. Ouves tudo o que se passa como sons distintos. As unhas já cresceram. Apesar de tudo isto ainda és pequenina, muito pequenina e sāo fundamentais as próximas semanas para a cada dia aumentar a tua resistência e o teu peso. Nesta fase a minha falta de ar aumenta pois o útero pressiona os pulmões... Mas difíceis sāo as dores na costela direita causadas pela posiçāo dos teus pés. Muitas māes ficam com o umbigo para fora e com uma risca escura que surge de alto a baixo ao longo da barriga. Nem uma coisa nem outra aconteceu comigo até agora. E pode manter-se assim que nāo me queixo nada da barriga lisa e branquinha com um umbigo pequenino quase igual ao que sempre tive. 
O tempo passa a correr... Está quase... Estás quase a chegar. Esta frase está escrita em todo o lado. Percebi hoje e tenho ouvido todos os dias. Está mesmo quase...
Há que correr contra o tempo e organizar tudo o que falta para estar calma quando chegares. 
Nāo falta tudo, claro, mas faltam poucos detalhes muito importantes. 
Continua a explorar o teu mundo aí dentro, meu amor. Neste mundo aqui fora depois tens muito tempo.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Quarto



Amália, meu amor, acabaram de chegar os armários para o teu quarto. Aos poucos tudo se vai compondo. A casa está pronta, confortável e ao nosso gosto. O teu quarto é mesmo a única divisāo que tem ainda caixotes por abrir e algum trabalho pela frente. Tem de ser aos poucos porque nāo me deixam fazer como costumo... Tudo de uma vez nāo pode ser. Com calma lá vou fazendo. Fica a promessa de fazer um post brevemente quando o quarto estiver pronto e com fotografias da evoluçāo do processo. O papel de parede está comprado, o berço está montado, os armários chegaram, falta mesmo só organizar tudo. O enxoval está quase fechado também apesar de agora estar em exposiçāo na sala de jantar, pois foi necessário fazer um ponto da situaçāo. A parte pior ainda vai ser ter de lavar tudo, tudo, tudo antes de usares. Mas, naturalmente, tem de ser.
Quando chegares vais gostar. Prometo. 




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Māe Artista


Sophie Starzenski, fotógrafa, registou ao longo da gravidez todas as fases. Com praticamente sempre o mesmo enquadramento, contexto e posiçāo. Partilho as 10 fotografias da fotógrafa repletas de simplicidade. Imagens que mostram a evoluçāo do fenómeno que é a gravidez e o mais belo trabalho desenvolvido pelo fabuloso corpo humano. É um trabalho artístico simples, pessoal, despretensioso e tāo bom por isso. Nada do outro mundo. Deste mundo mesmo. Gosto bastante. 

É daquelas coisas que ao olhar para trás me arrependo de nāo ter feito. Vários amigos sabendo da minha paixāo por fotografia incentivaram-me diversas vezes a fazer registos repetidos da evoluçāo da gravidez. Nāo fiz. E lamento. Ainda bem que há quem faça. Espero que gostem das fotos dela. 
Deixo também o endereço do site com mais trabalhos para quem estiver interessado:  










Imagens de: Sophie Starzenski 



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Aulas Pré-Parto

Amanhā começam as aulas para aprendermos a tomar conta de ti e também sobre este tempo final de gravidez até ao parto. Durante muito tempo pensei que era tonto fazer aulas para aprender aquilo que é supostamente inato. A verdade é que nāo nascemos ensinados e há milhões de dúvidas que se vāo somando ao longo da gravidez e crescendo com o tempo. É como se pensarmos em alguém que por mais que nasça com um grande talento para desenhar nāo implica que tenha a capacidade de se tornar num grande artista. Ou seja, por mais que o instinto esteja lá em todos os pais, a verdade é que as aulas e o apoio de quem tem experiência pode ser decisivo para aliviar pressões, momentos, erros e até prevenir situações perigosas. 
Há uns dias conheci a Célia... A enfermeira que nos vai guiar e apoiar ao longo do processo. Nos bons e nos maus momentos. Desde esse dia parece que me sinto mais leve. Uma grande parte dos meus medos desapareceram. Foi amor à primeira vista. Quando se está perante alguém que ama profundamente aquilo que faz, isso sente-se. A frase que mais me tranquilizou foi: "em caso de urgência, seja a que horas for, primeiro o número da sua médica claro, logo em seguida o meu número. Sempre. A qualquer hora." Já sāo poucas as pessoas assim. Na hora em que reuni com a Célia percebi de imediato o quanto nos ia fazer bem passar por todo o processo com ela por perto. 
Temos mesmo muita sorte. A nossa médica é desde sempre o conforto, a segurança e a objectividade da experiência. E agora para um descanso e sossego ainda maior, apareceu ainda a enfermeira Célia para nos pegar ao colo. A mim, a ti e ao pai. Para olhar por nós. Obrigada Célia. Obrigada "Kuantos Meses".

Nāo te preocupes Amália, nāo que nāo estejamos preparados para tratar de ti... mas com o apoio de quem sabe mais que nós aprende-se e evita-se ter de sofrer com inquietações e dúvidas de principiantes que te podiam prejudicar. Assim estaremos calmos e mais informados para te receber. 

Começamos amanhā, depois digo como correu. Vamos ver se somos bons alunos.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Barrigas Na Passadeira Vermelha



Ontem a gravidez também desfilou nos Globos de Ouro 2014. Olivia Wilde arrasou com brilho e simplicidade como se pode ver no link em baixo. Nunca vestiria as flores da Drew Barrymore mas como também já vesti coisas bem estranhas no passado... Nāo critico. Até porque certamente há quem goste. Criticar as escolhas dos outros parece-me sempre injusto e implica um conceito de superioridade que me perturba. Escrevo este post nāo para criticar mas porque conheço o desafio que é vestir o que quer que seja na gravidez. É difícil por centenas de razões, desde "o que serve hoje deixa de servir amanhā", até ao "nāo conheço as formas do meu corpo assim e nāo faço ideia onde e como certas e determinadas partes vāo encaixar". Tudo isto para dizer que até parece fácil ao olhar para a beleza estonteante com que a Olivia Wilde mostra o seu barrigāo a brilhar desta maneira. O tom de verde ilumina-lhe o rosto e ainda mais o seu olhar. O branco de Kerry Washington nāo é para todas as grávidas mas também me cativa pela simplicidade. Evitar peso a mais ajuda muito mas antes de criticar vale a pena defender que nem sempre a grávida tem opçāo. Há fenómenos do organismo que nada têm a ver com a quantidade ou qualidade de comida que a pré-mamā come. 
O segredo, seja para ir a uma gala ou ao supermercado, estejamos magras, inchadas ou gordinhas... Seja o que for, o segredo é evitar balandraus largos na gravidez. Sempre achei que o melhor era vestir coisas largas na gravidez. Descobri que nāo. Quanto mais justo melhor. Nāo vale apertar. Mas vale exibir com amor a barriga enorme na elasticidade e no conforto dos tecidos. Com mais ou menos gordura, o resultado é sempre melhor.

Veja-se aqui o orgulho das māes na passadeira. Com este ou aquele vestido... O que conta é o sorriso  comum a todas:

Best Dressed Bumps! Olivia Wilde, Kerry Washington, and Drew Barrymore show their natural glow...





terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Minha Pequena Princesa


A alcofa que o pai comprou chegou hoje de longe. Feita de propósito para ti, ma petite princesse. Linda. A māe está um bocadinho grande para se deitar aqui... Mas dá vontade de tentar. 

O reino da princesa constrói-se a pouco e pouco. E cresce, cresce, cresce... Como tu. Hoje na conservatória as senhoras que nos atenderam estavam deliciadas com a nossa barriga. Ficaram em choque quando perceberam que ainda faltam 2 meses e pouco. Diziam com muita graça: fica-lhe  bem porque está muito elegante mas essa barriga até parece que vai nascer já. Tem a certeza que é apenas uma? Primeira gravidez??!!!! Essa barriga sāo dois. Tem de fazer mais ecografias, sāo duas. Olhe que sāo duas.- insistiam e riam- Vá, endireite-se para a máquina... Quer dizer, se conseguir! 
O que podia ter sido burocracia chata tornou-se num chá das cinco. Divertido.  

Que seria... Estar à tua espera e serem duas... Ahahahaha acho que o pai ainda mudava de casa com tanto vestido e lacinho. Pobre pai, ia ficar em apuros com tantas meninas a quererem mudar o canal e o futebol a dar. Rico pai, rei entre as suas princesas. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Já Amanhecia


Hoje amanhecia e as duas nāo dormíamos. Dizem que acontece muito. Nāo sei. Aquilo que sei é que a angústia é grande. Sempre dormi bem. Mas hoje: saber que tem de se dormir, que tem de se descansar e nāo ter sono foi um tormento. Seja mais que normal para todas as grávidas, ou nāo, especialmente no último trimestre, confesso que nāo é agradável o peso na consciência. Sentir-te a mexer inquieta a noite inteira como se fosse hora de diversāo foi motivo para nāo chegar o Joāo Pestana. Valeu-nos o bom dia do pai no espelho da casa de banho com pasta de dentes. Aconchegou o coraçāo quando li e reli. Mais ainda quando o pai acordou e percebeu que era tāo tarde, ou melhor, tāo cedo e nós ainda de olhos abertos. Foi o pai que finalmente nos acalmou e adormeceu. Com a māo no cabelo da māe a falar do mar e de fotografia. 
Desculpa minha princesa por nāo te ter conseguido adormecer, por nāo me ter conseguido adormecer a tempo e horas. 
Parece que acontece. Aconteceu até bem de manhā.
Espero que estejas bem. A māe: cansada.  

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Desejo Cumprido


Nāo te podia deixar impaciente. Assunto resolvido em casa: panquecas com mel. Resolvido por hoje... E a estas horas... Sim: 02:56 AM
Estavam maravilhosas. Estavam. Melhores que as daquela marca de gelados que nāo pensou em nós antes de mudar de instalações. Nem um telefonema, um postal, um sms, uma cartinha, nada... Pff. 
Mas nāo me deixei vencer. Estavam de cair para o lado. 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Ver Estrelas

Imagem de: Pedro Mendonça

Os teus pés sentem-se como tamanho 44. É cada pontapé que até estrelas vejo. Estrelas no céu, às cores, muito cintilantes. A tua casa deve estar a ficar pequena porque a verdade é que os teus bracinhos e perninhas parecem ser tamanho large. Durante a noite tentas encontrar caminhos refundidos para te esconderes só tu saberás de quê. Eu, de pestana aberta, a sentir e a ver. Cansada, não de ti- isso nunca- mas cansada, viro-me da esquerda para a direita com dificuldades acrescidas. De dia, finalmente entendo o porquê dos outros muito prontamente se oferecerem para apanhar coisas que caem ao chão... Não entendia o porquê de tantas vezes isso acontecer. Achava atencioso mas exagerado. Novidade: Não é! As articulações com a gravidez ficam mesmo frágeis. Os ossos, os músculos, as cãimbras... Tudo, mas tudo isto contribui para cansar, provocar dores, desconforto. O corpo tenso. Dorme-se literalmente em equilíbrio. Até a circulação do nosso próprio sangue parece cansar. A dormência aparece com frequência. O coração trabalha cada vez mais para as duas. Cansaço e dores no corpo, tudo normal. Mas os dias não têm a mesma facilidade nem agilidade. E as noites, claro, são bem mais despertas. Ao longo dos meses nem podemos carregar pesos. Não estamos doentes mas o corpo está cansado. Cada vez mais. Dói. Há alturas em que custa um bocadinho. Mas também é nessas alturas que aquele teu pontapé nos chama à vida e nos leva às estrelas. Àquelas que cintilam e brilham. É nessas alturas que nos lembramos que gravidez está longe de ser doença, se cansa... Cansa. É simples: descansa. 
Vale mesmo é desfrutar das estrelas, aquelas que todos os dias os teus pézinhos  fazem questão de fazer cintilar.  

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Mudanças

Nāo vejo a hora de acabar a nossa mudança. Em género de brincadeira dizia sempre que tinha mestrados e mestrados em mudanças. É um facto que mudar de casa, para mim, nunca foi uma dificuldade, um problema ou sequer um transtorno. Nunca foi. E se há quem mude de casa, sou eu. Até entre países. E nunca mas nunca me cansou tanto. É um desabafo e nāo uma reclamaçāo. Quando tudo parece acontecer na direcçāo oposta àquela que desejamos, quando os contratempos sāo aos pontapés, quando tudo parece um filme do Almodóvar e podia ser tāo simples, mas tāo simples. Mas nāo tem dependido de nós. Nada. Grávida, esperar 5 horas pelas entregas do Ikea numa casa ainda quase sem mobília nāo é a mesma coisa que estando num estado normal. Ainda por cima, quando chegam, chegam com o material errado, incompleto, fazem-me ir lá de novo, resolver um problema provocado por eles. Marcam uma nova data e mais 5 horas de espera pela frente. E este é apenas um exemplo entre diversos, sim, diversos que nos têm aparecido diariamente... 

Desculpem o cansaço das minhas palavras. Desculpem a impaciência da minha atitude. A verdade é que é tudo por um motivo maravilhoso. Eu sei. Claro que é. Mas isso nem está em cause, naturalmente. Fico triste porque o processo tomou conta de mim, já vai longo, tāo longo que por vezes esqueci no desespero que é tudo mas tudo por razões que brilham mais que a lua. Os contratempos têm sido muitos. Demasiados. 
Mas nāo há contratempo que se meta no nosso caminho e resista. Nāo há. Vamos resolvendo todos. Um a um. E cá estaremos para usufruir da calma e da organizaçāo quando o mundo permitir e nos deixar de colocar diariamente questões, problemas, erros ou equívocos relacionados com a nossa mudança. 
Mundo, ouve bem: esta casa e esta mudança que te falo é o nosso futuro, mas já devia ser o nosso presente. Porquê? Porque fizemos e fazemos tudo o que há para fazer ao nosso alcance. Porque nāo merecemos este desgaste. Porque precisamos de parar. Porque merecemos esperar, mas esperar apenas esperar por ela. Por favor, organiza-te connosco. 

Mundo, estás a ouvir? Por favor... Já chega. Como diz um grande amigo: É só uma mudança nāo é neurocirurgia.  Peço-te do fundo do coraçāo, nāo é por nós sequer. 
É por ela. Por ela, o meu amor . 
Obrigada, sei que vais entender.